Álvaro Siza e Santiago Calatrava: Obras e Estilos

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Álvaro Siza (1933 – Presente)

Álvaro Siza formou-se na Faculdade do Porto, em Portugal, tendo como professor Fernando Távora. Sua obra é marcada pelo domínio do lugar e da matéria, com plantas sem desejo de forma e uma forte relação com o entorno. Possui a capacidade de “assentar” o edifício no terreno, apresentando formas não presunçosas, apenas articulação, modelação da plástica de forma escultural e o silêncio da beleza.

  • Casa de Chá e Restaurante Boa Nova (Leça da Palmeira, Portugal, 1958-1963): Fernando Távora foi chamado e transferiu a tarefa do projeto para seu aluno Álvaro Siza, de 25 anos. Implantação: Escolha audaz sobre massas rochosas que descem da planície costeira para o Oceano Atlântico; localização em forma de Acrópole; aproveitamento máximo dos níveis do terreno e suas complexidades topográficas. Cultura Tradicional: Grande plano de cobertura escalonado com telhas de barro e forro em madeira; forro como unificador por se apresentar interna e externamente; pilares de concreto que direcionam para o oceano; paredes divisórias rebocadas na direção da margem; corpo verticalizado da chaminé. Modernismo: Espaço cúbico cortado por cobertura inclinada; continuidade espacial; janelas em fita.
  • Complexo Residencial Bonjour Tristesse (Berlim, 1980-1984): Segue o tecido urbano citadino preexistente, como alinhamentos, uniformidade das superfícies, organização e definição das aberturas; aproveita-se da tensão plástica proveniente do expressionismo alemão.
  • Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre, 2001-2007): Museu com salas expositivas, depósitos, bar, biblioteca, videoteca, auditório e laboratório. Situa-se entre a Avenida Padre Cacique e uma parede rochosa íngreme. Projeto de edifício parcialmente soterrado composto por um paralelepípedo e um volume de forma irregular. As salas expositivas localizam-se no volume irregular, que tem apenas duas paredes ortogonais posicionadas para o paredão rochoso, enquanto a vista da avenida é curvilínea. Os diversos pavimentos são ligados por rampas que se entrelaçam e se exteriorizam na fachada, transformando-se num elemento aéreo cheio de plástica.

Santiago Calatrava (1951 – Presente)

Santiago Calatrava formou-se pelo Instituto de Artes de Valência, Espanha. Possui formação em Arquitetura e pós-graduação em Urbanismo na Politécnica de Valência, além de Engenharia Civil na Universidade de Zurique, Suíça. Busca evitar soluções simplistas, unindo estrutura e movimento (antagonismo), com inspiração nos móbiles.

  • Turning Torso (Malmö, Suécia, 1999-2005): Composto por 9 seções pentagonais com 5 pavimentos cada, completando 90° de rotação. É um arranha-céu torcido; os 12 níveis inferiores destinam-se ao comércio e os demais à habitação (variando de 45m² a 190m²). Apoiado num núcleo de concreto central que abriga a circulação vertical, equipamentos mecânicos e instalações elétricas, hidráulicas e de ar-condicionado. As fachadas são revestidas por 2,8 mil painéis curvos de alumínio que emolduram painéis planos de vidro. A estrutura metálica está disposta externamente ao volume arquitetônico, na forma de uma única coluna helicoidal denominada "exoesqueleto".
  • Llotja de Sant Jordi (Alcoy, Espanha, 1992-1995): Remodelação da Plaza de España, na região central da cidade. O hall subterrâneo tem acesso às duas extremidades da praça. A entrada a oeste localiza-se sob o nível do terreno e é protegida por uma grade de aço que, quando fechada, torna-se parte da pavimentação da praça e, quando aberta, a estrutura suspensa da porta mostra a entrada e a escada que conduzem ao subsolo. Na outra extremidade, o acesso é marcado por um reservatório circular com cobertura mecânica constituída por barras de aço. A cobertura da sala subterrânea é constituída por um sistema de arcos em concreto que criam uma galeria ao longo do eixo longitudinal.
  • Puente de la Mujer (Buenos Aires, 1998-2001): Inspirado em um movimento feminino do Tango; parte do projeto de renovação de Puerto Madero. Possui 1 pilar inclinado com 39m de altura, de onde se estende um plano rotativo com 102m de extensão, sustentado por cabos de aço e colocado entre duas pontes fixas. A parte móvel faz um giro de até 90° para permitir o tráfego na água. Extensão total de 160m, feita de concreto armado e aço.
  • Bodegas Ysios (La Guardia, Espanha, 1998-2001): Utiliza material de ciprestes. A cobertura é revestida com alumínio e agita-se suavemente sobre o terreno como uma onda. A parede sinusoidal, a despeito de sua espessura reduzida, é resistente, resultado de uma lógica construtiva extremamente rigorosa. Seu objetivo não é tornar o edifício mais complexo, mas simplificá-lo.

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