Análise da Apologia de Sócrates: Defesa e Filosofia

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A Defesa de Sócrates na Apologia

A filosofia exposta na Apologia consiste em uma admissão honesta da ignorância, baseada no princípio de que todo o seu conhecimento provém da consciência de nada saber, indo além da famosa frase: "Só sei que nada sei". Sócrates pede ao júri que não o julgue por suas palavras, mas pela verdade que elas carregam. Ele afirma que dirá em voz alta o que lhe passar pela cabeça, utilizando a mesma linguagem das assembleias, demonstrando ser um mestre da retórica, capaz de persuadir e dialogar com o júri.

Os Acusadores: Anito, Meleto e Lícon

  • Anito: Um proeminente ateniense que aparece no diálogo Mênon. Ele se ofende com Sócrates por este questionar a virtude e a educação dos filhos dos cidadãos atenienses.
  • Meleto: O único a falar durante a defesa. Acusa Sócrates de ateísmo e de corromper a juventude com seus ensinamentos.
  • Lícon: Pouco se sabe sobre ele, sendo identificado como o representante dos oradores.

As Acusações: Antigas e Recentes

Sócrates enfrenta dois tipos de acusações:

  • Acusações antigas: Rumores e preconceitos de longa data, muitas vezes atribuídos à influência de Aristófanes, que o retratava como um sofista que investiga fenômenos celestes e subterrâneos.
  • Acusações formais: Corromper a juventude e acreditar em divindades de sua própria invenção, em vez dos deuses da pólis.

Sócrates refuta a ideia de ser um sofista, destacando que, ao contrário deles, ele é pobre e não cobra por seus ensinamentos, pois afirma não possuir sabedoria.

O Oráculo de Delfos e a Missão de Sócrates

Para resolver o paradoxo de ser o homem mais sábio sendo ignorante, Sócrates narra a visita de Querefonte ao Oráculo de Delfos. O deus afirmou que ninguém era mais sábio que Sócrates. Ao investigar políticos, poetas e artesãos, Sócrates concluiu que a sabedoria humana tem pouco valor e que a verdadeira sabedoria pertence aos deuses. Ele se define como alguém que busca a verdade, não um professor que transmite conhecimentos.

O Veredito e a Condenação

Após a condenação, Sócrates propõe uma multa simbólica, o que irrita o júri. Com 360 votos a favor da pena de morte, ele é sentenciado a beber cicuta. Em suas palavras finais, Sócrates mantém a serenidade, afirmando que a morte pode ser uma bênção ou uma migração para outro lugar. Ele conclui pedindo que cuidem de seus filhos e encerra com a célebre frase: "É hora de irmos: eu para morrer, vós para viver. Quem de nós segue o melhor caminho, ninguém sabe, exceto os deuses."

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