Análise de A Casa de Bernarda Alba: Temas e Conflitos
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Josefa, Maria, Adela e o suicídio.
O amor sensual e a busca pelo homem.
O drama dessas mulheres consubstanciado na ausência do amor e o medo de ficar solteira. O governo tirânico de Bernarda impede qualquer possibilidade de que elas entrem em um relacionamento.
Assim, o surgimento de Pepe el Romano no mundo fechado desencadeia as paixões dessas mulheres que desejam se casar para se livrar da tirania de Bernarda. A partir desse momento, estabelece-se o conflito entre as irmãs. A presença do homem e da paixão amorosa são especificadas de duas maneiras diferentes:
- Através de alusões a histórias de amor que ocorreram fora do palco: as referências a Paca la Roseta, à filha da Librada e aos segadores...
- Através das experiências dos personagens: a paixão de Adela é evidente no primeiro ato. Em outras irmãs também aparece o desejo de amor: a paixão secreta de Martírio ou a satisfação de Angústias com os homens no funeral de seu pai.
A Hipocrisia
A hipocrisia é um dos temas recorrentes da obra. De forma simbólica, manifesta-se na obsessão com a limpeza de Bernarda. O medo da fofoca é uma constante na vida das pessoas e verifica-se no comportamento de Bernarda, chegando a esconder sua mãe porque tem vergonha de sua loucura. A hipocrisia é também uma característica de Martírio ao longo do trabalho.
Ódio e Inveja
Esses sentimentos são evidentes pelas didascálias ("sempre com crueldade", "odiando"), pelos insultos ("mandona!", "dominadora!") e insinuações ("Cuidado com a língua no buraco!"). Estão presentes entre Bernarda e suas filhas, os servos e os vizinhos, por um lado, e entre as irmãs, por outro.
As fontes desse ódio são os desejos de amar e de ser livre das filhas, a desigualdade social (empregadas domésticas) e o orgulho de casta de Bernarda, que atrai o ódio das mulheres da aldeia.
O Orgulho de Casta e a Honra
Bernarda é o personagem que encarna o orgulho de casta. Sente-se superior às empregadas domésticas, que maltrata muito, e ao resto dos moradores, a quem despreza.
Existe uma hierarquia social. Na camada mais alta fica Bernarda e sua família, depois a Poncia, em seguida a empregada doméstica e, finalmente, o Mendigo.
No que diz respeito à honra, há a necessidade de ter uma predominância social da imagem impecável e a importância do "que as pessoas dirão".
Assim, Lorca revela as tensões da sociedade de seu tempo. Denuncia a injustiça, o orgulho de classe e a crueldade que presidia as relações da sociedade.
Exclusão das Mulheres
Para denunciar a marginalização das mulheres, Lorca confronta dois modelos femininos:
- O que se baseia na frouxidão moral: Paca la Roseta, a prostituta, e a filha da Librada. Essas mulheres são condenadas moralmente e até fisicamente.
- O baseado numa certa concepção de decência: as filhas de Bernarda, cujo comportamento, por serem mulheres e economicamente ricas, envolve uma total submissão às normas sociais que discriminam as mulheres em benefício do homem.
Observe a progressão de Adela, que está lentamente a ser identificada com as mulheres de moral duvidosa.