Análise da Cena I: Pressentimentos e Efeitos do Incêndio
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Cena I
Forma enigmática como a cena termina: revela que Maria (Mª) pressente a verdade, ou parte dela, relativamente à história de D.J – “Mas o outro, o outro… quem é este outro T? (…) e aquela mão que descansa na espada, como quem não tem outro arrimo, nem outro amor nesta vida.”
3º Retrato: Pressentimento de Mª
Mª tem um pressentimento relativamente ao 3º retrato, referindo-se à figura do retrato como “o outro, o outro…”. Ele conhece muito bem os dois primeiros quadros, sendo um de Camões e outro de D. Sebastião, mas o outro, apesar de desconfiar que possa ser de D.J de Portugal, não tem bem a certeza. Ao questionar T sobre a entidade que se apresenta no quadro, este mente, dizendo que é “um da família da casa de Vimioso”.
Alteração de Opinião de T
T alterou a sua posição face a MSC depois do incêndio: antes admitia as suas qualidades, mas, contudo, não as admirava; agora admira-o pelo seu patriotismo e lealdade, considerando-o “um português às direitas”.
Indícios Trágicos
- Mª cita os primeiros versos da novela trágica Menina e Moça.
- A causa da doença de M – o retrato de MS, que ardeu no incêndio, apareceu-lhe substituído pelo retrato de D.J, iluminado por uma tocha, quando entra no seu palácio – é “prognóstico fatal de uma perda maior que está perto”.
Efeitos do Incêndio
O incêndio do palácio provocou impressões diferentes entre Mª e M:
- Mª: Ficou fascinada, encontrando nele alimento para dar asas à sua imaginação. Por outro lado, este fascínio pode decorrer do facto de Mª ainda ser muito jovem e ter um “gosto” especial pelo perigo e pela adrenalina, criando nela uma curiosidade por tudo o que é novo.
- M: Ficou doente, aterrorizada e cheia de pesadelos, ligando o incêndio à perda do marido e à destruição do quadro a um prognóstico fatal.
Recursos Expressivos
Analepse
Mª utiliza a analepse para recordar o que acontecera oito dias antes e que tanto perturbou a sua mãe, deixando-a doente.
Afunilamento do Espaço
Relativamente ao ato I, que se passava no palácio de MSC, um espaço luminoso, arejado e aberto sobre o Tejo, marcado pelo luxo e pela elegância, sugerindo uma liberdade e uma felicidade aparentes, no ato II as personagens encontram-se num espaço bem diferente. Este ato passa-se na sala dos retratos do palácio de D.J de Portugal, um espaço melancólico, sem luz natural, frio, despido, sem marcas de humanização, sugerindo a opressão e inquietação interior e marcando o reencontro com o passado.
Temas Abordados no Diálogo
Ao longo do diálogo entre Mª e T, surgem diversos temas: o incêndio no palácio, o estado de saúde de M, os retratos de Camões, D. Sebastião e o de D.J de Portugal (Mª não tinha a certeza deste último) e de MSC ter de estar escondido devido a possíveis represálias dos governadores.