Análise Clínica: Diagnósticos e Perspectivas Psicológicas
Classificado em Psicologia e Sociologia
Escrito em em
português com um tamanho de 4,26 KB
1. Avaliação de Transtornos de Personalidade e Psicóticos
Transtorno de Personalidade Borderline: Paulo não apresenta sintomas fundamentais, como instabilidade emocional, sentimentos intensos polarizados, angústia de abandono, comportamentos impulsivos, perigosos, autolesivos ou sentimentos de vazio e tédio.
Transtorno Depressivo: Paulo não se concentra em conteúdos de fracasso, doença, culpa, pecado ou ruína.
Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC): Paulo não apresenta vigilância ou atenção excessiva desregulada. Não possui ideias obsessivas de caráter egodistônico, nem comportamentos repetitivos baseados em regras rígidas.
Transtorno Psicótico: O paciente psicótico apresenta alterações nas funções do pensamento e da sensopercepção. Paulo demonstra leve perda de contato com a realidade ao criar alucinações auditivas sem estímulo real, com conteúdo depreciativo ou de perseguição. Fatores estressantes podem atuar como desencadeadores de surtos psicóticos.
Transtorno de Personalidade Narcisista: O paciente não apresenta fantasias irreais de sucesso, senso de ser único, hipersensibilidade à avaliação alheia ou expectativa de tratamento especial.
2. Crítica ao Modelo Médico de Psicoterapia
Hillman (2010) problematiza o modelo atual de psicoterapia e a forma como encaramos saúde e doença. O autor alerta para as denominações diagnósticas e o modelo médico que busca classificar o paciente em uma forma "doentia". Esse modelo foca no que há de errado com o humano para, então, rotulá-lo. Hillman sugere que, se sofremos, somos vistos como doentes ou pecadores, e a cura residiria apenas na ciência ou na fé.
Transtornos como ansiedade, dislexia, autismo e transtorno bipolar são frequentemente confundidos com TDAH, levando à medicalização excessiva, efeitos colaterais e atrasos no tratamento correto. O Brasil tornou-se um grande consumidor de Ritalina, cujos efeitos incluem distúrbios do sono e redução do apetite. Diagnósticos imprecisos resultam em medicação desnecessária e agravamento do quadro clínico.
3. Resposta
II e IV
4. Análise do Caso: Ana e o Transtorno de Personalidade Esquiva
O comportamento de Ana, ao tentar compensar sua aparência, indica falta de sentimento de pertença. A tentativa de "embranquecimento" é um escape para a inadequação. O medo de ser inadequada e a repressão do desejo de relacionamento por medo da rejeição são características do Transtorno de Personalidade Esquiva.
Contudo, segundo o DSM-V, o diagnóstico exige critérios observáveis na vida adulta e em diversos contextos. Como Ana tem 9 anos, ela está no período operatório concreto, marcado pela decadência do egocentrismo e pelo desenvolvimento do pensamento lógico e crítico.
5. Hipótese Diagnóstica: Transtorno de Pânico
A principal hipótese é o Transtorno de Pânico. Conforme o DSM-V, manifesta-se como crises agudas de ansiedade, medo intenso de morrer ou perder o controle, acompanhadas de descarga autonômica (taquicardia, sudorese, etc.).
6. Transtornos Alimentares
Segundo Paulo Dalgalarrondo, destacam-se:
- Anorexia Nervosa: Busca implacável pela magreza e medo mórbido de engordar.
- Bulimia Nervosa: Medidas extremas como vômitos, purgação e uso de diuréticos para mitigar o ganho de peso.
- Obesidade.
O caso clínico aproxima-se da Bulimia Nervosa, devido à preocupação excessiva com o controle de peso e a tendência de esconder os sintomas.
7. Depressão e Melancolia na Psicanálise
A depressão relaciona-se à elaboração inconsciente de perdas. Para Freud, ao perder um objeto significativo, o sujeito identifica-se narcisicamente com ele. Se o investimento libidinal era ambivalente (amor e ódio), o rancor é vertido sobre o próprio Eu, gerando culpa, fracasso e autopunição. A paciente vinculou-se ao filho para lidar com a culpa de pensamentos de aborto, apresentando um quadro marcado por tristeza, ruína e autoacusação.
8. Resposta
C - I, III, IV