Análise e Comentário do Soneto 18 de Shakespeare

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Soneto 18 de Shakespeare: Análise Completa

Não digo que eu compare a um dia de verão?

1. Voz Retórica e Humor

A voz retórica, como o povo pediu, tem a função de introduzir o poema, criando expectativa. O poeta, curioso, desperta a curiosidade do leitor, que seguirá lendo. O poema fala-nos através de um alto-falante, ou seja, está na segunda voz, como um 'tu' que é o destinatário. Através dele, vemos o poeta conversando com alguém, sentindo alguém viajar para o poema (não se refere ao leitor).

O humor elogia o poema amado, reclama ou elogia sua beleza. É uma homenagem à beleza deste, um elogio à primeira exposição, embora possa existir. A atitude primeira dupla existe. Acima, mostra dois tipos de sentimentos no poema: bajulação e segurança, terminando em eternidade. Embora os últimos dois versos falem de melancolia, essa eternidade de que se fala é relativa, durará enquanto houver cultura e língua portuguesa.

2. Resumo do Soneto

Está descrevendo que ama a pessoa, o poeta elogia a pessoa que ama e que ele comparou a um dia de verão, dizendo que a beleza imperecível da sua amada é imortal. O poeta converte a beleza que amou em algo imortal, uma 'pátria' de qualidades positivas, e essa imortalidade para os leitores perdura enquanto a obra for lida. Se o poema está vivo, ele transfere ao leitor emoções, sentimentos...

3. Tópico Central: Natureza vs. Arte

Em todo o poema, o conflito gira em torno da beleza sujeita ao tempo (perecível), da natureza, contra a beleza imperecível, eterna, da arte. Natureza contra arte. Podemos dizer que há duas correntes: o nascimento e a morte natural, e a eternidade, a epifania. A pessoa que pertence à arte escapa da natureza, de modo que muitas pessoas foram imortalizadas através da arte, alcançando um nível de eternidade. Em resumo, só a arte pode conferir eternidade à beleza perecível. A arte é o que escapa à morte na vida.

4. Estrutura do Soneto e Partes

Parte A: Versos 1 e 2

Tu ------- dia de verão. Este contraste estará presente em todo o poema. A comparação inicial estabelece dois tipos de beleza. Nesta parte, a beleza serve ao propósito do amor.

Parte B: Versos 3 a 8

  1. Fala-nos sobre os acidentes que a beleza pode sofrer, como é vulnerável.
  2. A brevidade do verão.
  3. Fala-nos sobre como o verão é tão breve, e que não há muito sol em dezembro.
  4. Em dezembro, também pode chover. Estes são os 'porquês' da brevidade do verão. Se tirarmos os dias ardentes e os dias nublados, o que nos resta? Aqui, 'verão' é sinónimo de bom tempo.
  5. Toda a beleza natural é uma abstração.
  6. Aleatoriamente, por um acidente da natureza ou por mudança, tudo muda. Nesta parte, a beleza sujeita ao tempo está a mudar. Toda a beleza natural é passageira, e os versos dizem-nos o porquê.

Parte C: Versos 9 a 14

  1. A beleza que ele amou não perece, não está sujeita a mudar.
  2. Não perderá a beleza.
  3. A morte não a levará, ao contrário de todos os outros que morrerão.
  4. O seu 'eu' não morrerá, transformado em versos.
  5. e 14. Enquanto houver leitores, a sua beleza terá vida.

A beleza que ele amou não morrerá enquanto a arte a reproduzir, nos versos. Não é uma beleza perecível, para não morrer enquanto houver leitores.

Comentário Detalhado do Soneto 18

O poema está escrito em pentâmetro iâmbico, versos de cinco pés de uma sílaba átona primeiro e uma tónica segundo, o que é equivalente ao nosso hendecassílabo. O poema é um soneto inglês. Sua estrutura é ABAB / CDCD / EFEF / GG, consistindo em três quartetos (quadras) e um dístico final.

Devo te comparar a um dia de verão?

U - U ----- U - U U ---- -----
___2__ ___1__ __3_ __4___ __5____

Comentário do Verso 1

O poema começa com uma pergunta retórica para introduzir o assunto. Sua função é despertar a curiosidade da pessoa amada e dos leitores que vão ler o poema. Pode criar expectativa. Apresenta uma comparação entre ti e dia de verão, o amado e o dia de verão. O dia de verão tem um valor simbólico, para além do seu significado literal, é empregado com um valor exemplar de grande beleza. Todas as comparações criam tensão, criam competitividade.

A partir do nível de som, encontramos uma ligeira aliteração entre ti e os dias, mesmo entre comparar e verão, que cria um início de melodia, imergindo-nos em um ambiente musical. Deve ser outra aliteração líquida, s.

Comentário do Verso 2

A composição aparece entre tu (o amado) e um outro termo que não está listado, é implícita. O verso 2 complementa o primeiro (bimembre). Encontramos a repetição de duas palavras mais .... Mais, esta é uma anáfora. Encontramos também a repetição de um r, que é líquido em são, mais, mais, de clima temperado. A consoante r é muito melódica. Também encontramos dois sons líquidos 'l' em encantador. Sem perceber, vamos mergulhar em uma homofonia. O verso 2 intensifica o caráter melódico e a beleza criada pelo primeiro verso. O poeta usa uma hipérbole para demonstrar nos versos seguintes.

Comentário do Verso 3

Neste verso começa a discussão. Aqui vemos um contraste entre ventos ásperos, que é negativo, e Darling Buds (botões queridos), um termo positivo. No que diz respeito aos sons, em ventos, não, querido, botões, encontramos uma aliteração em 'd', que é um som dissonante e um tanto aborrecido, pois também indica um som áspero, marcando o tom como uma onomatopeia, uma 'respiração de fogo' que nos eleva acima da musicalidade, mas também 'querida' nos lembra que estamos falando da pessoa amada. Darling é um epíteto, onde o adjetivo se destaca e qualifica o substantivo; o botão é muito sensível.

Comentário do Verso 4

Neste verso também aparecem termos positivos (verões) e negativos (data de locação de curta duração). A diferença é que o poeta alterou a ordem, colocando primeiro o negativo e depois o positivo. Ambos os termos positivos e negativos, juntamente com os dois versos anteriores, formam um quiasma X, embora seja quase imperceptível. Este quiasma visa manter o cuidado para não se tornar monótono. Arrendamento Summers (aluguel de verões) é uma metáfora que se refere à transitoriedade.

No que diz respeito ao som, encontramos a aliteração entre verões e locação, que é melódica com 'S' e 'L'. Também 'muito curta, a data' marca uma interrupção abrupta e dura. Estes realçam a beleza e, por outro lado, a brevidade. O verso termina em dois pontos, introduzindo assim a brevidade da beleza.

Comentário do Verso 5

Encontramos muito quente, que é negativo, e os olhos do céu brilham, um contraste e ainda outro quiasma com o verso anterior. Quanto à repetição, há anáfora, também com o verso anterior, que cria intensidade. Muito quente, muito curto causam outra figura de linguagem chamada paronomásia, duas palavras de som semelhante, mas com significados diferentes, que estabelece uma continuidade do negativo muito quente.

O olho do céu é uma metáfora que se refere ao sol, uma metáfora bastante primitiva. De acordo com os sons, encontramos alguma aliteração entre o céu brilha, no som nasal, e também em 't', como em time, too, hot. Encontramos também um contraste entre passagens musicais que mostram uma densidade e pausas, rígidas, com a espessura de 't' e 'j', dissonantes.

Comentário do Verso 6

O ouro dimmd (escurecido) é negativo, e o positivo ocorre com o contraste do verso anterior, um quiasma. A estrutura se repete. Há uma repetição da conjunção e, um polissíndeto.

Comentário do Verso 7

O positivo e o negativo diminui justo. Agora, pela primeira vez, volta ao positivo, tentando mudar para evitar a monotonia. Há também a anáfora, e no verso anterior também ocorre a paronomásia justo. Há também um trocadilho em Feira de justo, onde a paronomásia se manifesta.

Repete-se o som 'f', em justo por justo, e há outra aliteração em 'r', em cada feira de justo. Às vezes diminui, a música continua a ser produzida e também quebra outros sons nasais /cla/.

Comentário do Verso 8

Neste verso, tudo é negativo, remove a variação, encerrando a discussão. Neste verso, há uma paronomásia tripla entre chance, natureza, mudança. Parece feio, duro.

Comentário do Verso 9

Começa com uma oração adversativa mas. Há aliteração em 't' (eternal but, not, thy), onde o valor de 't' corresponde a algo fixo, estável, para garantir que a beleza nunca desaparecerá. Verão eterno está relacionado à beleza, portanto, é uma metáfora. Eterna tem o valor de um epíteto, qualificando e singularizando. Até agora, o contraste era entre o Verão e o amado, mas agora diz que ele é um eterno verão, tornando-o eterno com a palavra eterna. Ele também contrasta eterna (positivo) contra Not Fade (negativo). Há um exagero no verão eterno. Verão também é o sujeito de um verbo, portanto, uma personificação.

Comentário do Verso 10

Negação contínua, anáfora não ... não. Posse e deves são palavras com sons muito semelhantes, mas diferentes; o autor quer enfatizar, repetir o significado. No que diz respeito ao som, perder a posse produz uma forte aliteração em 's', e isso e tu produzem sons delicados, falando da beleza do ser amado. Fair (justa/bela), a delicadeza das cores.

Comentário do Verso 11

Em primeiro lugar, encontramos uma metáfora. Também continua a anáfora de normal ... normal. Encontramos uma personificação da morte. Shakespeare nos lembra do drama medieval sombrio, mas, ao mesmo tempo, é glória, para dar glória à morte. Quanto aos sons, existe uma ligeira aliteração em regulamentação, vangloriar-se, passear, recordando a vanglória da morte. Death, tu vagar, sombra. Existe uma tensão entre os sons líquidos e os dentais.

Comentário do Verso 12

Vida Eterna é um epíteto, como se repete em verão eterno. Vida eterna também seria uma hipérbole. Em Growst em tempo eterno, com o 't', reforça-se o sentido da eternidade dos versos. Quando, vida, tempo, M e N falam de algo denso, um verso pensado. Há um pequeno deslocamento, a ordem seria Quando tu growst em vida eterna. É um hipérbato, pois eterna é colocado em uma posição privilegiada.

Comentário do Verso 13

Há uma aliteração na vogal 'i'. A restrição reforça o conceito de eternidade. O verso é dividido em duas partes, uma estrutura binária, terminando em 'i' (prazo). Este 'i' é como um gemido. Ele quer reforçar o sentimento de tristeza, melancolia.

Comentário do Verso 14

O verso 14 repete o verso anterior. O som 'L' é repetido no líquido, podemos falar de um trocadilho entre vida e vida. E há anáfora.