Análise de "O Crime foi em Granada" de Machado
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O crime foi em Granada: Este texto pode ser relacionado com o movimento literário já mencionado acima, uma vez que o autor critica o ambiente social em que vivem.
O tema abordado no texto é o da morte, que alguns diriam ser a personagem principal, pois, apesar de em toda a sua obra Machado falar de formas diferentes sobre a morte, especialmente neste poema ele fala sobre a morte de seu amigo e colega Federico García Lorca. Seus pensamentos sobre a morte são a derivação lógica de suas preocupações sobre o tempo, considerado como o grande destruidor da vida.
Este poema é um exemplo perfeito da poesia da última etapa do poeta, mais desprovido de decoração modernista e voltado para o contexto da Guerra Civil.
Os símbolos utilizados por Machado neste poema são a eletricidade, a água e a luz, que representam a vida em sua poética.
Em relação ao texto literário, a métrica do poema possui assonância e rima, combinando versos heptassílabos (sete sílabas) com o verso heróico de onze sílabas (hendecassílabo). Portanto, trata-se de uma silva arromanzada, uma das formas métricas utilizadas por Machado. Este tipo de métrica é muito comum na poesia espanhola.
Os seus recursos estilísticos mais importantes são as metáforas e personificações. Esses recursos podem ser vistos quando ele diz: "sobre uma fonte onde a água chora, e infinitamente diz". Sabe-se que é uma personificação porque a água não fala, nem chora; este trecho encontra-se nos versos cinco e seis. Os gritos e a água corrente no poema, para Machado, prometem e chamam para uma vida, se considerarmos que a água fluindo na poética do autor é um símbolo da vida.
O tempo verbal utilizado pelo autor em seu último poema é o pretérito, como em "viu", no modo indicativo, o que indica a objetividade do texto e a fala em terceira pessoa; mas há também o uso do imperativo. Quanto ao ritmo, o poema é nominal e de estilo lento, devido à presença de muitos substantivos e adjetivos específicos, o que confere detalhes à obra.
O uso do léxico popular está presente no texto, indicando que Machado não deu tanta importância à recuperação de um vocabulário arcaico e/ou rural.
Referindo-se ao campo semântico, podem ser observados termos de áreas ou locais específicos como "Alhambra", "fonte" e "Granada".
Finalmente, Machado usa uma linguagem denotativa, uma vez que demonstra claramente que emprega as palavras em sentido literal. No entanto, também se pode apreciar o uso conotativo da linguagem nos símbolos e personificações explicados.