Análise de Elegias: Machado de Assis e Miguel Hernández

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Análise de Poemas Elegíacos: Machado de Assis e Miguel Hernández

Análise de "Campos de Soria" (Antonio Machado)

No nono terceto, a ira do autor se manifesta com palavras como "acima", "tempestade", "pedra", "raio", "machado", "sede", "fome" e "desastres altos". A terceira parte é de "louvor", na qual o autor elogia o falecido e sutilmente destaca algumas qualidades deste "pássaro apicultor, sua alma... a sombra feliz das minhas sobrancelhas...". O tom muda de indignado para agradável, referindo-se à bela memória que o companheiro lhe permite: "flores... ceras angélicas... lavradores... amor alado, almas de rosas...". Também é destacada a grande importância da amendoeira, contada pelo autor e seus conhecidos, e Sijé Hernández caminhou pelas amendoeiras de suas terras. Em conclusão, este poema é um exemplo claro de elegia e da maneira como demonstra os sentimentos após a morte de um ente querido e como louvar o falecido.

Sobre Antonio Machado

CAMPOS DE SORIA. Antonio Machado Ruiz (Sevilha, 26 de julho de 1875 - Collioure, França, 22 de fevereiro de 1939) foi um poeta espanhol, membro tardio da Geração de 98 e um dos seus mais representativos. Seus primeiros trabalhos tendem a aderir ao movimento literário denominado Modernismo. Após a guerra, foi exilado para a França, onde morreu algumas semanas depois.

Descrição Subjetiva da Paisagem

O texto é uma descrição subjetiva da paisagem de Soria, observada pelo autor em uma de suas muitas visitas. Ele descreve a paisagem de acordo com seus sentimentos, alegria e tristeza. Especialmente triste, pois é o lugar que costumava frequentar com sua esposa falecida. As estrofes de três versos utilizam rimas heptassílabas em verso heróico e assonância nos pares, sendo o verso solto estranho. É um verso frequentemente utilizado por Machado, chamado de "silva asonantada". No início, o poema parece uma mera apresentação das características da paisagem. No verso, aparece o "eu" do autor, carregado de emoções. No entanto, vemos que os primeiros versos também são livres de tons exclamativos subjetivos. O tom que domina o texto é o exclamativo, indicando a intensa emoção com que o poeta olha a paisagem. Vemos que há apenas dois verbos principais na passagem ("sou" e "vou"). O verbo "sentir" é vital para ele; é evidente que o poeta não "vê" a paisagem, mas a "sente". Portanto, será necessário encontrar os elementos subjetivos que moveram o poeta a criar o poema.

As primeiras linhas são uma longa lista de aspectos da paisagem: "Colinas prateadas, alturas cinzentas escuras, rochas vermelhas....". Esta é uma vocativo (que visa chamar a atenção do leitor). Os adjetivos que acompanham cada nome acrescentam cor: "o brilho metálico se apaga, tornando-se ainda cinza ou pôr do sol". Além disso, o som aumenta nos primeiros versos: "Sempre que o Douro" refere-se a ressonâncias "guerreiras da Primavera é a curva". Referência que se segue um pouco mais tarde, quando se fala da terra "guerreira mística". Lembre-se que as terras são, historicamente, reinos religiosos e justos cristãos antes da Reconquista. Os adjetivos qualificativos servem para reforçar o valor dos substantivos (são adjetivos que acompanham os nomes e destacam algumas de suas características). O adjetivo 'prata' para 'Colinas' é sinônimo de sabedoria antiga.

Na Parte VIII do poema, o poeta retorna à sua cidade natal e olha para reconhecer lugares que já conhecia. A imagem mais marcante é a das terras trabalhadas, humildes, onde as pessoas precisam se curvar ao trabalho. Uma terra que sofre sob um sol escaldante (nuvem de fluido, vermelho-ouro). Novamente, é essencial usar adjetivos e sentimentos refletidos na paisagem. No final, é um bom exemplo da poesia de Machado e de algumas características do movimento simbolista da época, incluindo o uso de cores ou a interiorização da paisagem.

Análise de "Elegia" (Miguel Hernández)

Sobre Miguel Hernández

ELEGIA. 1. Miguel Hernández Gilabert nasceu em Orihuela (Alicante) em 30 de outubro de 1910. Foi um poeta e dramaturgo de grande relevância na literatura espanhola do século XX, pertencente à famosa Geração de 27. Em 1939, Hernández tenta fugir para Portugal. Retornado, a Guarda Civil inicia seu calvário de prisões, o que o próprio Miguel chamou de "turismo" pelas prisões espanholas. Libertado, retorna a Orihuela, onde apenas 12 dias depois é preso novamente e transferido para a prisão Conde de Toreno, em Madri. Foi condenado à prisão perpétua. Doente na cadeia, é consumido lentamente. Finalmente, morre em 28 de janeiro de 1942, aos 31 anos, devido à tuberculose na enfermaria da prisão de Alicante.

Dedicatória e Sentimentos

2. Este poema é dedicado à memória de seu amigo Ramón Sijé. Colocamos este poema em um momento de dor, culpa, por não ter podido se despedir do amigo. É um poema intenso onde os sentimentos estão à flor da pele. Um poema escrito para deixar claro o peso que Miguel carregava dentro de si, um poema para que ninguém esqueça o amor que uniu os dois amigos, embora a vida de Ramón tenha dado a sensação de que a relação entre os dois havia esfriado. A questão, portanto, é a dor, a tristeza e a revolta sentida pelo autor.

Estrutura e Partes da Elegia

Esta elegia é formada por tercetos hendecassílabos encadeados (ABA BCB CDC...), exceto a última estrofe composta por quatro versos. Quanto à estrutura interna, o poema pode ser dividido em três partes: a meditação, o lamento dos sobreviventes e o estágio de louvor.

1. Meditação e Aceitação da Morte

A fase de "meditação" é a parte onde Hernández reflete e recorda o passado com seu grande amigo. Ocupa os quatro primeiros tercetos. Destacam-se o campo e o meio rural, a agricultura e o povo, que estiveram muito presentes na vida de ambos. As palavras usadas como exemplos para apoiar esta teoria são "jardineiro", "papoula", "fertilizar"...

Nas primeiras sete estrofes, Miguel Hernández aceita a morte de Ramón e está consciente da gravidade desse fato, bem como de sua inevitabilidade. É onde Miguel está mais preocupado. Ele não julga nada nem ninguém, apenas expressa suas emoções intensamente. Utiliza uma metáfora para dizer que seu amigo está enterrado, apresentando-o como algo bom para a terra, que é pago, que "fertiliza", isto é, sua morte o dói tanto que tenta ver o lado positivo de sua ofensa. Também retorna ao tema da matéria.

Nos versos oito e nove, o autor expressa sua dor duramente com a hipérbole: "Dói-me doer para respirar", argumentando a impossibilidade de falar. No quarto terceto, há uma anáfora, mas também pode ser vista como um paralelo: "Um tapa, um soco gelado / assassino invisível, / o empurrão brutal que o abateu." Neste terceto, Hernández mostra como sentiu a morte súbita, implacável, "invisível", como um relâmpago, um empurrão brutal.

2. Lamento dos Sobreviventes

A segunda parte é o "lamento dos sobreviventes" e pode variar da quinta à décima primeira estrofe. É a fase em que Miguel Hernández se expressa mais emocionalmente, pois fala de seus próprios sentimentos com a perda de um ente querido, falando na primeira pessoa: "A prorrogação não é maior que o meu mal... Ando no restolho dos mortos...". No verso quinze, o autor demonstra sua compaixão: "e sinto mais a sua morte do que a minha vida." No verso 21, refere-se à morte prematura de Sijé: "cedo rolas pelo chão...".

3. Louvor

No nono terceto é a ira do autor com as palavras "acima, tempestade, pedra, raio, machado, sede, fome" e "desastres altos." A terceira parte é de "louvar", na qual o autor elogia o falecido e sutilmente destaca algumas das qualidades deste "pássaro apicultor sua alma... a sombra feliz de minhas sobrancelhas...". Mudar o tom de indignado para agradável e doce para se referir à bela memória que permite sua companheira: "flores... ceras angélicas... lavradores... amor alado, almas de rosas...". É também a grande importância da amêndoa e é contada pelo autor e seus conhecidos, e Sijé Hernández andou pelas amêndoas de suas terras. Em conclusão, este poema é um exemplo claro da elegia e do jeito que mostra os sentimentos após a morte de um ente querido e como louvar o falecido.

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