Análise da Estrutura Narrativa de Plenilúnio
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Estrutura Narrativa de Plenilúnio
O romance Plenilúnio é estruturado em 33 capítulos ou sequências numeradas. O narrador em terceira pessoa revela, essencialmente, os pensamentos, sentimentos e memórias dos personagens, alternando entre eles: o inspetor, o assassino, os pais de Orduña, Ferreras durante uma autópsia e Susana Grey.
Fluxo de Consciência e Técnica
As sequências aproximam-se da estrutura de um monólogo interior, apresentando o fluxo de pensamentos dos personagens. A diferença fundamental é que, embora o fluxo de consciência seja exibido, ele é mediado por um narrador em terceira pessoa. Cada sequência funciona como uma unidade independente, exigindo que o leitor reconstrua o argumento a partir dos pensamentos e memórias fragmentadas.
Espaço e Ambientação
- Cenário Urbano: A trama ocorre em uma cidade antiga ao sul de Madrid, caracterizada por um contraste entre a beleza histórica e a degradação moderna.
- Simbolismo: O parque, local das violações, reflete a decadência social.
- Geografia da Memória: Madrid e Bilbao funcionam como espaços de referência para o passado dos protagonistas.
Tempo e Cronologia
O romance transcorre durante um ano escolar na década de 90. Contudo, a cronologia é complexa:
- Tempo Externo: Abrange o período entre o assassinato de Fátima e o final do curso.
- Tempo Interno: Não segue uma ordem linear. O uso de in medias res e constantes saltos temporais (flashbacks) exige esforço do leitor para organizar os fatos.
Ponto de Vista
O narrador adota o ponto de vista de personagens específicos, adaptando sua linguagem e percepção. Os protagonistas — o inspetor, o assassino e Susana Grey — são complementados por figuras secundárias que oferecem perspectivas morais e sociais distintas sobre os eventos narrados.