A Análise Histórica: Do Positivismo à História-Problema
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Capítulo 4 – A Análise Histórica
Ranke: “O historiador se propõe a descrever as coisas tal como se passaram”.
Heródoto: “Contar o que aconteceu”.
- O historiador é convidado a se apagar perante os fatos.
- Dois problemas:
- a) A imparcialidade histórica;
- b) A história como tentativa de reproduzir ou como tentativa de análise.
“O historiador sempre há de selecionar os fatos de acordo com sua perspectiva”.
“A ciência só decompõe o real para melhorar ou poder observá-lo”.
“Toda análise exige uma linguagem capaz de desenhar com precisão os contornos dos fatos”.
Foi em vão que o positivismo pretendeu eliminar da ciência a ideia de causa.
“A história não é uma acumulação de comentários. A história não é acumulação de acontecimentos de todas as espécies que se verificaram no passado. É a ciência das sociedades humanas”.
Isso não reduziria a participação individual dos cidadãos?
Conclusão
- Dar ênfase à crítica dos documentos.
- Defende a “história-problema”.
- Critica a história passiva e conservadora ligada à elite.
Capítulo 4 – A Análise Histórica (p. 125)
- Descrever os fatos; contar o que aconteceu; ofuscar-se diante do ocorrido; imparcialidade; passividade diante do fenômeno. Positivismo.
“Por muito tempo o historiador passou por uma espécie de juiz dos infernos, encarregado de distribuir o elogio ou o vitupério aos heróis mortos” (p. 125).
“Quem difere de nós passa, quase necessariamente, por mau” (p. 128).
“Assim como todo cientista, como todo cérebro que, simplesmente, percebe, o historiador escolhe e tria. Em uma palavra, analisa” (p. 128).
“Resulta daí necessariamente que compreenderemos sempre melhor um fato humano, qualquer que seja, se já possuirmos a compreensão de outros fatos do mesmo gênero” (p. 129).
“Os fenômenos humanos se orientam, antes de tudo, por cadeias de fenômenos semelhantes. Classificá-los por gênero é, portanto, desvelar linhas de força de uma eficácia capital. Mas, exclamarão alguns, as linhas que você estabelece entre os diversos modos da atividade humana estão apenas em seu espírito; não estão na realidade, onde tudo se confunde. Você usa, portanto, de abstração [...] nenhuma ciência seria capaz de prescindir da abstração” (p. 130).
“Um nome abstrato jamais representa senão um rótulo de classificação. Tudo o que se tem direito de exigir dele é que agrupe os fatos segundo uma ordem útil para seu conhecimento” (p. 130).
“A ciência decompõe o real apenas a fim de melhor observá-lo” (p. 131).
“A paisagem como unidade existe apenas em minha consciência” (p. 132).
“O único ser de carne e osso é o homem, que reúne ao mesmo tempo várias dimensões” (p. 132).
“Para resumir, o vocabulário dos documentos não é, a seu modo, nada mais que um testemunho [...] portanto, sujeito à crítica” (p. 142).
“Uma nomenclatura imposta ao passado acarretará sempre uma deformação [...] Não há outra atitude razoável a tomar em relação a esses rótulos senão eliminá-los” (p. 145).
“Capitalismo foi uma palavra útil [...] Por ora, transportada, incautamente, através das civilizações as mais diversas, acaba, quase fatalmente, por mascarar suas originalidades” (p. 145).
“Ele estende, restringe, deforma despoticamente as significações, sem advertir o leitor, sem nem sempre ele próprio se dar conta” (p. 146).
“Nas historiografias que herdamos, a História era, antes de tudo, uma crônica de líderes” (p. 147).
“Na confusão de nossas classificações cronológicas, uma moda insinuou-se, bem recente [...] com naturalidade, contamos por séculos” (p. 149).
“Em suma, parece que distribuímos, segundo um rigoroso ritmo pendular, arbitrariamente escolhido, realidades às quais essa regularidade é completamente estranha” (p. 150).
“Os homens que nasceram num mesmo ambiente social, em datas próximas, sofrem necessariamente, em particular em seu período de formação, influências análogas [...] Essa comunidade de marca, oriunda de uma comunidade de época, faz uma geração” (p. 151).
“Quando falamos desta ou daquela geração [...] evocamos uma imagem complexa, às vezes não sem discordância, mas da qual é natural reter antes de tudo os elementos verdadeiramente orientadores” (p. 151).
“Quanto à periodicidade das gerações, é evidente que, a despeito dos devaneios pitagóricos de certos autores, nada tem de regular” (p. 152).
“Mas uma geração representa apenas uma fase relativamente curta. As fases mais longas chamam-se civilizações” (p. 152).
“Reconhecemos que em uma sociedade, seja qual for, tudo se liga e controla mutuamente: a estrutura política e social, a economia, as crenças” (p. 152).
“O tempo humano, em resumo, permanecerá sempre rebelde tanto à implacável uniformidade como ao seccionamento rígido do tempo do relógio. Faltam-lhe medidas adequadas à variabilidade de seu ritmo [...]” (p. 153).