Análise do Jantar no Hotel Central em Os Maias

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Neste jantar, desfilam as principais figuras, proporcionando a Carlos um primeiro contacto com o meio social lisboeta. O evento pretende homenagear o banqueiro J. Cohen, apresentar a visão crítica de alguns problemas e proporcionar a Carlos o primeiro vislumbre de Maria Eduarda.

Debates Literários e Ideológicos

Discute-se, neste jantar, a Literatura e a crítica literária. Tomás de Alencar, opositor do realismo/naturalismo, revela incoerência ao condenar no presente o que cantara no passado. Refugia-se na moral por falta de argumentos, considerando o realismo/naturalismo imoral. É um homem desfasado do seu tempo, que defende a crítica literária de natureza académica. Alencar opõe-se a João da Ega, defensor da escola realista/naturalista, que exagera ao defender o cientificismo na literatura, sem distinguir ciência de arte.

Nesta discussão, Carlos e Craft recusam simultaneamente o ultra-romantismo de Alencar e o exagero de Ega. Craft defende a arte como idealização do que há de melhor na natureza, a chamada "arte pela arte". O narrador concorda com ambos.

Finanças, História e Política

As finanças são um tema central: o país depende de empréstimos estrangeiros. Cohen demonstra o seu calculismo cínico ao afirmar que o país caminha para a bancarrota. A história e a política também são debatidas por Ega e Alencar. Ega aplaude as afirmações de Cohen, defendendo uma catástrofe nacional como forma de despertar o país, criticando a covardia da raça portuguesa. Alencar, por sua vez, teme a invasão espanhola e defende o romantismo político.

Conclusão e Crítica Social

Deste jantar sobressai a falta de personalidade de Ega e Alencar, que mudam de opinião conforme a conveniência de Cohen, e a covardia de Dâmaso. Evidencia-se a falta de cultura e civismo das classes destacadas, com exceção de Carlos e Craft.

  • Jantar de homenagem a Cohen (o banqueiro) no Hotel Central;
  • Carlos cruza-se com uma bela desconhecida à entrada;
  • Apresentação de personagens-tipo: Alencar (poeta ultra-romântico), Craft (inglês residente em Portugal) e Dâmaso Salcede (o novo-rico);
  • O jantar termina com uma briga;
  • Em casa, Carlos recorda o passado familiar e adormece, evocando a mulher que o impressionou.

Comentário: Intriga e Crónica de Costumes

Este é um dos capítulos mais importantes, pois cruza a intriga e a crónica de costumes.

A Intriga

  • Presságios: Ega prevê que Carlos terá um fim trágico;
  • A mulher misteriosa é descrita como uma "deusa";
  • O sonho de Carlos no final do capítulo é premonitório.

A Crónica de Costumes

  • O comportamento e a linguagem inadequados da alta burguesia lisboeta;
  • A oposição entre o Ultra-Romantismo (Alencar) e o Realismo/Naturalismo (Ega);
  • Espaço social: O Hotel Central como palco da galeria de tipos sociais.

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