Análise da Linguagem Poética e Estilo de Machado
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3) Outros meios de expressão e poesia
A) Léxico
- Temas de declínio: Sentimento de velhice, tristeza, morte e intuição aguda. Incentivo ao uso de palavras que remetem ao declínio de seres e coisas.
- Vocabulário emocional: Palavras que traduzem angústia, tédio, juventude e melancolia.
- Cromatismo: Tons sombrios, cinza, preto, empoeirado; cores da ansiedade e do tédio. Sensibilidade à luz do dia e seus matizes.
- O tempo: Tema fundamental que utiliza um vocabulário específico, frequentemente associado aos advérbios "hoje" e "ontem".
- Dualidade: Alternância entre sonho e realidade.
- Misticismo: Atenção à alma, ao mundo espiritual, sobrenatural ou fantástico, com léxico obsessivo.
- Recursos estilísticos: Uso variado de adjetivos, epítetos e sinestesia.
B) Procedimentos estilísticos e expressivos
- Humanização e personificação: Objetos que se comunicam com o ambiente ou visão dupla de paisagens e pessoas.
- Expressividade: Uso de exclamações para traduzir emoções, frequentemente acompanhadas pelo estilo nominal.
- Questionamento: Uso de perguntas diretas sobre temas existenciais e poemas satíricos.
- Estrutura: Presença de monólogos, diálogos e gosto pela suspensão ou relutância.
C) Métrica
- Medidas: Uso predominante de octossílabos e pentâmetros, combinados com heptassílabos.
- Formas fixas: Sonetos, quadras, modernismo, formas de tradição popular, como a soleá e o romance.
Linguagem Poética
1) Poesia e Filosofia
Machado sempre observou a relação entre o poético e o filosófico. Enquanto o filósofo trabalha com o pensamento lógico e busca a essência (tentando abolir o tempo), o poeta trabalha com a intuição e a subjetividade, vivendo o tempo em sua própria vida. A poesia, para Machado, é a expressão atemporal dos sentimentos do coração, uma colaboração subjetiva onde o poeta, ao olhar para sua alma, encontra o sentimento universal.
2) O Símbolo
Os símbolos em sua obra podem ser monossêmicos (ex: a vida como jornada, a estrada como destino, galerias interiores como labirintos da alma) ou polissêmicos. A poesia de Machado marca uma transição do objetivismo racionalista para o subjetivismo irracional, onde as palavras criam associações emocionais. Em obras como Campos de Castilla, destacam-se símbolos recorrentes como o espelho, o sonho, o mar, a luz e, principalmente, a sombra.