Análise Literária: O Amor e a Morte no Romanceiro
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Análise do Romance: O Amor e a Morte
Estrutura Interna: Podemos dividir o romance em três momentos. Primeiro, a situação inicial e a chegada da morte. Lá, inclui-se o primeiro diálogo entre o Amor e a Morte; este é o seu único encontro e onde o seu destino é avisado: que lhe resta apenas uma hora de vida. No segundo momento, ocorre a luta pela vida; o Amor tenta evitar a morte ou apenas quer viver a vida pela última vez da melhor maneira. Finalmente, o terceiro momento é a segunda aparição da morte, o fim do período de amor.
Pela primeira vez, o romance começa com versos que repetem sons, ou seja, a aliteração. Repetem-se os sons "N" e "S". Esta parte pode ser interpretada de duas formas: primeiro, o Amor estava sonhando, acordou e encontrou a morte (ou seja, o que aconteceu foi real); ou então, o Amor estava sonhando e o sonho acontece em toda a história, sendo tudo um sonho. As fronteiras entre a realidade e os sonhos não são claras.
O texto apresenta uma localização temporal: a noite passada. Sabemos que a cena ocorre em um ambiente fechado, talvez com portas e janelas trancadas.
A primeira coisa que acontece ao Amor, ao ver a Morte, é pensar que se trata do seu amor (sua amada). Sabemos que ele confunde a Morte com sua amada por causa da forma como ela se apresenta e por suas características físicas, como a brancura. Mas essa não é a única propriedade dada à Morte; ela também é rigorosa, um sinal marcante.
A Morte não é apenas branca, mas de um branco muito frio, como a neve. O elemento comparativo utilizado é "mais". O autor usa uma tautologia, isto é, um adjetivo que está implícito no substantivo, como a frieza da neve. Por ser confundida com a amada, podemos deduzir que esta também é branca. Esta associação pode ser entendida como palidez ou falta de vida. Assim como o calor se associa à vida, a morte é fria.
À Morte são aplicadas qualidades humanas, fugindo da imagem usual. Ela é branca e silenciosa, e não como sempre imaginamos: preta, pobre, etc.
Além disso, ela possui a capacidade sobrenatural de entrar por portas e janelas fechadas, agindo como um ser sobrenatural antes mesmo de se identificar como a Morte.
Quando o amante chama a Morte de "meu amor" e "minha vida", ele mostra a associação entre o amor e a vida. Mas, ao contrário, ela aparece como uma enviada de Deus, que vem cumprir o destino do Amor com o mandato divino. A morte é rigorosa porque o próprio destino é rigoroso. Ao conceder apenas mais uma hora de vida, o destino do Amor é viver esse curto tempo. A vida e a morte do Amor estão predestinadas; o romance segue a concepção religiosa da predestinação.
Utiliza-se mais tarde uma anáfora: "Abra a porta". Isso enfatiza a ideia de desespero e a pressa do amante. Ele chama sua amada de "branca", reforçando o motivo da confusão anterior. O Amor e a amada parecem ter um segredo; ela não pode abrir a porta por causa de seus pais. O Amor realmente acredita nisso, salientando que, junto com ela, "a vida seria".
A amada orienta o Amor a subir pela janela onde ela tece e costura. Assim, sabemos que o Amor está sobre a casa. Enfim, o Amor faz de tudo e não acredita que ela não abra a porta. Ela também oferece um pouco do seu próprio corpo (seu cabelo) para tentar salvar a vida dele.
O cordão que ela solta simboliza a ligação entre eles. Sendo de seda, mostra uma união frágil. Outra interpretação seria que o laço uniria o Amor à vida. O cordão de seda é muito frágil, representando a fragilidade de sua própria existência.
Outra ideia interessante é que o ato de tecer está relacionado ao símbolo do destino. Na Grécia Antiga, acreditava-se nas três Parcas ou Moiras, cujo ofício era tecer as vidas. A vida de cada pessoa era um tecido das Moiras: uma fiava, outra tecia e a última, na hora da morte, cortava o fio.
O final é truncado, deixando o desfecho em aberto. Quando todo o amor está para morrer, nada especificamente é indicado.
Os grandes temas do romance são o amor, a morte e a luta entre a vida e a morte. O título é epônimo, indicando dois personagens emblemáticos e os elementos que ultrapassam a história, como as questões existenciais de amor e finitude.