Análise Literária: A um Olmo Seco de Antonio Machado
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Métrica
Este poema é composto por trinta versos de arte maior e menor (hendecassílabos e heptassílabos). Embora pareça não seguir regras, trata-se de uma silva, modelo clássico que permite versos soltos. A rima é predominantemente consoante, com pelo menos um verso branco. Apresenta encadeamento nos versos 13-14, 15-16 e 21-22, além de sobreposição (encavalgamento) entre os versos 5-6, 16-17, 24-25 e 28-29.
Descrição
O poema oferece uma descrição sensível e pungente de um olmo velho, cuja vida ressurge com a chegada da primavera.
Temática
Devido ao seu amor pela terra de Castela, o autor utiliza a descrição de um olmo às margens do rio Douro para evocar a paisagem castelhana. O texto transmite a sentença de uma árvore moribunda, ameaçada pelo clima e pelo homem, mas que traz um lampejo de esperança através do surgimento de novas folhas.
Estrutura
O poema divide-se em três partes:
- Primeira parte (até o verso 14): Visão geral do estado da árvore, sua situação, ambiente e o surgimento das novas folhas na primavera, comparando-a com outras espécies, como o choupo.
- Segunda parte (até o verso 27): O poeta expressa o desejo de deixar um registro escrito do aparecimento dessas folhas em meio à decadência.
- Terceira parte (três últimos versos): Expressa um desejo de esperança.
Análise de Fundo
Antonio Machado, um homem reflexivo e solitário, compôs este poema possivelmente durante suas caminhadas pela paisagem castelhana. O olmo é descrito com simplicidade, servindo como metáfora para a existência humana, a passagem do tempo e a morte — possivelmente influenciado pela perda de sua esposa, Leonor.
Sob a aparência de uma descrição poética, o poema compara a vida humana à árvore: a exuberância da juventude, a maturidade e a deterioração com o passar dos anos. Contudo, o foco central reside na esperança do renascimento, simbolizada pelas folhas verdes, sugerindo que, quando morremos, outros ocupam o nosso lugar na humanidade.