Análise Literária da Rima LIII de Gustavo Adolfo Bécquer
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Análise da Rima LIII: "Voltaram as andorinhas escuras"
Tema: O amor como experiência completa e única. É uma poesia melancólica que expressa o sofrimento de Bécquer.
Estrutura das Estrofes:
- Primeira estrofe: Refere-se ao retorno das andorinhas, mas a segunda estrofe contrasta que nada será como antes.
- Terceira estrofe: A madressilva florescerá novamente no jardim, mas a quarta estrofe contrasta que as gotas de orvalho não serão as mesmas.
- Quinta estrofe: Sugere que ela (a pessoa amada) poderá se apaixonar novamente, mas a sexta estrofe contrasta que o amor nunca será tão intenso quanto o que o poeta sentia.
Podemos dividir o texto em três partes de duas estrofes cada, onde o primeiro verso de cada parte aborda o futuro e o segundo verso é marcado por uma reflexão sobre o passado. A primeira parte trata das andorinhas, a segunda da madressilva e a terceira, a mais importante, trata do amor.
Aspectos Fonéticos e Estruturais
O poema é composto por seis estrofes, divididas em três partes. Cada estrofe possui quatro versos: os três primeiros são hendecassílabos (arte maior) e o último é um heptassílabo (arte menor). Apresenta rima assonante (aguda, A) nos versos pares. O segundo verso de cada estrofe rima em -ar, e o quarto em -a, exceto na quinta estrofe.
Aspectos Morfológicos e Estilísticos
A obra é uma elaboração baseada em paralelismo e antítese:
- Primeira estrofe: Encontramos hipérbato nos versos 1 e 2, o epíteto "andorinhas escuras" e um encadeamento (enjambement). Os verbos estão no futuro.
- Segunda estrofe: Hipérbato, encadeamento e personificação. Os verbos estão conjugados no passado.
- Terceira estrofe: Epíteto "madressilva espessa" e verbos no futuro.
- Quarta estrofe: Hipérbole no verso 13, comparação no verso 15 (comparando o orvalho às lágrimas do dia) e verbos que transitam entre o presente e o passado.
- Quinta estrofe: Metáfora no verso 18 ("palavras quentes") e verbos no presente e futuro.
- Sexta estrofe: Anáfora nos versos 22 e 23 ("como o amor... como eu vos amei"), metáfora de Deus no verso 21 e verbos no presente e passado.
Bécquer utiliza as duas primeiras partes para transmitir o significado do amor através de comparações com a natureza, enquanto a terceira parte foca na essência do sentimento amoroso.