Análise de Os Maias, Sermão aos Peixes e Cesário Verde
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Os Maias - Crónica de Costumes
Os Maias - Crónica de Costumes: A crónica de costumes é constituída por uma série de episódios onde se critica a sociedade portuguesa, mais especificamente a burguesia lisboeta da segunda metade do século XIX, nos mais variados domínios: social, histórico, político, económico-financeiro, educacional, cultural, artístico e literário.
Episódios da Crónica de Costumes
Jantar no Hotel Central: (Cap. VI) O jantar no Hotel Central, integrado no capítulo VI, insere-se na ação principal e, deste modo, identifica-se como um episódio da crónica de costumes.
Marcado pelo aparecimento de uma admirável mulher (Maria Eduarda) que despertou em Carlos grande interesse. Foi para este o primeiro jantar de apresentação à sociedade lisboeta. Deste modo, deram entrada as principais figuras e os principais problemas da vida política, social e cultural da alta sociedade lisboeta.
Temas tratados: A literatura e a crítica literária (Naturalismo/Realismo vs. Ultrarromantismo), finanças (bancarrota) e história política.
A Intriga Principal e o Jantar nos Gouvarinho
Intriga principal: É a relação incestuosa entre Carlos da Maia e Maria Eduarda, que se desenvolve a par com a crónica de costumes, de maneira a “integrar” ambos na sociedade portuguesa.
Relação entre o capítulo e a intriga principal: É a declaração de Carlos a Maria Eduarda, ou seja, a consumação do incesto (inconsciente).
Jantar na casa dos Gouvarinho:
Reflexões críticas e temas abordados: Literatura, crítica literária, finanças, atraso intelectual do País, educação, decadência e corrupção do jornalismo português, gosto convencional, provincianismo snob e falta de espírito crítico da sociedade lisboeta.
Ambiente marcado pela futilidade e ociosidade da alta burguesia e aristocracia lisboeta; apresenta uma visão crítica relativamente à mediocridade, ignorância e superficialidade da elite social lisboeta, em geral, e à incapacidade da classe política dirigente, em particular, onde sobressai Ega, com a sua veia mordaz e impiedosa.
Durante o jantar, os grandes temas de conversa são:
- A educação das mulheres: Ega afirma que “A mulher só devia ter duas prendas: cozinhar bem e amar bem”. Ao dizer isto, está a desprezar as capacidades das mulheres;
- O atraso intelectual: A falta de cultura dos indivíduos que detêm cargos na esfera social do poder e, consequentemente, do país;
- O deslumbramento pelo estrangeiro.
Objetivos do Jantar dos Gouvarinho:
- Reunir a alta burguesia e aristocracia;
- Reunir a camada dirigente do País;
- Radiografar a ignorância das classes dirigentes.
Comparação de Modelos Educativos
Educação à Inglesa: CARLOS | Educação Tradicional: EUSEBIOZINHO |
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O Jornalismo e o Sarau da Trindade
Corneta do Diabo e Jornal da Tarde (Cap. XV): Elemento da tragédia: peripécia.
Resumo Corneta do Diabo: Carlos recebe carta de Ega; Ega informa Carlos sobre a Corneta do Diabo, jornal de escândalos; aparece um artigo sobre a relação de Carlos e Maria Eduarda; Carlos e Ega compram a tiragem do artigo; Palma revela o nome do autor da carta (Dâmaso); Palma aceitou publicar o artigo que Dâmaso encomendou em troca de 100 mil réis.
Crítica: Decadência do jornalismo português: corrupto, desprovido de ética, sensacionalista e movido por interesses políticos e económicos.
Resumo Jornal d'A Tarde: Ega e Cruges vão a casa de Dâmaso; Ega confronta-o com duas hipóteses para compensar a carta da Corneta do Diabo; Dâmaso assina a carta em que se declara bêbedo; após algumas hesitações, Ega decide publicar a carta no jornal A Tarde; o editor Neves recusa a publicação por ter confundido Dâmaso Salcede com o político Dâmaso Guedes; publicação da carta na primeira página da edição seguinte.
Sarau da Trindade:
Objetivos: Ajudar as vítimas das inundações do Ribatejo; apresentar um tema querido da sociedade lisboeta: a oratória; criticar o Ultrarromantismo que encharcava o público; reunir novamente as várias camadas das classes mais destacadas, incluindo a família real; proporcionar um contraste entre um clima de festa e um clima de tragédia.
- Espaço físico: Teatro da Trindade.
- Espaço social: Alta sociedade lisboeta analisada através de tipos sociais.
- Caracterização da sociedade: Inculta, estática e superficial, deformada pelos excessos e lugares-comuns do Ultrarromantismo.
Frei Luís de Sousa: Diálogo entre Telmo e Romeiro, 3º ato, cena V.
Sermão de Santo António aos Peixes
Louvores:
- Peixe Tobias: O fel sara a cegueira; o coração expulsa os demónios;
- Rémora: Tão pequeno no corpo e tão grande na força e no poder;
- Torpedo: Descarga elétrica que faz tremer o braço do pescador;
- Quatro-olhos: Dois olhos voltados para cima para se vigiarem das aves; dois olhos voltados para baixo para se vigiarem dos peixes.
Repreensões:
- Roncadores: Embora pequenos, roncam muito (simbolizam a arrogância e a soberba);
- Pegadores: Sendo pequenos, pregam-se nos maiores não os largando mais (simbolizam o parasitismo);
- Voadores: Sendo peixes, também se metem a ser aves (simbolizam a vaidade e a ambição);
- Polvo: Com aparência de santo, é o maior traidor do mar (simboliza a traição).
Cesário Verde
Cesário Verde: A sua poesia é marcada por um lirismo não amoroso, uma visão não idealizada, um eu lírico a discorrer sobre o quotidiano de forma realista e objetiva, mas não fria, e sim em caloroso tom pessoal e subjetivo.
Origem do Impressionismo: Edmond e Jules de Goncourt; realidade quotidiana; linguagem imperfeita; é narrada segundo o ponto de vista do herói-autor.
Características: Emoções, sentimentos, cor, incidentes, tons, descrição da paisagem, emoções da alma e a busca do tempo perdido.
- Mulher do campo: Pobre, simples e angelical.
- Mulher da cidade: Fatal, fria, bela, distante, ativa, sem sentimentos e calculista.
Campo: Oposição à cidade, associado à vitalidade, alegria do trabalho produtivo e útil; está ligado à fertilidade, saúde e liberdade — vida. É a força inspiradora de Cesário Verde (terra-mãe). Anima e revitaliza as pessoas, símbolo de vitalidade e força; não procura o convencionalismo idílico, mas sim a natureza. É o refúgio durante a peste na cidade.
Cidade: Ausência de amor e, consequentemente, de vida; prisão que desperta na pessoa a morte, doenças, infeções; símbolo da opressão, injustiça e industrialização. Ponto de partida para evocações e devagações; ponto energético com população bastante ativa, onde a miséria era visível; predominância do grotesco.