Análise da Obra Mensagem de Fernando Pessoa
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A Mensagem
“O mito é o nada que é tudo”
- Lenda
- Ficção
- Fantasia
- Imaginação
O tudo partiu sempre do nada (de uma lenda, de uma história, de um sonho…). Do sonho é que se concretiza tudo. O sonho é o tudo.
SONHO (= Loucura)

Ulisses
Rei lendário de Ítaca, esposo de Penélope e pai de Telêmaco. Foi um dos principais heróis do cerco de Troia, sendo por seu conselho que se construiu o cavalo de Troia.
A Odisseia de Homero retrata o regresso de Ulisses à pátria. Reza a lenda que Ulisses, nas suas viagens marítimas, veio ao território ibérico do litoral do Atlântico e fundou no Tejo uma cidade, Ulissipo, hoje Lisboa. Por este facto, Ulisses é considerado o pai mítico e lendário dos portugueses, que terão herdado dele a predestinação para as aventuras marítimas. Ao recuperar esta lenda e ao elegê-la como um dos primeiros poemas de Mensagem, Fernando Pessoa, que sempre acreditou na força espiritual do mito, pretende atribuir a Portugal uma origem mítica, mais valiosa que qualquer origem histórica.
A Mensagem
A unidade do poema é constituída a partir de valores simbólicos que integram o passado transfigurado em mito e a inversão de um futuro profético e messiânico. A estrutura de Mensagem transfigura e repete a história de uma pátria como o mito de um nascimento, crescimento e morte da nação portuguesa, morte essa que será seguida de um renascimento. Surge a ideia de uma pátria predestinada a grandes realizações, impregnadas de idealismo, na medida em que se trata da criação de um império espiritual e em que a ideia condutora é o mito (D. Sebastião), a quimera, o sonho. Portanto, a ideia que Pessoa tenta transmitir na obra é a de que os feitos do passado deverão servir de modelo para o futuro.
Estrutura
Estrutura tripartida simbólica:
- Brasão – o nascimento da nação.
- Mar Português – crescimento / realização marítima da nação.
- O Encoberto – morte e declínio da nação (D. Sebastião).
MAS… esperança num ressurgimento:
- D. Sebastião
- “O Messias”
- “O Desejado”
Brasão
Nesta parte, assistimos ao desfile de personalidades e à referência a vários momentos da nossa história diretamente relacionados com o princípio da nacionalidade, nomeadamente no que diz respeito à conquista de territórios, formação e consolidação dos reinos.
Mar Português
Aqui deparamo-nos com a realização da pátria através do mar, desfilando heróis empossados da grande missão de descobrir e dar novos mundos ao mundo, levando à glória nacional.
O Encoberto
Finalmente, faz-se referência à morte e decadência da pátria devido à perda da nacionalidade (1580), embora um novo ciclo se anuncie, ciclo esse que trata o brilho e a grandiosidade perdidos após os descobrimentos. Será a construção do Quinto Império pela mão de um desejado, um messias imbuído do mesmo espírito de D. Sebastião: forte, lutador, sonhador (louco) e destemido.
Lusíadas vs. Mensagem
| Lusíadas | Mensagem |
|---|---|
| Obra poética: relato dos feitos heroicos. | Obra épico-lírica: tomar os heróis e feitos da nossa história como um exemplo a seguir. |
| Construção de um Império territorial. | Construção de um império espiritual (Quinto Império). |
| PASSADO (já aconteceu) | FUTURO (ainda por acontecer) |
| - | SONHO (= loucura) = lenda = mito |
| Perda da independência e da identidade nacional (MORTE). | Esperança na ressurreição / ressurgimento de um país glorioso e grandioso. |
| - | “O mito é o nada que é tudo” |