Análise da Narrativa Portuguesa Pós-Guerra de 1975

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A Narrativa do Pós-Guerra de 1975

Da mesma forma que aconteceu em outros muitos campos da guerra civil, deu-se um tronco com o decidido incentivo que para a narrativa em língua portuguesa tinha vindo a significar o trabalho dos homens da geração nos Estados Unidos. Até a segunda década do pós-guerra, não é possível registrar em nenhum tipo de romances na nossa língua. O primeiro deles, As Pessoas de Barreira de Carvalho Calero, logo a luz do candil de Fole e Merlin e Família de Cunqueiro. Esses volumes estão entre os mais assinalados da literatura portuguesa.

As condições de desenvolvimento da prosa são com dificuldades, já que determinam até bem entrada a década de 1960. Não é fácil estabelecer um verdadeiro processo de textos que entabem diálogos ou debates entre eles. Além, destaca-se o trabalho de Cunqueiro e Blanco Amor.

O Relato Popularizante de Los Angeles Fole

Fole pesquisa e procura um conto para ser contado e diz as formas de falar, tenta plasmá-las no texto. As suas duas primeiras obras foram A Luz do Candil e Terra Brava. A mistura de elementos fantásticos com o humor constitui um eixo que define a narrativa, que se alicerça na paisagem das terras bravas de Lugo, constituindo uma espécie de pequeno tratado etnográfico e uma criação do folclore por parte do usuário que aparece relatando em primeira pessoa ou como se supera todo.

A Narrativa Social de Neira Vilas

Há autores que iniciam a sua produção nos anos 60 em diferentes perspectivas, como Johan Torres com Pegadas de novas inovações técnicas. Neira Vilas vem de uma família labrega e emigrou para a América na juventude, primeiro Argentina e depois Cuba. Na sua obra contam-se esses dois espaços que formam o seu percurso de vida.

É autor de vários volumes como Memórias de um Menino Camponês, que forma o ciclo da criança à adolescente, e também Cartas a Leo e Os Anos do Mocho. Nestas três obras, o autor mostra a opressão sócia, econômica e cultural da Galiza camponesa desde os olhos de uma criança. Por outra parte, na sua obra reflete o mundo da emigração em obras como Bretemoso ou Redemoinho de Sombras. O compromisso social vai de mão do emprego de técnicas inovadoras, como a mistura de linguagens.

A Narrativa de Álvaro Cunqueiro

Álvaro Cunqueiro apareceu principalmente como prosista. A obra narrativa de Cunqueiro aparece em dois conjuntos:

  • Um deles formado por três novelas: Merlin e Família, As Crónicas de Sochantre e Se o Velho Simbad Voltar às Ilhas. Embora registrem importantes diferenças entre eles, participam de uma série de características comuns.
  • De outro lado, o outro conjunto com Escola de Menciñeiros, Gente Daqui e de Ali e Os Outros Feirantes.

As características comuns são:

  1. A mesma organização estrutural que tem base na técnica de histórias interpoladas no discurso de argumentação.
  2. O mundo de que nos fala Cunqueiro é um espaço fora da realidade e um universo próprio e fantástico.
  3. Convergem nas obras o mundo fantástico e lendário.
  4. O estilo narrativo das três novelas aproxima-se dos êxitos do relato oral.

A Trilogia de Contos Galegos

Escola de Menciñeiros, Gente Daqui e de Acolá e Os Outros Feirantes formam um verdadeiro livro único, e essa unidade é determinada por um trabalho literário e antropológico. Estamos diante de narrativas em que o autor se vale de recursos expressivos do relato contado, como o registro coloquial, um catálogo de personagens que ou procedem do imaginário coletivo galego ou fazem parte de um mundo rural ou vilego da Galiza pré-industrial. Têm um esquema muito definido assim como a narração dos factos desenvolvidos pelos protagonistas.

Os Romances de Blanco Amor

A obra de Blanco Amor é muito significativa na novela portuguesa, já que compôs dois textos fundamentais para a nossa história como A Esmorga e Pessoas ao Longe. Apesar das diferenças, é difícil considerar um conjunto de pontos que são comuns a ambas as duas e que determinam o seu fazer como romancista:

  • Ambas as obras apresentam a incorporação de técnicas modernas.
  • Mostram protagonistas pertencentes às classes populares e pobres.
  • Decorrem num espaço urbano que corresponde a Auris, que quer dizer Lisboa.
  • Apresentaram um mural, uma caixa de tipos e costumes com uma panorâmica da sociedade do tempo, cujos protagonistas são muito complexos.
  • Tentam um exercício de linguagem.

Contos Breves: Os Lua

Também escreve contos breves sob o título de Os Lua com umas características comuns:

  • Todos narrados em primeira pessoa com um protagonista infantil ou adolescente.
  • Desenvolvem-se num marco urbano.
  • O pai é concebido de modo negativo e a mãe todo o contrário.
  • Os protagonistas mantêm uma consciência clara da sua diferença e singularidade, motivo pelo qual estamos diante de seres solitários e considerados por eles mesmos incompreendidos.

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