Análise de Obras e Técnicas Cinematográficas

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Citizen Kane - Orson Welles

Estrutura polifónica (vários personagens a falar da mesma coisa: Rosebud).

Longa-metragem que utiliza o jogo de luz e sombras para revelar expressões, sentimentos e características do protagonista. A iluminação reduzida, que oculta parcialmente o rosto do ator, remete aos clássicos filmes de detetives.

A utilização de grandes planos marcou a época devido às inovações na técnica narrativa e nos enquadramentos.

Rosebud: É a marca do trenó da sua infância, o seu lugar íntimo e especial. Representa a perda da ingenuidade, o abandono pela mãe e a interrupção da sua vida e infância.

Globo de neve: Aparece na mão de Welles no início do filme, prefigurando o flashback do seu abandono. Simboliza o momento em que Kane perde o rumo da sua vida.

Em toda a sua vida recheada de luxo, Kane não passa de uma pessoa vazia e incompleta.

A cena final é a principal do filme: Kane está no seu fim, assim como os seus objetos particulares. O seu "Rosebud" é extinto com a personagem, levando tudo o que era importante para o esquecimento.

O filme não segue uma ordem linear; a vida de Kane desdobra-se em sobreposição de segmentos que agregam informação à medida que o narrador acrescenta a sua história.

A história é construída através de flashbacks sob a perspetiva de outras personagens que envelhecem ou esquecem detalhes, tornando os narradores pouco confiáveis.

As técnicas narrativas sobre Charles Kane são executadas com sucesso, criando um enigma sobre um homem torturado que deixa os espetadores com mais perguntas do que respostas.

O Triunfo da Vontade - Leni Riefenstahl

Filme de propaganda por excelência, impõe a imagem com dois objetivos: a glorificação do partido nazi e a deificação de Adolf Hitler.

Expressa artisticamente uma conceção heroica de vida. Riefenstahl utiliza o aspeto heroico nas imagens, na trilha sonora e na sua combinação. Isto é visível na abertura, com Hitler contra o sol, nos festivais, nos movimentos coreografados de soldados e na onipresença de bandeiras.

A Alemanha é vista como um país de heróis comandado por deuses. Os líderes apontam para si mesmos como a solução para a desordem pós-Primeira Guerra Mundial.

Leni Riefenstahl demonstra a unidade do povo alemão e a sua solidariedade ao partido nazi. Além do partido e de Hitler, não há personagens individuais, apenas a massa, com o objetivo de transmitir coesão e organização.

Os acontecimentos ocorrem como se a câmara simplesmente registasse a realidade, embora tudo seja rigorosamente construído. Cada plano ou montagem manifesta um ponto de vista específico.

Exemplo: a abertura, uma deificação com música celestial, onde uma câmara invisível filma o espírito de Hitler descendo das nuvens. O espírito divino assume então a forma humana: Adolf Hitler.

O Meu Tio da América - Alain Resnais

Explica a teoria sobre como o ambiente interfere na formação da personalidade. O Dr. Henri Laborit expõe o comportamento humano através de experimentações com ratos.

Os objetos de investigação são dois homens e uma mulher de origens sociais diferentes. Resnais foca-se na construção do imaginário e da memória para criar uma estrutura narrativa original.

Olympia - Leni Riefenstahl

Documentário de longa-metragem sobre os Jogos Olímpicos, utilizando ângulos pouco usuais, cortes, close-ups e travellings.

O filme foi feito como um hino à superioridade da raça ariana, comparando atletas alemães com participantes divinos dos antigos jogos olímpicos.

A Greve - Sergei Eisenstein

Rodado com base no projeto da "montagem de atrações", não utiliza atores famosos para preservar o caráter coletivo do herói: o povo.

Dá início ao cinema soviético com formas novas para um conteúdo novo. Filme experimental com ideias inovadoras.

Uso do contra-picado para efeito dramático e sobreposições de imagens que funcionam como metáforas visuais (ex: a comparação entre bois e operários). A cena do patrão a esmagar o limão enquanto a polícia carrega sobre os operários cria um choque entre imagens.

Não conta uma história linear, mas mostra uma ideia. Utiliza processos formais de grande inovação (montagem intelectual).

Encouraçado Potemkin - Sergei Eisenstein

Gira em torno de um libelo contra a opressão violenta do regime sobre o povo, estruturado em cinco atos:

  • Ato 1: Os homens e os vermes
  • Ato 2: O drama do castelo da popa
  • Ato 3: O sangue clama vingança
  • Ato 4: A escadaria de Odessa
  • Ato 5: A passagem da esquadra

A estrutura baseia-se numa reação dialética bipolar: a uma situação inicial de tensão sucede uma reação antitética. Utiliza montagem rítmica e grandes planos como elementos de tensão.

Outubro - Sergei Eisenstein

Filme oscilante entre a experimentação formal e a ideologia política. É uma obra desigual, mas apaixonante.

Utiliza a montagem intelectual (sequência dos deuses) e a montagem paralela. A montagem eisensteiniana é evidente na sequência dos relógios que se sincronizam com o tempo histórico de Moscovo.

O som é evocado através de imagens (canhões, metralhadoras, lustres). Eisenstein era obcecado pelo detalhe e pelo controlo total, evitando a estagnação criativa.

A Inglesa e o Duque - Eric Rohmer (Cinema e Pintura)

O filme é uma verdadeira pintura. Rohmer criou cenários digitais reproduzindo quadros, confundindo atores com a paisagem. Os diálogos representam o confronto entre um mundo que partia e um que surgia.

Um Americano em Paris - Vincente Minnelli (Cinema e Pintura)

Filme musical onde os cenários se baseiam em pinturas, utilizando cores vibrantes e uma estética visual apurada.

Playtime - Jacques Tati (Cinema e Arquitetura)

Tati construiu uma cidade cenográfica. O filme dispensa legendas, centrando a narrativa nas coreografias das personagens. O Sr. Hulot vê-se apanhado numa trama de avanços tecnológicos.

O Meu Tio - Jacques Tati

Contrasta dois mundos: um repleto de tecnologia de ponta e obsessão pela limpeza, e outro em ruínas, genuíno e fraterno. Critica a estética da modernidade, defendendo a necessidade da envolvência humana.

A Rapariga do Brinco de Pérola - Peter Webber

Uma jovem torna-se empregada doméstica de Vermeer. O pintor nota nela o poder das cores e da luz. O filme destaca-se pela transparência das cores e pela utilização brilhante da iluminação.

Bem Me Quer... Mal Me Quer - Laetitia Colombani

Utiliza a montagem alternada para mostrar situações simultâneas. O filme emprega elipses e montagem narrativa para conduzir a história.

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