Análise das Personagens do Jantar no Hotel Central
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Carlos da Maia
Apresenta-se pela primeira vez à sociedade; no entanto, distancia-se da conversa, comentando apenas alguns aspetos. Afirma-se como defensor das ideias românticas, criticando que “o mais intolerável no realismo eram os seus grandes ares científicos” (pág. 164), e revela-se patriota ao defender que “ninguém há de fugir, e há de se morrer bem” (pág. 169).
Craft
Eça identifica nesta personagem o “homem ideal”. Neste episódio, sabe-se apenas que é inglês, pressupondo-se que recebeu uma educação à inglesa (pág. 159). Tem pouca importância na ação e reage de forma “impassível” (pág. 160), contudo, apoia a resistência aos espanhóis ao concordar em organizar uma guerrilha com Ega (pág. 168).
Dâmaso Salcede
Representa os defeitos da sociedade: “Um rapaz baixote, gordo, frisado como um noivo da província, de camélia ao peito e gravata azul-celeste”.
Procura aparentar um “ar de bom senso e de finura” (pág. 169), sendo considerado provinciano e tacanho, com a única preocupação de ser “chique a valer”. Dá asas à sua vaidade, exibindo uma predileção pelo estrangeiro: “...é direitinho para Paris! Aquilo é que é terra! Isto aqui é um chiqueiro...” (pág. 158). Acompanha os movimentos de Carlos para imitá-lo e assumir um estatuto social respeitável (págs. 169 e 176).
Jacob Cohen
Representante das finanças, é o “respeitado diretor do Banco Nacional, marido da divina Raquel”. Homem de estatura baixa, “apurado, de olhos bonitos, suíças tão pretas e luzidias” (pág. 161) e com “bonitos dentes” (pág. 167). Neste jantar, conheceu Carlos e destacou a sua posição superior perante a sociedade.
João da Ega
A personagem que mais intervém no episódio do Hotel Central. Acérrimo defensor das ideias naturalistas/realistas, provocava o seu opositor, Alencar (pág. 163). Exagerado nos argumentos e na defesa das suas ideias revolucionárias (pág. 166), advoga que “à bancarrota seguia-se uma revolução” (pág. 166), beneficiando Portugal.
As posições de Ega espelham a Geração Revolucionária de Coimbra, traduzindo uma vontade insaciável de modificar Portugal.
Tomás de Alencar
Um “indivíduo muito alto, todo abotoado numa sobrecasaca preta, com uma face escaveirada, olhos encovados”, nariz curvado, bigodes compridos, “calvo na frente” (pág. 159), “dentes estragados” (pág. 161) e “testa lívida” (pág. 173).
“Camarada”, “inseparável” e “íntimo” de Pedro da Maia (pág. 159), o poeta possuía um ar “antiquado”, “artificial” e “lúgubre”. Considerado um “gentleman”, “generoso” (pág. 176) e um “patriota à antiga” (pág. 176).
Antes da literatura, teve uma vida “de adultérios, lubricidades e orgias” (pág. 163). Representa o típico poeta português, autor de Vozes de Aurora, Elvira e Segredo do Comendador. É o símbolo do Ultra-Romantismo, confrontado pelos princípios naturalistas/realistas de Ega.