Análise do Poema: A um Olmo Seco de Antonio Machado
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Análise Literária e Estilística
"Formigas exército rastreando em uma linha indo para ele..." É claro que este não é um exército de insetos real, mas uma comparação metafórica, pois são sempre encontrados juntos em grandes números e porque a sua organização, como a das abelhas, é perfeita, cada um sabendo o que fazer.
Além disso, estas linhas servem para indicar os únicos seres vivos que querem habitar o que restou: as formigas selvagens, que se alimentam de resíduos, e as aranhas, que "ordenam" suas teias na "coragem" (interior) da árvore podre.
Embora o eu lírico fale em terceira pessoa até o meio do poema, descrevendo o estado da árvore, ele passa a dirigir-se ao olmo como se este pudesse responder (recurso da apóstrofe). Assim, com este recurso, parece entender a alma de um vegetal; ao referir-se à árvore, ela perde um pouco do seu estado irracional, assemelhando-se a uma pessoa capaz de transmitir sensações ao leitor, como se fosse um velho prestes a morrer.
No restante do poema, excluindo os três últimos versos, nota-se a alteração da ordem normal da escrita (hipérbato), na qual o sujeito e o verbo costumam vir primeiro. Este recurso é utilizado para expor, antes do final, tudo o que de impossível pode acontecer ao seu estado. O uso do modo subjuntivo expressa a possibilidade, como se o eu lírico não soubesse realmente o que vai acontecer.
O início de cada um desses fatos é marcado pelo uso do advérbio "antes" como anáfora. Isso sugere que o eu lírico deseja expressar uma vontade antes que essas coisas ocorram, embora esse desejo só seja revelado ao final do poema, seguido por uma breve reflexão pessoal. O primeiro caso apresentado é:
"Antes que te derribe, olmo del Duero, / com seu machado o lenhador, e o carpinteiro / te converta em crina de sino, / lança de carro ou jugo de carroça;"
Ao alterar a ordem normal da sentença, o que aparece primeiro ao leitor é o verbo "derrubar", para que se perceba rapidamente as coisas terríveis que podem acontecer à pobre árvore, evocando o pathos da descrição. O carpinteiro poderá transformá-la em algo útil, mas não necessariamente belo, já que a madeira está em condições precárias. O poema lista instrumentos simples:
- Crina (jugo) de um sino: a estrutura de madeira usada para invertê-lo;
- Lança de carro: a vara de madeira usada para dirigir o conjunto;
- Jugo de vagões: instrumento para unir animais de trabalho.
Outro destino possível é acabar queimando em um fogo de chão. Com o advérbio "amanhã", utiliza-se a metonímia, pois não se refere literalmente ao dia seguinte, mas a qualquer momento no futuro.