Análise do Regime de Franco: Fascismo, Pós-Guerra e Autarquia
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O Regime de Franco: Evolução e Características
O regime de Franco foi comparado com outros regimes ditatoriais, principalmente com o nazismo alemão e o fascismo italiano. Inicialmente, possuía muito em comum com o fascismo europeu (E. Black), mas após a Segunda Guerra Mundial, começou a enfraquecer o conteúdo fascista (E. Católica). A evolução tardia do regime foi o resultado da adaptação às mudanças impostas a partir de dentro e de fora.
Fases do Pós-Guerra: O Período Azul (1939 - 1945)
Os anos coincidindo com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) são conhecidos como a fase azul do regime, mais próxima do fascismo, pois o Governo era composto principalmente por características militares e falangistas. As características deste período incluem:
- Modelo de Estado Fascista: Manifestado na legislação com a promulgação de leis de repressão à oposição em 1940 (com efeitos retroativos) e a criação da União Vertical, que visava acabar com os conflitos de trabalho e a luta de classes, integrando empregadores e assalariados forçados. Incluía organizações adoutrinadas, formação política e religiosa como ensino obrigatório em 1943, e a implantação de um sistema de seguro de doença, maternidade, invalidez e acidentes.
- Leis Fundamentais do Governo: Substituíram a Constituição.
- Partido Único: Criação do partido Movimento Nacional, suprimindo as liberdades políticas.
- Centralismo Rígido: Imposição de um centralismo que excluiu os nacionalismos, como os estatutos da Catalunha e do País Basco.
- Concentração de Poder: Concentração do poder político e militar em uma única pessoa.
- Poder Legislativo: Descansava com o Chefe do Estado e Executivo. O poder tornou-se o mesmo, pois o Chefe de Estado podia ditar normas legais e leis. Franco era Chefe de Estado, de Governo, das três Forças Armadas e presidente do Partido.
O Partido consolidou o poder sobre as forças compostas por diferentes grupos e partidos que apoiaram a decisão. Os partidos políticos coalesceram sob o Decreto de Unificação de 1937, chamados fontes do Movimento Nacional.
Bases Ideológicas do Regime
As fontes ideológicas baseavam-se em:
- Fascismo: Descartadas as ideias de República e Restauração monárquica. Franco decretou em 1937 a unificação forçada de carlistas e falangistas no que chamou de Tentativas Tradicionalistas. A tentativa de um Estado fascista falhou porque Franco não tinha o pessoal necessário e, especialmente, porque o exército tinha um papel maior do que o partido.
- Antifranquismo: Base fundamental para justificar a Guerra Civil como uma revolução comunista e a alegada aplicação do regime franquista.
- Catolicismo: A Guerra Civil foi descrita como uma "cruzada" contra a República secular. A constituição republicana liberal foi substituída por uma série de leis básicas criadas de acordo com as necessidades internas e externas.
Nestes atos manifestavam-se os princípios do sistema antidemocrático e o exercício autocrático do poder, como a Lei do Trabalho, que estabeleceu o sindicalismo vertical, proibindo greves e demandas trabalhistas, e o Ato Constitutivo das Cortes, que definia uma casa legislativa.
Franquismo e Atitude Internacional
As relações políticas da Espanha com o mundo mudaram de acordo com os interesses do ditador durante a Segunda Guerra Mundial:
- Neutralidade (Início da Guerra): Franco assinou um pacto com a Alemanha, mas a Espanha manteve a mais estrita neutralidade no surto da Guerra Mundial.
- Não Beligerância (1940): Com a entrada da Itália na guerra e os sucessos militares do Eixo, a Espanha mudou de estado neutro para não-beligerante, devolvendo à Alemanha bens que haviam sido privados pelo Tratado de Versalhes. Isso significava ajuda material ou instalações estratégicas negociadas com a Alemanha. A entrada na guerra do Eixo ocorreu na entrevista secreta Franco-Hitler. A Espanha receberia ajuda econômica e militar, e territórios na África após a guerra.
- Apoio à Rússia (1941): Com a entrada dos EUA na guerra, tornou-se clara a impossibilidade de vencer, e Franco decidiu cortar a ajuda à Alemanha.
- Retorno à Neutralidade: Após a guerra, a imagem de uma Espanha aliada aos poderes do Eixo perdurou. Em 1960, a publicação do protocolo secreto para recuperar os arquivos nazistas levou a uma condenação internacional.
Isolamento Internacional
Terminada a Segunda Guerra Mundial, a Espanha foi deixada de lado. As grandes potências concordaram que a Espanha não seria admitida na recém-criada ONU. O governo Franco foi considerado uma ameaça à democracia, e os países da ONU recomendaram romper relações diplomáticas com a Espanha. Foram implementadas medidas de pressão, como o fechamento da fronteira dos Pirenéus pela França em 1948. O país foi excluído do Plano Marshall. Apenas permaneceram embaixadores da Argentina, do Vaticano e de Portugal.
Política Econômica do Regime Franco
A política econômica foi marcada pela destruição da Guerra Civil, o isolamento internacional e a natureza ditatorial do regime, agravada por ter sido um parceiro do Eixo na Segunda Guerra Mundial. Adotou-se a autarquia, com medidas destinadas a alcançar a autossuficiência e forte intervenção estatal na economia.
Iniciou-se um processo de ruralização, com devolução de terras expropriadas e tentativa de recuperar as taxas de produção do trabalho agrário. Entre as medidas promovidas, destacam-se:
- Limitação das importações, com exceção de petróleo, algodão e borracha.
- Organização da produção e distribuição de cereais.
- Implantação de um sistema de racionamento para produtos de consumo de primeira necessidade, para evitar a fome causada pelas políticas autárquicas.
As consequências das políticas autárquicas foram:
- Diminuição da renda per capita.
- Retrocesso da produção industrial devido à falta de matérias-primas, máquinas, capital e tecnologia.
- Elevada inflação para financiar a dívida pública.