Análise da Rima XXIV de Gustavo Adolfo Bécquer
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XXIV Rima: Duas Línguas Vermelhas de Fogo
Assunto: A plenitude do amor.
Resumo
Nesta rima, Bécquer refere-se a si mesmo e à sua amada, descrevendo a transformação de ambos em um único ente. Esta união cria uma sensação de harmonia absoluta.
- Primeira estrofe: O autor vê a si e à sua amada como duas chamas que se tocam, simbolizando um abraço. A estrofe inicia com um "dois", que será repetido posteriormente.
- Segunda estrofe: A simbologia muda; o autor e sua amada são comparados a notas musicais de um alaúde que, assim como as chamas, fundem-se para formar um único elemento.
- Terceira estrofe: Bécquer utiliza a imagem de duas ondas que chegam à praia e morrem juntas. Aqui, a morte simboliza um amor compartilhado até o fim, onde as almas se unem ainda mais.
- Quarta estrofe: A ideia de união é apresentada por duas tiras de vapor que sobem ao céu para formar uma única nuvem.
Estes elementos (fogo, água e vapor) combinam-se para demonstrar que o amor passa por várias fases, todas com a mesma finalidade. Na quinta estrofe, o autor deixa de usar metáforas isoladas e descreve diretamente a união das duas almas.
Análise Técnica
A rima é composta por cinco estrofes de quatro versos de arte menor. A métrica de oito sílabas (octossílabos) confere ao poema um estilo uniforme.
Dispositivos Literários
O recurso de maior destaque é a anáfora, que estrutura as quatro primeiras estrofes e é reiterada nos três primeiros versos da quinta, reforçando a união das almas. O autor utiliza diversas personificações para representar o amor:
- Línguas de fogo;
- Beijos e abraços;
- Notas musicais;
- Ondas que morrem;
- Ecos que se confundem.
Além disso, Bécquer emprega epítetos (ex: "línguas vermelhas de fogo", "nuvem branca") e o hipérbato, alterando constantemente a ordem sintática dos versos.