Análise do Sermão de Santo António aos Peixes
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Exposição e Confirmação
Capítulo II: Louvores Gerais aos Peixes
O autor contempla os louvores aos peixes de carácter geral, destacando as seguintes virtudes:
- Ouvir e não falar: A capacidade de escuta silenciosa.
- Primazia na Criação: Foram os primeiros seres criados por Deus.
- Superioridade moral: São apresentados como superiores aos homens.
- Abundância: Existem em maior número e dimensão que outros animais.
- Obediência: Revelam prontidão ao chamado do Criador.
- Respeito e devoção: Demonstram atenção à palavra de Deus, ao contrário dos homens.
- Indomabilidade: São os únicos animais que não se deixam domesticar.
Estas qualidades funcionam, por antítese, como uma crítica aos defeitos humanos.
Capítulo III: Louvores Particulares
O autor destaca virtudes específicas de espécies selecionadas:
- Peixe de Tobias: Cura a cegueira e o seu coração expulsa demónios.
- Rémora: Pequena no corpo, mas dotada de grande força, capaz de imobilizar naus.
- Torpedo: Possui a capacidade de transmitir descargas elétricas, simbolizando a transmissão da virtude.
- Quatro-olhos: Vê para cima e para baixo, representando a capacidade de distinguir o bem (Céu) do mal (Inferno).
Estes louvores simbolizam, por contraste, os vícios dos homens.
Capítulo IV: Repreensão aos Peixes
O autor critica o comportamento predatório dos peixes:
- Canibalismo: Os peixes comem-se uns aos outros.
- Desigualdade: Os peixes grandes devoram os pequenos, numa crítica à exploração social.
O sermão encerra com um apelo aos ouvintes, reforçando a proximidade entre o orador e a audiência.
Recursos Estilísticos
O Sermão de Santo António aos Peixes é uma alegoria onde os peixes personificam os homens. Padre António Vieira utiliza a segunda pessoa gramatical para persuadir os colonos do Maranhão. A obra destaca-se pela riqueza retórica, utilizando figuras como: anadiplose, antítese, apóstrofe, comparação, paralelismo, anáfora, enumeração, exclamação retórica, gradação, interrogação retórica, ironia, metáfora, paradoxo, quiasmo e trocadilho.
Conclusão
Em suma, o sermão seiscentista segue a máxima clássica de ensinar, deleitar e mover, consolidando-se como uma obra-prima da oratória barroca.