Análise Textual, Conversação e Literatura Pré-Renascimento
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Conversação: Características e Estrutura
Conversas: Textos orais que não respondem a um planejamento prévio ou pré-arranjado.
- Estrutura: Baseada nas curvas de expressão que não são definidas antecipadamente e são tomadas ou ordenadas por meio de diferentes recursos verbais e não verbais.
- Características Verbais: A função de recurso que serve para chamar a atenção do outro e a função fática que verifica o funcionamento do canal.
Há uma utilização flexível da linguagem. Os oradores adaptam seu discurso à situação comunicativa, através de um registo coloquial.
Regras da Conversação (Máximas de Grice)
- Princípio da Cooperação: Os parceiros devem cooperar. Este princípio é desenvolvido em quatro máximas:
- Quantidade: A informação transmitida é necessária, nem mais nem menos informação.
- Relevância: A informação deve ser relevante para o tema da conversa.
- Qualidade: A informação é verdadeira e não falsa.
- Modo: A informação é ordenada, precisa e não ambígua.
- Cortesia: Permite mostrar respeito.
Sujeito e Predicado
O Sujeito
O Sujeito (Semântica): É o elemento que executa a ação do verbo ou sobre o qual algo se declara.
Sintaticamente, o sujeito é o constituinte da oração cujo núcleo concorda com o verbo em número e pessoa.
A Narrativa
O Texto é uma frase ou um conjunto coerente de declarações, orais ou escritas, que têm um propósito comunicativo.
Narrar é relacionar eventos com personagens no tempo e no espaço. Sua intenção é explicar, contar, informar ou entreter. Se tiver um propósito para além da estética, é uma narrativa literária.
Elementos da Narrativa
Narrador: É um personagem fictício que relata os fatos. Pode apresentar a história de diferentes pontos de vista:
- Primeira Pessoa: Pode ser o protagonista ou a testemunha.
- No ponto de vista de Terceira Pessoa, pode ter conhecimento ilimitado dos fatos (omnisciente) ou ter conhecimento limitado deles.
Narração (ou Enredo): Corresponde ao argumento, com uma estrutura básica linear dividida em apresentação, meio e final.
Personagens: Apresentam história de vida e características físicas, psicológicas e sociais.
Espaço e Tempo: A narrativa está situada no espaço e no tempo. O primeiro pode ser externo ou interno, real ou ficcional. O segundo (Tempo) apresenta dois tipos:
- O Tempo Histórico (ou externo): Tempo em que a ação se desenrola.
- O Tempo da História (ou interno): Duração da narrativa.
A Linguagem da Narrativa
- Características Lexicais: Prevalência de verbos (de movimento e de pensamento).
- Características Morfológicas: Predominância de verbos no pretérito perfeito e imperfeito. É também frequente o uso do presente histórico.
- Características Sintáticas:
- Uso de estilos narrativos (direto ou indireto).
- Prevalência de sentenças declarativas e complementos.
- Abundância de orações subordinadas adverbiais.
- Características Textuais: A mais característica é o uso de marcadores discursivos. Os mais frequentes referem-se ao enquadramento.
A Descrição
Descrever é representar alguém ou algo através da linguagem, referindo-se às suas qualidades e partes. A intenção da descrição pode ser variada.
Classes de Descrição
Descrição Objetiva ou Científica: É o reflexo da realidade como ela é. Usa uma linguagem precisa e denotativa.
Descrição Subjetiva ou Literária: Tem uma questão estética e predomina a função poética.
De acordo com o item descrito:
- Prosopografia: Descrição física da pessoa.
- Etopeia: Refere-se ao caráter, hábitos e ações de uma pessoa.
- Retrato: Combinação de prosopografia e etopeia (descrição completa).
- Autorretrato: A descrição do próprio emissor.
- Caricatura: Envolve o exagero ou a ridicularização dos traços de uma pessoa.
- Grotesco: Exagero distorcido das características de uma pessoa.
A Linguagem na Descrição
Recursos Lexicais: O mais proeminente é o uso de frases substantivas (em torno do uso de adjetivos especificativos e explicativos).
- Uso de verbos de estado.
- Presença de frases adverbiais. Abundância de complementos circunstanciais de tempo, lugar e modo.
Aspectos Morfológicos: Uso de formas verbais no Indicativo. Os verbos mais utilizados são o tempo presente e o pretérito imperfeito do indicativo.
Características Sintáticas: Prevalência de frases simples.
Características Textuais: Uma característica textual importante são as figuras literárias.
- Metonímia: Figura de substituição (relacionada à metáfora).
- Hipérbole: Exagero.
- Símile: Comparação.
- Personificação: Aplicação de qualidades humanas a coisas ou objetos inanimados.
O Diálogo
Diálogo: É um processo comunicativo no qual dois ou mais parceiros se revezam usando a palavra. O papel do emissor é importante. Assim, as duas qualidades mais importantes do diálogo são: a sucessão e a hierarquia.
Os parceiros estão interessados em que o intercâmbio de informação esteja correto. Para assegurar isso, a função fática é usada com frequência. Outras características incluem a função expressiva e a função de recurso.
Características do Diálogo
Turno de Fala (Way Round): No diálogo, o emissor e o receptor têm que trocar seus papéis.
Tensão Dialógica: Iniciada e mantida pela tensão dialógica.
- Início (Alimentação): Deve ter um ponto de partida.
- Tensão de Informação: Mantém a conversa e a faz progredir.
- Silêncio: Significa o fim do diálogo.
Coerência (Consistência): Cada peça de informação deve estar ligada à anterior.
Classes de Diálogo
No Estilo Direto, as palavras de cada parceiro são transcritas literalmente.
No Estilo Indireto, um narrador transcreve as intervenções dos personagens através de orações subordinadas introduzidas pela conjunção "que".
A Linguagem do Diálogo
Recursos Lexicais: Verbos de linguagem e pensamento para introduzir as falas dos personagens.
Características Morfológicas: O uso do Indicativo. Os tempos mais comuns são o presente, o pretérito perfeito e o presente, todos no indicativo.
As Características Sintáticas principais são:
- Prevalência de frases interrogativas e exclamativas, interjeições e vocativos.
- Maior espontaneidade da linguagem.
Características Textuais do diálogo estão todas relacionadas com a coesão do texto.
O Predicado
O Predicado exprime uma ação, evento ou situação que envolve o sujeito. A função predicativa é sempre realizada por um sintagma verbal.
A Forma do Verbo
- O Lexema contribui para o significado lexical e determina as possibilidades combinatórias do verbo.
- O conjunto de terminações verbais compõe a conjugação de verbos.
Perífrase Verbal
A Perífrase Verbal é uma construção verbal de sentido formada por um verbo auxiliar e um verbo principal no infinitivo, gerúndio ou particípio.
O Contexto do Pré-Renascimento (Século XV)
O século XV marcou a desintegração do mundo medieval. O poder dos nobres concentra-se nas mãos do rei. A natureza local da sociedade medieval rompe as barreiras das guildas e das cidades. O crescimento da burguesia implica a divulgação de sua mentalidade e valores.
No plano cultural, a invenção da imprensa é de grande importância. Fortuna, amor e morte são temas centrais. Há duas atitudes: a decepção (desengano) e o gozo (carpe diem).
Poesia Pré-Renacentista
A literatura do século XV é caracterizada pelo grande número de poetas, cujas obras foram incluídas em coleções chamadas Cancioneiros.
Podemos distinguir duas linhas de poesia cancioneiril:
- Poesia de Amor: De origem trovadoresca provençal. O amor cortês é aquele em que o cavalheiro está sujeito ao domínio da senhora.
- Poesia Moral e Didática: Caracterizada pelo tom elevado e solene, referências eruditas e linguagem latinizante, refletindo o interesse no mundo clássico.
Autores Destacados
O Marquês de Santillana
Foi um dos nobres mais poderosos da primeira metade do século. Traduziu obras de autores italianos e latinos para o castelhano.
Juan de Mena
Foi considerado o maior poeta do seu tempo. É caracterizado pela erudição abundante e pela linguagem latinizante pesada.
Jorge Manrique
Era um cavalheiro que participou ativamente na guerra civil da época. Sua obra principal é Coplas por la muerte de su padre (Versos sobre a morte de seu pai).
Estrutura das Coplas
É composto de 40 canções. Apresenta três partes:
- Uma reflexão geral sobre a vida e a morte.
- A exemplificação do poder da Morte.
- A evocação de D. Rodrigo Manrique, que louva suas virtudes e conquistas.
Estilo das Coplas
- A linguagem é culta e natural, prevalecendo a simplicidade.
- Toda a composição é dominada por uma grande sobriedade artística.
- Usa um tom de julgamento.
- Para concretizar ideias abstratas, usa metáforas simples, mas muito expressivas.
- As repetições dão ao poema um ritmo vagaroso e grave, de acordo com o tema.
- Uso frequente de paralelismos.
Teatro Pré-Renascimento
Predomínio do drama religioso. Destacamos:
- Gómez Manrique (1412-1491), autor da Representação do Nascimento de Nosso Senhor, que ainda se insere na tradição medieval.
- Juan del Encina, que já se aproxima dos novos gostos e formas da Renascença.
- A Dança da Morte: A Morte convoca personagens de diferentes classes sociais para participar de sua dança.
Prosa Pré-Renascimento
A prosa do século XV acolhe novos caminhos do Renascimento. Uma obra intermediária entre a prosa e o drama, La Celestina, marca a transição literária do período.
Prosa Didática: Permanece fiel ao objetivo medieval de educar e mudar o comportamento. El Corbacho, de Alfonso Martínez, é um tratado sobre o pecado da luxúria ou 'amor louco'.
Prosa Histórica: Assume grande desenvolvimento, imitando os historiadores da Antiguidade e servindo como propaganda para nobres e reis. Inclui biografias de pessoas famosas.
Prosa de Ficção: Desenvolvida no século XV, através de dois gêneros diferentes.
- Romances de Cavalaria: Narram as aventuras de um cavalheiro. O heroísmo e o amor por uma mulher o fazem triunfar sobre qualquer obstáculo. Os ideais são os mesmos.
- Romance Sentimental: Responde a novos gostos e ideais da burguesia. Emoções e sentimentos estão em alta, os personagens e os ambientes são sofisticados, corteses e a linguagem é muito elaborada.
Prosa Humanística
- Em 1492, aparece em Espanha a primeira gramática espanhola (de Nebrija). Direcionada para estudos linguísticos de importância para a filosofia. Esta gramática tem um duplo interesse: por um lado, como o primeiro estudo da gramática espanhola e, por outro, como um documento de sistemas de impressão antecipada.
- O trabalho será continuado por Francisco Sánchez de las Brozas.
Análise de La Celestina
La Celestina é a obra mais representativa do século XV. Com ela, termina a Idade Média e o Renascimento é anunciado.
O Autor
Na dedicatória, Fernando de Rojas afirma que encontrou o primeiro ato, cujo autor é desconhecido. Sabe-se que Fernando de Rojas nasceu em Puebla de Montalbán e estudou em Salamanca.
O Gênero Literário
A obra é difícil de categorizar. Devido à sua extensão, foi considerada um 'romance em diálogo'. Hoje, é considerada essencialmente dramática devido ao diálogo. A mudança no título de Comédia para Tragicomédia indica uma preocupação em situar a obra dentro do gênero teatral.
O Argumento ou Tema
O eixo da narrativa são os amores de Calisto e Melibea. Calisto entra por acaso no jardim de Melibea para declarar a paixão que ela despertou nele, mas a jovem o rejeita. Aconselhado por seu criado Semprônio, ele utiliza as artes de uma alcoviteira, Celestina. Celestina usa seus poderes de persuasão e sua magia para mudar a vontade de Melibea. Contudo, ao receber a recompensa de Calisto, Semprônio e Pármeno a assassinam por não querer partilhá-la com eles. Enquanto isso, Calisto continua seus encontros românticos com Melibea, até que Calisto cai do muro à noite e morre. Melibea declara tudo o que aconteceu ao seu pai e comete suicídio, pulando do alto de uma torre. A peça termina com o lamento de Plebério pela morte de sua filha.
Estrutura da Obra
O trabalho consiste em 21 atos. Distinguem-se as seguintes partes:
- Ato I: Abordagem da Ação.
- Atos II-XII: Desenvolvimento do conflito entre os personagens.
- Atos XIII-XX: Apogeu do amor apaixonado de Calisto e Melibea.
- Ato XXI: O Lamento de Plebério.
Personagens
- Calisto: Absorvido pela paixão, inseguro, egoísta, dominado pelos seus criados e por Celestina.
- Melibea: Apaixonada, mas preocupada com a honra, rejeita Calisto inicialmente e depois age contra a vontade dos pais.
- Celestina: Uma espécie de feiticeira, inteligente e capaz de bajular e enganar. Seu único objetivo é tirar proveito de qualquer situação. Intermediária no amor de Calisto e Melibea, tornou-se o símbolo da alcoviteira.
- Os Criados (Semprônio e Pármeno): Motivados apenas por interesses econômicos. A falta de conexão emocional os torna falsos e desleais ao seu mestre.
Temas Centrais
- O Amor Louco: Calisto e Melibea são escravos da paixão irrefreável, e Celestina é a instigadora que os leva ao infortúnio.
- A Ganância: Celestina e os criados de Calisto são dominados pela ganância, o que também acaba por destruí-los.
- A Morte: É o fim para a maioria dos personagens. Eles querem viver rápido e desfrutar dos prazeres da vida, mas são vítimas de suas próprias paixões.
- A Fortuna: Os eventos são regidos pela fortuna, e as ações são encadeadas de forma plausível.
Estilo e Linguagem
Na linguagem, há dois registos linguísticos:
- Registo Culto: Tom latinizante, com abundante paralelismo, antítese, alusões mitológicas, citações, paráfrases de pensamentos filosóficos e uso de frases longas.
- Registo Popular: Discurso espontâneo, direto, com abundância de palavras e expressões populares, frases quebradas e exclamações.
A Intenção do Autor
O autor afirma no prefácio que escreveu a obra para alertar contra o 'amor louco'. A morte dos personagens parece reforçar a intenção moralizante. No entanto, a atitude de Rojas é ambígua devido ao conteúdo erótico da obra.