Análise da Obra Três Chapéus de Miguel Mihura

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10. Três Chapéus é o título da obra mais famosa e o primeiro trabalho de Miguel Mihura. Embora tenha sido escrita em 1932, não foi lançada até 1952.

A ação se passa durante uma noite no quarto de hotel de uma pequena capital provincial. Lá, o herói, Dionísio, passa sua última noite de solteiro, pois no dia seguinte irá se casar com Margaret, uma senhora local que não aparece na obra. Eles não se casam por amor, mas porque "todos se casam aos 27 anos". Inesperadamente, entram em seu quarto membros de uma companhia de variedades. Especialmente Paula, uma jovem dançarina por quem Dionísio, totalmente perplexo com a situação inusitada, se apaixona.

No segundo ato, descobrimos que o surgimento dos artistas não foi casual. Dionísio pode ter se apaixonado por Paula, mas o amor de Dionísio por Paula ocorre porque ele acredita ver nela a ingenuidade, a sinceridade e, de forma mais egoísta, a possibilidade de começar uma nova vida, mais autêntica do que a que é forçado a viver.

Mas, no último ato, surge o pai da noiva, grotescamente chamado de Don Sacramento. Por medo da novidade, Dionísio acaba aceitando um casamento que o condena à frustração de uma vida cinza e rotineira. A peça termina com Dionísio saindo do quarto, abrindo caminho para o seu presente de casamento, enquanto a despedida é lançada por Paula e pelo grotesco Dom Rosário.

A obra é construída em uma linguagem repleta de inteligência, jogos de humor e situações inusitadas.

Os personagens secundários carecem de personalidade e são estereótipos simples. Assim, encontramos:

  • O homem odioso, que carrega uma bolsa cheia de coisas para dar às artistas (que são guardadas novamente se a menina não aceitar ou se ele não tiver finalmente conseguido o que queria);
  • O caçador astuto, que aparece na festa improvisada no local sem estar integrado à história;
  • Dom Rosário, o proprietário da pensão, que mente para os clientes quando eles têm febre para mantê-los calmos.

O título reflete o fato de que, quando a ação começa, Dionísio está experimentando três chapéus-coco. Paula afirma viver na corda bamba, fazendo malabarismos com chapéus. A peça termina quando Dionísio não se atreve a tomar uma decisão. Paula fica sozinha na sala: "e, de repente, quando parece que vai ser sentimental, joga o chapéu para o ar e solta o grito de alegria da música: Hoops! Sorria, acene... a cortina cai!"

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