Argumentos sobre a Existência de Deus: Guia Completo
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1. Tomás de Aquino e o Argumento Cosmológico
Os Argumentos Cosmológicos procuram provar a existência de Deus a partir de dados e factos empíricos, captados através dos sentidos.
Ao observarmos os seres sensíveis (tudo o que existe no universo, seres vivos ou inanimados), questionamos a sua origem e percebemos que possuem causas, designadas como eficientes (causas que provocam efeitos).
O argumento:
- Existem seres sensíveis.
- Todos os seres sensíveis têm causas. (Algo não pode simplesmente existir; deve haver uma causa, mesmo que desconhecida).
- Nenhum ser sensível é causa de si próprio. (Uma coisa não pode ser anterior a si mesma; as causas precedem os efeitos).
- A cadeia de causas dos seres sensíveis não pode regredir ao infinito. (Não é possível recuar infinitamente, pois o processo causal não existiria).
- Logo, tem de existir uma primeira causa. (Uma causa incausada, identificada como Deus).
Objeções ao Argumento Cosmológico
Qual é a causa de Deus? Se tudo precisa de uma causa, por que Deus seria exceção? Dizer que Deus é sobrenatural não explica a ausência de causa. Além disso, recorrer a Deus pode levar a uma regressão infinita (quem criou o criador?). Por fim, a causa primeira não implica necessariamente um Deus teísta, podendo ser uma divindade deísta ou algo desconhecido.
2. O Argumento Teleológico de Tomás de Aquino
Também conhecido como Argumento do Desígnio, é um argumento empírico ou "a posteriori". O termo "teleológico" refere-se a um objetivo ou finalidade, e "desígnio" a propósito.
O argumento:
- As coisas naturais, sem inteligência, atuam para atingir finalidades devido a um desígnio e não ao acaso. (Ex: A forma dos olhos é adequada à função de ver).
- Se atuam para finalidades, foram organizadas por um ser inteligente. (Como uma flecha que atinge o alvo pela intenção do arqueiro).
- Se foram organizadas por um ser inteligente, então esse ser (Deus) existe.
- Logo, Deus existe.
Objeções ao Argumento Teleológico
O argumento não exclui a existência de vários deuses. David Hume argumentou que a existência de "defeitos" no universo sugere um criador imperfeito. A teoria da evolução de Charles Darwin oferece uma explicação naturalista para a complexidade dos seres sem recorrer a um criador.
3. O Argumento Ontológico de Anselmo
Anselmo de Cantuária (séc. XI) propôs um argumento "a priori", baseado puramente no pensamento, sem recorrer à experiência empírica. Define Deus como o ser "maior do que o qual nada pode ser pensado".
O argumento:
- Se Deus, o ser mais grandioso, fosse apenas uma ideia, poderíamos pensar num ser ainda mais grandioso que também existisse na realidade.
- É contraditório pensar num ser mais grandioso do que aquele que é o máximo.
- Logo, Deus existe na realidade.
Objeções ao Argumento Ontológico
Gaunilo, monge contemporâneo de Anselmo, utilizou a redução ao absurdo. Ele argumentou que, se a lógica de Anselmo fosse válida, poderíamos provar a existência de qualquer coisa perfeita, como uma "ilha paradisíaca", apenas definindo-a como a mais perfeita possível. Se ela não existisse na realidade, não seria a mais perfeita, logo, teria de existir.