Aristóteles: Conhecimento, Metafísica e Ética
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Aristóteles e as Dimensões do Conhecimento
Aristóteles afirma que existem cinco maneiras de alcançar a verdade:
- A ciência (Episteme): é capaz de mostrar os primeiros princípios.
- A intuição (Nous): na filosofia, é considerada como o conhecimento direto dos axiomas, ou seja, o conhecimento necessário.
- A sabedoria (Sophia): é o conjunto de todas as outras formas de estar na verdade.
- A técnica (Techne): é um conhecimento produzido por regras e consiste em trazer algo à existência, ou seja, produzir qualquer coisa, não necessariamente.
- A prudência (Phronesis): é um ato de saber viver; é contingente, mas não é ensinável.
Ciência e intuição formam um conhecimento teórico. A técnica é uma produção de conhecimento. A prudência é um conhecimento prático. Aristóteles chamou-os de os três conhecimentos.
Princípios e Axiomas
Aristóteles diz que existem dois tipos de princípios ou axiomas:
- Lógicos: o princípio da não contradição (uma proposição e o seu oposto não podem ser ambos verdadeiros) e o princípio do terceiro excluído.
- Ontológicos: aqueles que se referem ao ser, mas Aristóteles diz que o ser se diz de muitas maneiras.
Categorias e Metafísica
Categorias:
- Substância: o que está abaixo; é o substrato que permanece, isto é, o que não muda. É também a substância da proposição e a ligação de matéria e forma; a estrutura da matéria que faz o seu trabalho.
- Acidente: são atributos da substância que podem mudar, assim como a própria substância.
- Ato: o ser real, o fazer, o sentir o que é; portanto, não necessita de tratamento e, nesse sentido, é perfeito.
- Potência: a possibilidade do que pode ser e, portanto, ainda não é, mas precisa mudar. Todo o poder é um ato, mas nem todo poder é atualizado; há a necessidade de se manter atualizado sobre a natureza da substância e o movimento/mudanças. Por isso, o poder é sempre imperfeito.
O critério para todas as categorias é a mudança. Aristóteles diz que há uma causa provável para explicar a mudança. Isso é determinado pela mudança através de quatro razões (causas):
- Material: do que algo é feito. No limite, o último termo é a matéria-prima, que é apenas potência, desconhecida e eterna.
- Formal: a estrutura ordenada para que a matéria se transforme em uma substância.
As Quatro Causas da Mudança
- Ato: o ser real, o fazer, o sentir o que é; não necessita de tratamento e é perfeito.
- Potência: a possibilidade do que pode ser; precisa mudar. O critério para as categorias é a mudança.
Existem 4 razões para isso:
- Material: do que algo é feito; a matéria-prima é apenas potência eterna e desconhecida.
- Formal: estrutura ordenada para transformar uma substância.
- Eficiente: uma causa não relacionada à substância, aplicando-se apenas aos acidentes ou qualidades.
- Final: o processamento de pedidos e o ato; é para onde a mudança se dirige. Esta causa final é a causa primeira.
O Universo e a Ética
Aristóteles explica a ordem do universo em um sistema conhecido como hilemórfico, que é a união entre matéria e forma. Essa mistura de elementos pode ocorrer em seres não-vivos (rochas) e seres vivos (animais). A maior perfeição é a forma pura, que é apenas forma, sem matéria.
O corpo e a alma são substâncias originais, formando um todo único. Quando separados na morte, o ser humano deixa de existir, em um conceito conhecido como teleológico. O propósito do homem é maximizar as suas qualidades específicas: a razão e a vontade. Isso significa que a areté (virtude) é obtida através do desenvolvimento dessas qualidades. Existem dois tipos de areté:
- Virtudes éticas (ethos): são adquiridas pelo hábito e repetição. Consistem no equilíbrio entre dois extremos viciosos (o excesso e a falta).
- Virtudes de entendimento (dianoética): adquiridas através do estudo. A mais importante é a phronesis (prudência), capaz de escolher a coisa certa.
Política e Sociedade
O homem não é um indivíduo isolado, mas um ser social por natureza. Ele agrega-se espontaneamente, tendo como base o grupo familiar composto por: pai, mãe, filhos, escravos e o boi de arado. O agrupamento de famílias forma a vila, que ainda não possui unidade política, embora cada família seja autossuficiente. A união das vilas gera a pólis, caracterizada por uma autoridade comum, estrutura de poder e divisão do trabalho. O fim da ética é o bem-estar e a felicidade da comunidade, não apenas do indivíduo. O fim máximo é a autarquia (autossuficiência).