Aristóteles e Santo Agostinho: Ética, Política e Fé
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Aristóteles: Felicidade e Virtude
Para Aristóteles, a felicidade é o bem supremo e um fim em si mesmo. Existem três tipos de bens: os externos, os do corpo e os da alma, sendo estes últimos os mais importantes. A felicidade consiste no exercício da atividade intelectual humana. A aretê (virtude) é definida como um modo de ser, uma excelência humana que nos torna melhores. Ela é um hábito construído em nosso ser, situando-se como um meio-termo entre dois vícios: o excesso e a omissão.
O Homem como Animal Político
A ética aristotélica está intrinsecamente ligada à política, a ciência mais fundamental. A polis é o espaço onde o homem delibera e escolhe. Aristóteles analisa diversos regimes políticos, como a aristocracia, a oligarquia, a democracia e a tirania, defendendo um regime misto como o ideal. Sua organização estatal baseia-se em três pilares:
- Harmonia: O consenso entre os cidadãos.
- Autarquia: A independência e auto-suficiência da polis.
- Educação: A tarefa essencial do Estado para formar melhores cidadãos.
Santo Agostinho: Fé, Razão e Política
Para Santo Agostinho, a filosofia é a busca pela sabedoria cristã. Ele estabelece três níveis de conhecimento: o sensível, o racional e o conhecimento das verdades imutáveis. Seu pensamento é regido pela máxima: "Crê para entender". A fé e as Escrituras são o ponto de partida para a compreensão da verdade divina.
A Cidade de Deus e a Justiça
Agostinho identifica duas inclinações humanas: o amor-próprio, que leva ao pecado, e o amor a Deus, que conduz à virtude. A comunidade dos que amam a Deus forma a Cidade de Deus, em oposição à Cidade Terrena. Para o filósofo, um Estado só é legítimo se for justo, e a justiça deriva da lei divina. Assim, sua filosofia política defende a primazia do poder espiritual da Igreja sobre o poder político terreno.