Autoria e Participação Criminal: Conceitos e Teorias
ITEM 30: AUTORIA E PARTICIPAÇÃO CRIMINAL
O delito pode ser praticado por uma pessoa ou mais, sozinha ou em conjunto. Se a ação é reforçada por muitos, falamos de coautores (ou co-infratores). Entre as várias pessoas envolvidas em um fato, pode haver uma divisão de responsabilidades: um deles é o autor principal (o fato é seu) e, de outro lado, há os que prestam auxílio simples, chamados de participantes.
Conceitos de Autoria
- Conceito Unitário: Todos os que contribuíram de alguma forma para a realização do fato são autores, independentemente da relevância material de sua intervenção. São tratados igualmente, sem distinção entre indução, autoria e cumplicidade.
- Conceito Extenso de Autor: As contribuições causais são iguais em todos os participantes e todos são considerados autores. Neste conceito, ser um participante é apenas uma restrição da pena.
- Conceito Subjetivo de Direitos de Autor: O importante é o sentimento de ser um criminoso, de ter o ato como seu (animus auctori) e não apenas como uma colaboração no ato de outrem (animus socii).
- Conceito Restritivo de Autor: Autor é aquele que realiza, por si só, a ação descrita no tipo penal. O envolvimento criminal ocorre em casos onde se amplia a pena para aqueles que realizam ações atípicas, mas que contribuem causalmente para a comissão do tipo.
Critérios do Conceito Restritivo
- Teoria Objetivo-Formal: Autor é quem executa a ação típica conforme a linguagem literal do tipo. O participante faz uma contribuição causal de menor importância. Crítica: É difícil definir todos os atos executivos em certos casos.
- Teoria Objetivo-Material: Para ser autor, a contribuição deve ser a condição mais importante para o resultado; caso contrário, é apenas cúmplice. Crítica: Nem sempre o autor realiza a ação mais importante.
- Teoria do Domínio do Fato (Objetivo-Subjetiva): Desenvolvida por Welzel e aprofundada por Roxin. Autor é quem conscientemente e intencionalmente controla o desenvolvimento do evento (domínio da vontade e da ação). Quem participa limita-se a prestar assistência.
Problema: Esta teoria é inadequada para resolver crimes de autoria culposa (irresponsável), onde o sujeito não controla conscientemente o curso dos eventos.
Conceito de Autor no Código Penal Espanhol
Autor é quem executa o tipo injusto. Quando o crime é tentado (grau de implementação imperfeita), o autor realizou atos que implicam um princípio de execução. O Código Penal (CP) diferencia autor e participante com base no Artigo 28.1, que diz: "São autores os que realizam o fato por si sós, conjuntamente ou por meio de outrem de quem se servem como instrumento."
Para efeitos de sentença, também são considerados autores pelo Art. 28.2: "Aqueles que induzem diretamente outro ou outros a executá-lo; e os que cooperam na execução com um ato sem o qual o crime não teria sido realizado."
Modalidades de Autoria
- Autoria Direta: Execução do fato por si mesmo.
- Autoria Mediata: O agressor (ou "homem de trás") utiliza outra pessoa (instrumento) que age sem responsabilidade criminal ou justificadamente. O autor mediato responde como se tivesse feito o ato por si mesmo, enquanto o instrumento pode ficar impune.
- Casos onde não há Autoria Mediata: Quando o instrumento age intencionalmente (participação real) ou em crimes de mão própria.
Coautoria
Coautor é aquele que realiza o delito juntamente com outros autores, mediante acordo prévio. O coautor não é mero participante, pois considera o evento como seu. Os requisitos baseiam-se em:
- Elemento Subjetivo: Decisão conjunta para a comissão do crime (divisão do trabalho).
- Elemento Objetivo: Participação na execução fluente feita por todos os envolvidos.
Consequências da Coautoria
- Imputação recíproca de todas as contribuições.
- Em crimes de omissão, não é possível a coautoria.
- Em crimes de mão própria, todos devem executar a ação típica.
- A tentativa começa quando se inicia a realização do tipo conforme o plano.
Nota: Diferencia-se a coautoria da Autoria Acessória, onde não existe acordo executivo, mas a soma das ações de duas ou mais pessoas produz um resultado que não ocorreria sem a intervenção conjunta. Nesses casos, a responsabilidade é definida individualmente.