Avaliação do Bem‑Estar Animal: Indicadores e Métodos

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Três formas de avaliar o bem‑estar animal

Quais são as três principais formas de avaliar o bem‑estar animal? Cite parâmetros que podem ser avaliados em cada um desses indicadores.

Medições ambientais: temperatura e radiação

A temperatura de bulbo seco (Tbs) é a temperatura do ar ambiente (Tar) e deve ser medida por termômetro de mercúrio comum. Quando a medição da temperatura do ar ocorre na presença de fonte apreciável de calor radiante (luz), o elemento de medição deve ser protegido contra a radiação sem impedir a circulação do ar ao redor do mesmo. A leitura é efetuada assim que o termômetro estabilizar no local da avaliação.

Alterações fisiológicas e respostas

Alterações fisiológicas (BEA): Um animal responde a alterações do seu estado de diversas formas, incluindo várias respostas fisiológicas. Consequentemente, uma das maneiras de avaliar o bem‑estar é medir essas respostas.

Avaliação sanitária

Resposta do sistema imunológico.

Sistema nervoso central e autônomo

A alteração do bem‑estar animal pode levar à ativação do sistema nervoso central (SNC). A ativação do sistema nervoso autônomo (SNA) controla a função de órgãos como coração, pulmões e trato gastrointestinal.

Simpático: associado a estresse e baixo bem‑estar animal. Relaciona‑se com a liberação de adrenalina (epinefrina): aumenta a frequência cardíaca, provoca respiração ofegante e prepara o organismo para atividade física imediata (resposta de luta ou fuga).

Parassimpático: associado a situação de conforto e alto bem‑estar; mantém frequência cardíaca normal e estado de relaxamento.

Parâmetros relacionados: FC (frequência cardíaca), FR (frequência respiratória), PA (pressão arterial).

Respostas neuroendócrinas

Hormônios: Cortisol (glicocorticoide) é o principal hormônio do estresse; níveis elevados indicam baixo bem‑estar e são ativados por agentes agressores e desafios ambientais. Em situações de descanso e relaxamento, os níveis tendem a reduzir.

Sistema nervoso simpático (SNS) ativado

Em momentos de estresse o SNS provoca:

  1. Aumento do débito cardíaco = maior FC e maior contração do músculo cardíaco.
  2. Aumento do fluxo sanguíneo para músculos = vasoconstrição periférica e contração do baço (órgão hematopoiético).
  3. Aumento no volume do ar inspirado = aumento da FR e relaxamento dos bronquíolos.

Adrenalina: aumenta a força de contração do coração.

Parâmetros fisiológicos

Parâmetros principais: FC, FR, PA e hormônios.

Frequência cardíaca

A medição da frequência cardíaca é um indicador do bem‑estar de um indivíduo em um determinado momento. Pode aumentar com estresse. A medida pode ser feita diretamente, por estetoscópio ou monitor cardíaco. O método não invasivo requer captura e imobilização do animal, o que pode causar estresse e distorcer o resultado.

Pressão sanguínea

A pressão arterial é útil para detectar alterações crônicas do bem‑estar, pois demora a se desenvolver. Pode ser medida de diferentes maneiras:

  1. Doppler / Esfigmomanômetro: método não invasivo, mas requer captura, imobilização e posicionamento do manguito inflável, podendo causar estresse.
  2. Cateterização intraarterial: requer implementação de cateter para medições sem perturbar o animal; entretanto restringe os movimentos do animal. É o método mais confiável, porém invasivo, restritivo e perturbador.
  3. Telemetria com implante (laboratório): pode ser usada em várias espécies. Uma vez implantado, a pressão sanguínea pode ser medida automaticamente sem perturbar ou restringir o animal — funciona como um marcapasso de pressão.

Frequência respiratória

Observação fácil e avaliação do estado atual. Pode ser medida à distância sem perturbar o animal, constituindo uma avaliação simples do bem‑estar imediato. Está intimamente relacionada com a frequência cardíaca.

Catecolaminas

As catecolaminas (adrenalina/epinefrina e noradrenalina/norepinefrina) estão fortemente relacionadas com alterações do bem‑estar. A medula adrenal libera adrenalina; os neurônios liberam noradrenalina. A avaliação dos níveis de catecolaminas requer amostragem rápida, geralmente possível apenas por cateterização intravascular ou colheita direta de urina.

Cortisol

Cortisol: é um glicocorticoide cuja concentração varia em resposta a estressores e desafios ambientais. Níveis elevados indicam ativação da resposta ao estresse.

Comportamento anormal e estereotipias

O que é comportamento anormal e estereotipias?

Para entender o que é um comportamento anormal é necessário compreender o comportamento normal da espécie em questão.

O comportamento normal corresponde à frequência com que o animal realiza comportamentos típicos para sua espécie e pode ser usado como indicador de bem‑estar. Esses comportamentos incluem: alimentação, tempo de descanso/ócio, períodos de atividade/inatividade e categorias indicadoras de conforto (ofegação, busca por sombra, escolha de locais para deitar‑se), etc.

Estereotipias

Uma estereotipia é uma sequência comportamental repetitiva, relativamente invariável, sem função aparente. Pode estar relacionada à falta de controle sobre o ambiente, grande variação individual ou fatores neurológicos (alterações neuroquímicas no cérebro, como dopamine, endorfinas e seus receptores). Estereotipias podem ter relações com:

  • Automutilação: áreas com lesão local (com dor) ou não; falta de estímulos; falta de controle ambiental; falta de contato social; lamber; arrancar penas; ingerir objetos sólidos (madeira, solo) / coprofagia.
  • Comportamento anormal direcionado a outros do grupo: indivíduos tratados como objetos ou parte do ambiente, sem motivação agressiva aparente.

Exemplos de comportamentos anormais direcionados a outros

a) Bicar penas/corpo de outra ave — pode progredir para canibalismo (dorso, cauda, região ventral, cloaca).

b) Morder a cauda em suínos.

Outros distúrbios comportamentais

Intersugação: outros indivíduos são sugados como se fossem o teto da mãe. Pode aparecer com agressividade excessiva, falência materna (roubo de filhotes, canibalismo materno), reatividade anômala, ausência de responsividade ou hiperatividade.

Senciência

O que é senciência?

Senciência deriva do latim sentire, que significa sentir. Significa a capacidade de sofrer ou sentir prazer e felicidade. Ser senciente é ter sentimentos e sensações como dor, desconforto, fome, sede, frio, alegria, tristeza, medo, tédio, prazer etc.

É a capacidade de ter percepções conscientes do que lhe acontece e do que o rodeia. A evidência de que animais sentem dor é suportada por comportamentos de evitação de estímulos dolorosos e pela melhoria do quadro após o uso de analgésicos.

Características que indicam senciência incluem: consciência do ambiente, emoções e sensações; capacidade de aprender por experiência; percepção de sensações corporais; percepção das relações com outros animais; e capacidade de escolher entre diferentes animais, objetos e situações.

Importância de reconhecer a senciência

Considerar os animais como seres sencientes é fundamental para entender o comportamento de diferentes espécies, diagnosticar patologias, identificar perda de bem‑estar e detectar alterações comportamentais que indiquem sofrimento ou necessidade de intervenção.