Barroco e Arcadismo na Literatura Brasileira

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O Barroco e a Obra "Boca do Inferno"

Romance narrado em 3ª pessoa, com linguagem histórica e expressões chulas (vulgares) referentes à sátira mordaz do poeta Gregório de Matos Guerra. A obra é dividida em seis capítulos, a saber:

  • A Cidade: Descrição da Bahia do século XVII — "imagem de um paraíso natural, mas onde os demônios aliciavam almas para proverem o inferno". Há também a apresentação do poeta sátiro Gregório, o "Boca do Inferno" (estilo barroco).
  • O Crime: Francisco Teles de Menezes é emboscado por 8 homens encapuzados, tem sua mão arrancada do braço e é morto por Antônio de Brito. O motivo se deu por perseguição política. Estarão envolvidos no crime: Bernardo Ravasco (irmão do Padre Antônio Vieira) e Moura Rolim (primo de Gregório). Os homens fogem para o Colégio dos Jesuítas, mas o governador da Bahia, Antônio de Sousa Menezes (o "Braço de Prata"), será avisado e começará uma terrível perseguição contra todos os envolvidos.
  • A Vingança: Antônio de Brito será torturado e delatará os envolvidos. O Padre Vieira será perseguido, mas, por representar a Igreja e o poder papal, o governador o releva, mas exige a prisão e destituição de seu irmão, Bernardo Ravasco, do cargo de Secretário de Estado. Ao tentar proteger a filha Bernardina Ravasco, Gregório conhece Maria Berco, que será presa ao se descobrir que ela possuía a mão e o anel do Alcaide (o anel será penhorado). São confiscados de Bernardo documentos escritos e os poemas de Gregório. Bernardina é presa para pressionar Ravasco a se entregar.
  • A Devassa: Rocha Pita é nomeado desembargador para investigar a morte do Alcaide. Palma, também desembargador, nega a vingança planejada pelo governador e, por falta de provas, exige a soltura dos envolvidos. No entanto, para soltar Maria Berco, Gregório teria que pagar uma fiança de 600 mil réis.
  • O Destino: Bernardo é libertado e expatriado. O governador é destituído do cargo, e o Marquês de Minas é nomeado para substituí-lo, restituindo o cargo de secretário a Bernardo Ravasco, que deve se apresentar imediatamente ao Rei de Portugal; mesmo assim, sai do Brasil com muitas riquezas. O próximo governador, Antônio Luís da Câmara Coutinho, também será satirizado pelo poeta Gregório, que terá sua morte encomendada. Contudo, apenas o governador seguinte, João de Lancastre, conseguirá prendê-lo e expatriá-lo para Angola. Gregório volta mais tarde para Pernambuco, mas será proibido de escrever suas sátiras. Volta a advogar e morre em 1695, aos 59 anos.

Desfecho dos Personagens Principais

  • Padre Antônio Vieira: Lutará por justiça social através de seus sermões; morre cego e surdo em 1697.
  • Bernardo Ravasco: Recebe sentença favorável no caso do crime contra o Alcaide e é substituído por seu filho, Gonçalo Ravasco.
  • Maria Berco: Ficará rica, mas deformada. Rejeita pedidos de casamento à espera do poeta Gregório, que se casa com uma viúva negra, Maria dos Povos, mas não se afasta da vida de devassidão pelos bordéis da cidade.
    "Se eu tiver que morrer, seja por aqui mesmo. E valha-me Deus, que não seja pela boca de uma garrucha, mas pela cona de uma mulher."
  • A Cidade da Bahia: Cresceu e modificou seu cenário de prazer e pecado — a cidade onde viveu o poeta Boca do Inferno.

Galeria de Personagens

  • Gregório de Matos Guerra: Poeta do Barroco, conhecido como "Boca do Inferno". Genial e canalha, fazia críticas mordazes aos políticos da Bahia do século XVII.
  • Padre Antônio Vieira: Em seus sermões e cartas, atacava o clero brasileiro e os políticos, revelando aos fiéis as contradições sociais.
  • Antônio de Sousa Menezes: Governador da Bahia, conhecido como "O Braço de Prata".
  • Gonçalo Ravasco: Inimigo de Antônio de Sousa Menezes.
  • Bernardo Ravasco: Irmão do Padre Antônio Vieira.
  • Bernardina Ravasco: Filha de Bernardo Ravasco.
  • Maria Berco: Empregada dos Ravasco e amante de Gregório.
  • Teles de Menezes: Secretário do governador.
  • Donato Serotino: Mestre de esgrima.
  • Antônio de Brito: Assassino de Francisco Teles de Menezes.
  • Anica de Melo: Cafetina.

I - Escola Literária: Arcadismo

A palavra Arcádia, que dá origem ao Arcadismo, é grega e designa uma sociedade literária típica da última fase do Classicismo, cujos membros adotam nomes poéticos pastoris em homenagem à vida simples dos pastores, em comunhão com a natureza.

O Arcadismo quanto à Forma

Caracteriza-se por vocabulário simples, frases na ordem direta, ausência quase total de figuras de linguagem, manutenção de versos decassílabos, do soneto e de outras formas clássicas.

O Arcadismo quanto ao Conteúdo

Apresenta pastoralismo, bucolismo, fugere urbem, aurea mediocritas, elementos da cultura greco-latina, convencionalismo amoroso, idealização amorosa, racionalismo, ideias iluministas e carpe diem.

A permanência do poeta Tomás Antônio Gonzaga em Vila Rica estendeu-se até o ano de 1789, quando foi envolvido na famosa Inconfidência Mineira. Em maio do referido ano, acusado de participação na conspiração, é detido e, sem maiores formalidades, remetido preso para o Rio de Janeiro.

Marília de Dirceu

Nessa ocasião, o poeta estava noivo de Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, jovem pertencente a uma das principais famílias da capital mineira, a quem dedicava poesias do mais requintado sabor clássico. Essas composições fariam parte do livro intitulado Marília de Dirceu, cuja primeira parte foi publicada em Lisboa, pela Impressão Régia, no ano de 1792. A obra poética de Tomás Antônio Gonzaga é relativamente pequena, mas suas liras tiveram dezenas de edições.

O sujeito lírico é o pastor Dirceu, que confessa seu amor pela pastora Marília. Eis a convenção neoclássica realizada. Mas é evidente que nos pastores se projeta o drama amoroso vivido por Gonzaga e Maria Dorotéia. A todo momento a emoção rompe o véu da estilização arcádica, brotando, dessa tensão, uma poesia de alta qualidade.

Estrutura e Partes da Obra

A obra se divide em duas partes (há uma terceira, cuja autenticidade é contestada por alguns críticos):

  • 1ª Parte: Contém os poemas escritos na época anterior à prisão de Gonzaga. Nela predominam as composições convencionais: o pastor Dirceu celebra a beleza de Marília em pequenas odes anacreônticas. Em algumas liras, entretanto, as convenções mal disfarçam a confissão amorosa: a ansiedade de um quarentão apaixonado por uma adolescente; a necessidade de mostrar que não é um qualquer e que merece sua amada; os projetos de uma sossegada vida futura, rodeado de filhos e bem cuidado por sua mulher, etc. Esta primeira parte é dividida em 33 liras, onde o autor canta a beleza de sua pastora Marília (na verdade, Maria Dorotéia Joaquina de Seixas), comparando sua beleza à de Afrodite, sem focar em sua psique. Utiliza várias figuras mitológicas e refrões com estruturas semelhantes, mas diferentes de lira para lira. O autor também se dirige a seus amigos Glauceste e Alceu (Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto), seus "colegas pastores" (os três foram, em algum momento, juízes). O bucolismo nesta parte é extremo, com referências permanentes ao campo e à vida pastoril idealizada pelos árcades.
  • 2ª Parte: Escrita na prisão da Ilha das Cobras, após ser preso em 1789. Os poemas exprimem a solidão de Dirceu, saudoso de Marília. Nesta segunda parte, encontramos a melhor poesia de Gonzaga. As convenções, embora ainda presentes, não sustentam o equilíbrio neoclássico. O tom confessional e o pessimismo prenunciam o emocionalismo romântico. Esta é uma obra pré-romântica; o autor idealiza sua amada e supervaloriza o amor, mas é árcade em todas as outras características. Existe também preocupação com a forma. Esta parte é dividida em 37 liras. Nela, o bucolismo é diminuído, mas a adoração a Marília continua. Há a angústia da separação, o sentimento de ter sido injuriado por acusações falsas e a dor da separação de seu amigo Glauceste (Gonzaga estava incomunicável e não sabia do suicídio de Cláudio Manuel da Costa).
  • 3ª Parte: Não possui apenas suas 8 liras; tem também sonetos e outras formas de poesia. Mas apenas as 8 liras possuem referências a Marília; quando elas acabam, começam a aparecer outras poesias de Dirceu, visto que ele não escreveu após o degredo.

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