Bases Farmacológicas: Drogas, SNC e Farmacocinética

Medicina e ciências da saúde8,72 KB

Capítulo 1 - Bases Farmacológicas

Drogas e o Sistema Nervoso Central (SNC)

  • Drogas são agentes químicos capazes de modificar processos biológicos. Um número significativo delas também induz alterações comportamentais.
  • Segundo Langley e P. Ehrlich, as drogas atuariam por se combinarem, de forma reversível, com estruturas especializadas (receptores).
  • Segundo a psicofarmacologia, a relação dose-efeito (ou dose-resposta) é a observação de que a magnitude do efeito aumenta em razão da dose administrada.
  • Eficácia: Efeito máximo para uma determinada droga.
  • Potência: Indica a concentração necessária da droga para produzir determinado efeito.
  • Agonistas: Possuem capacidade de se ligar ao receptor (afinidade) assim como de provocar alteração conformacional eficaz, resultando em efeito farmacológico (possui atividade intrínseca).
  • Antagonistas de receptores: Capacidade de ligação ao receptor, mas não são capazes de ativá-los (não realizam atividade intrínseca). Por ocuparem os receptores, no entanto, impedem ou dificultam a ação dos agonistas.
  • A ligação dos antagonistas pode ou não ser revertida pelo aumento da concentração de agonistas. No primeiro caso são denominados antagonistas competitivos (ou reversíveis), no segundo caso antagonistas irreversíveis. Existem também o antagonismo não-competitivo, no qual o antagonista diminui o efeito do agonista, por atuar em componente celular distinto do receptor.
  • Na presença de um antagonista competitivo é necessária maior concentração do agonista para se obter o mesmo efeito, mas o efeito máximo ainda pode ser obtido, desde que uma quantidade de agonista suficiente seja adicionada deslocando o antagonista de seu receptor. No caso de um antagonista não competitivo ou no de um antagonista irreversível o efeito máximo não poderá ser alcançado.
  • Agonistas parciais ligam-se aos receptores e os ativam, porém não realizam efeito máximo observado com a administração de agonistas plenos.
  • Atividade intrínseca: Agonistas plenos = 1, Antagonistas = 0, agonistas parciais = >0 e <1.
  • Modelo de dois estados do receptor: O receptor poderia estar em dois estados "ativado" ou "inativado" que estariam em equilíbrio. Agonistas plenos e parciais teriam preferência de ligação à forma ativada deslocando o equilíbrio nessa direção. Antagonistas de receptores teriam igual afinidade por ambas as configurações, sem alterar, portanto o equilíbrio, agonistas inversos se ligariam à forma "inativada".
  • Agonista inverso: Possuem afinidade e atividade intrínseca (por isso agonistas). No entanto, seu efeito resultante da interação com o receptor é oposto ao determinado pelos agonistas dos mesmos receptores.
  • Tipos de receptores: Ligados a canais iônicos; Ligados a Proteínas G; Ligados à Tirosina-Quinase e Receptores Intracelulares.
  • Muitas drogas ao se ligarem com respectivos receptores provocam alterações na formação de substâncias citoplasmáticas que regulam funções celulares. Essas substâncias são chamadas de segundos mensageiros.
  • Existem drogas cujos efeitos não são mediados por receptores. É preciso considerar que drogas, assim como psicofármacos, podem atuar por mecanismos que não envolvem interação direta com receptores para substâncias endógenas.
  • Um paradigma alternativo para alguns agentes psicotrópicos seria o de que a aplicação continuada da droga atua como estímulo repetido, que levaria a alterações plásticas do SNC, alterações estas responsáveis, em última análise, pelos efeitos terapêuticos observados.
  • Farmacocinética: Estuda como o organismo processa a droga, compreendendo sua cinética dentro do corpo (ou seja, o que o organismo faz com a droga).
  • Farmacodinâmica: Estuda os efeitos da droga sobre o organismo, seu mecanismo de ação e efeitos (o que a droga faz com o organismo).
  • Processos Farmacocinéticos fundamentais: Absorção, distribuição, metabolização e excreção.
  1. Absorção

    Depende da via de administração. Principais vias de administração são: a) enteral (incluindo vias oral, sublingual e retal); b) parenteral (incluindo intramuscular, subcutânea, intraperitonial e endovenosa); c) tópica. Após serem absorvidas, algumas drogas sofrem metabolismo de primeira passagem no fígado. Em alguns casos a capacidade do fígado de metabolizar a droga é muito elevada, o que resulta na passagem de baixas quantidades da substância para a circulação sistêmica (isso, como falado, chama-se metabolismo de 1ª passagem e diminui a biodisponibilidade das drogas).

  2. Distribuição

    O modelo mais empregado para descrever o processo de distribuição das drogas no organismo é o modelo de 2 compartimentos, que considera o organismo como sendo formado por um compartimento central, aonde a droga chegaria mais rapidamente, e um periférico, com o qual a droga atingiria estado de equilíbrio após certo tempo maior que o central. Órgãos com elevada taxa de perfusão fazem parte do compartimento central, são eles: cérebro, coração, pulmões, rins e fígado. Os tecidos muscular e adiposo possuem reduzida taxa de perfusão sanguínea e compõem grande parte da massa corporal, compondo assim o compartimento periférico.

  3. Metabolização

    Condição necessária à eliminação das drogas é sua transformação em compostos polares não-lipossolúveis, que não sofram de reabsorção nas vias de eliminação. Como a maior parte dos fármacos que atuam no SNC são muito lipossolúveis, é necessário que sejam metabolizados, ou biotransformados, antes de sua excreção. Além disso, muitas dessas drogas podem permanecer ativas, denominados metabólitos ativos, assim é necessária a metabolização para inativação dessas drogas.

  4. Excreção

    Principal via de excreção é o rim.

  • Conceito de meia-vida plasmática: Tempo que leva para a concentração plasmática da droga cair pela metade.
  • Tolerância: Ocorre quando o efeito de algumas drogas vai diminuindo progressivamente após a droga ser administrada de forma repetida por certo tempo. O desenvolvimento de tolerância depende da natureza da droga, podendo variar o tempo.
  • Sensibilização (ou tolerância reversa): Ocorre quando algumas drogas, particularmente os psicoestimulantes como a cocaína e a anfetamina, têm seus efeitos aumentados após o uso repetido.
  • Não existe medicamento que produza apenas um efeito farmacológico, e toda droga tem potencial de produzir efeitos adversos.
  • O termo interações medicamentosas é frequentemente reservado para aquelas potencialmente danosas ao indivíduo. São divididos em 3 grupos de interações: farmacêuticas (que ocorrem fora do organismo), farmacocinéticas (efeito indesejável em decorrência da modificação na farmacocinética de uma droga por influência de outra) e farmacodinâmica (aparecimento de efeito adverso em decorrência da alteração no efeito de uma droga por influência de outra).
  • Índice Terapêutico (IT) de uma droga: Relação entre a dose que produz efeito tóxico em 50% dos indivíduos (DT50) e a dose efetiva em 50% dos pacientes (DE50). Quanto maior o IT, mais segura será a droga.

Formula

Baixar

PDF Word HTML