Bisturi Elétrico: Funcionamento, Tipos e Cuidados Essenciais

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Bisturi Elétrico: Definição e Tipos

O Bisturi Elétrico consiste em um aparelho de alta frequência que realiza eletrocoagulação e eletrodissecção. A condução da corrente elétrica sobre o tecido ocorre pelo polo ativo do aparelho (ponta metálica reta ou esférica). A placa metálica ou descartável (lisa e móvel) atua como o polo neutro do aparelho.

O acionamento da corrente elétrica (para fins de corte ou de coagulação) é feito por um pedal ou, em alguns modelos, diretamente na caneta do bisturi.

Tipos Comuns de Bisturi Elétrico

  • Monopolares: São indicados para cirurgias que exigem corte e coagulação.
  • Bipolares: São indicados apenas para coagulação. Têm a vantagem de dispensar o uso da placa neutralizadora, pois a corrente passa somente entre as duas pontas da pinça.

Modelos de Bisturi Elétrico no Mercado

  • Bisturi Elétrico Aterrado: Utiliza a corrente elétrica aterrada, que, após percorrer o corpo do paciente, é descarregada à terra através do fio terra.
  • Bisturi Elétrico REM (Monitorização do Eletrodo de Retorno): A corrente elétrica retorna para o gerador. Se a placa se desconectar durante o uso, o gerador interrompe o envio da corrente, prevenindo queimaduras no paciente.

Funcionamento do Bisturi Elétrico

O funcionamento do bisturi elétrico é baseado na Lei de Joule, que consiste na produção de energia térmica no organismo gerada pela corrente elétrica.

No bisturi elétrico aterrado, a corrente elétrica de alta frequência aquece a ponta ativa. Ao entrar em contato com o paciente, a corrente atravessa o corpo até a placa neutra (polo negativo), e a energia é eliminada através do fio terra ao qual a placa está ligada.

Cuidados Essenciais no Uso do Bisturi Elétrico

O circulante da sala cirúrgica é o responsável pela colocação da placa do bisturi elétrico em contato com o paciente cirúrgico. Para garantir a segurança, devem ser observados os seguintes cuidados:

  • Posicionar a placa (polo neutro) no paciente cirúrgico, em local que favoreça o contato regular e homogêneo, ou seja, em região de grande massa muscular (preferencialmente na panturrilha, face posterior da coxa e nádegas).
  • Evitar saliências ósseas, áreas com excesso de pelos e áreas escarificadas, pois diminuem o contato da placa com o corpo do paciente.
  • Manter o paciente isento de contato com superfícies metálicas.
  • Atentar para o risco de combustão ao utilizar substâncias inflamáveis (antissépticos e anestésicos).
  • Em caso de prótese metálica, posicionar a placa neutra o mais próximo possível do local da prótese.
  • Utilizar substância condutora (gel) para aumentar o contato da placa com o corpo do paciente.
  • Colocar a placa após o posicionamento cirúrgico do paciente para evitar que ela se desloque.
  • Manter o paciente sobre superfícies secas.

Observação Importante

Pacientes com marca-passo devem ser rigorosamente monitorados, pois o bisturi elétrico pode causar interferência no funcionamento do dispositivo.

Complicações e Riscos Associados ao Uso do Bisturi Elétrico

Riscos para a Equipe Cirúrgica

  • Risco de choque elétrico.
  • Risco de explosões e incêndio, causados pela combustão provocada pelo faiscamento gerado pelo bisturi e/ou pelas substâncias inflamáveis utilizadas (antissépticos, anestésicos).

Riscos para o Paciente

  • Risco de queimadura (devido ao mau posicionamento da placa ou instalações elétricas inadequadas).
  • Risco de parada cardíaca por micro ou macro choque.

Tipos de Queimaduras

As queimaduras podem ocorrer em três locais principais:

  1. Sob a Placa Neutra: Ocorrem quando a área de contato da placa com o paciente é diminuída devido ao posicionamento inadequado.
  2. Em Locais Adversos (braços, pés e cabeça): Ocorrem devido a problemas na conexão entre a placa neutra e o aparelho, ou quando há contato de alguma parte do corpo com estruturas metálicas (mesas cirúrgicas, perneiras, instrumentais).
  3. Sob os Eletrodos de Monitorização Cardíaca:
    • Podem ocorrer pela conexão inadequada da placa ao aparelho de eletrocirurgia, o que permite a passagem da corrente elétrica pelo eletrodo, causando aumento da temperatura e queimaduras.
    • A distância excessiva entre a placa (polo negativo) e o local da cirurgia (polo positivo) também é um fator de risco.

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