Brasil Colonial: Tráfico Negreiro e Ciclo do Ouro
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Tráfico de Escravos (negreiro): O envio arbitrário de negros africanos na condição de escravos para as Américas e outras colônias de países europeus durante o período caracterizado como colonialista. Depois da chegada dos europeus, estabeleceu-se o Tráfico Negreiro (viagem da África ao Brasil), uma atividade muito lucrativa.
Chegada dos portugueses na África: Ceuta (1415): Marco das grandes navegações, quando os portugueses começam a conquistar seu primeiro território na África; a primeira conquista foi Ceuta. Ceuta é uma ilha situada entre o continente africano e a Europa, no final do Mar Mediterrâneo e no meio do Oceano Atlântico, servindo como ponto de diferenciação entre ambos.
Produção de cana-de-açúcar: Em Ceuta, criaram o sistema das capitanias hereditárias e iniciaram a produção de cana-de-açúcar.
Feitorias: Nas colônias, os portugueses criaram as Feitorias, que possuíam duas funções principais:
- Fortificação Militar: As feitorias serviam como quartéis com canhões voltados para o mar, visando a defesa do território.
- Entrepostos comerciais.
Escravidão: Praticada antes da chegada dos europeus. Era utilizada antes de os portugueses iniciarem o tráfico negreiro com o Brasil. Exemplos:
- Antes dos europeus, se a tribo do Aroldo brigasse com a tribo do Agnaldo, a tribo vencedora escravizaria a derrotada permanentemente.
- Após a chegada dos europeus, a tribo do Aroldo passa a vender os membros da tribo do Agnaldo.
- A tribo do Aroldo vende por 50 reais a tribo do Agnaldo; o mercador Timóteo a leva para o Brasil; Billy a compra por 100 reais e, posteriormente, Luiz a compra por 200 reais.
- A tribo do Agnaldo é vendida três vezes: pelo africano, pelo mercador e pelo comércio brasileiro.
Guerras tribais: Negros derrotados tornavam-se propriedade dos europeus.
Trabalho escravo no Brasil: A opção pelo escravo africano ocorreu por quatro motivos principais:
- Doenças transmitidas pelos portugueses aos indígenas (índio fraco imunologicamente, africano mais resistente).
- Tentativa de manter alianças com os índios para proteção do território.
- Leis que começaram a restringir a escravidão indígena.
- O Tráfico Negreiro era uma atividade extremamente lucrativa.
Escravo: Era considerado um produto, um objeto e não um ser humano. Acreditava-se que, enquanto o índio poderia ser transformado pela catequese, o negro não teria salvação e deveria passar pela escravidão para expiar seus pecados.
Escravos de ganho: Eram escravos urbanos. Exemplo: Aroldinho é um escravo de ganho cujo dono é Thiago. Thiago, morando na cidade, exigia que Aroldinho arrecadasse 100 reais por dia trabalhando como engraxate ou vendedor. Ao final do dia, Aroldinho entregava o valor e recebia 1 real. Ele não fugia porque o risco de ser capturado e punido era alto; era mais vantajoso juntar dinheiro para comprar a Carta de Alforria.
Resistência dos Escravos: Ocorria de diversas formas, sendo as duas principais o suicídio e a formação de Quilombos.
Quilombo: Locais nas matas que abrigavam fugitivos. O principal foi o Quilombo dos Palmares, em Pernambuco, que cresceu significativamente durante o período da União Ibérica.
No período da União Ibérica, Portugal estava enfraquecido, permitindo que os holandeses assumissem o controle do tráfico negreiro e da produção de cana-de-açúcar.
Descoberta do ouro no Brasil: O açúcar entrou em crise, endividando os portugueses, especialmente com a Inglaterra. A Inglaterra era a maior potência mundial devido à Revolução Industrial e buscava mercado para seus produtos.
Os ingleses impuseram tratados aos portugueses para o pagamento de empréstimos, sendo o mais importante o Tratado de Methuen (Panos e Vinhos): Portugal vendia vinho e a Inglaterra vendia tecidos. Como a demanda por roupas era maior que a de vinho, a dívida portuguesa aumentou.
Mineração: Com a União Ibérica, o Tratado de Tordesilhas perdeu o efeito, permitindo a interiorização do Brasil. Surgem os Bandeirantes, com os objetivos de:
- Explorar e reconhecer o interior do país.
- Encontrar metais preciosos.
- Capturar índios para mão de obra.
A interiorização levou à descoberta do ouro, extraído de duas formas:
- Ouro de aluvião: Coletado nos leitos dos rios com peneiras.
- Encostas de montanhas.
A mão de obra era majoritariamente escrava. A disputa pelas minas gerou a Guerra dos Emboabas (paulistas contra forasteiros/emboabas). Consequência: Os paulistas perderam e o ouro foi descoberto em Goiás e Mato Grosso. A Capitania de São Vicente foi extinta, surgindo as de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A necessidade de abastecimento e controle gerou a urbanização e a criação de Vilas (com Câmaras Municipais). A capital foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro para garantir o controle sobre o escoamento do minério para a Europa.
Controle das Minas: Realizado pela Intendência de Minas (fiscalização e cobrança do Quinto) e pelas Casas de Fundição (onde o ouro era transformado em barras e o imposto era retido). Impostos: O Quinto (20% da extração) e a Capitação (por número de escravos).
O esgotamento das minas e a dificuldade de controle aumentaram o contrabando, gerando revoltas como a de Vila Rica. Outros mecanismos de controle eram a Derrama (cobrança forçada de impostos atrasados) e a Finta (pagamento fixo de 100 arrobas anuais). O Tratado de Madri posteriormente definiu os contornos atuais do território brasileiro.