Café no Brasil: Expansão, Valorização e a Crise de 1929

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Capítulo 30: A Expansão e as Políticas de Valorização do Café

Condições endógenas e exógenas propiciaram a expansão do café brasileiro no final do século XIX: a produção asiática perdeu grande parte de seus cafezais e, internamente, o programa de imigração passou para as mãos do Estado. Uma grande inflação de crédito beneficiou os cafeicultores, permitindo a abertura de novas terras e elevando o preço do produto em moeda nacional com a depreciação cambial. A vantagem relativa para o Brasil produzir café era evidente e, mais, a tendência era de crescimento da produção dada a abundância de terras e da disponibilidade de mão de obra.

As condições para o país eram excepcionais e garantiram o monopólio do produto com o controle de 75% da oferta mundial naquele século. Situação essa que possibilitou vantagem no combate à crise de preços nos primeiros anos do século XX. Os estoques, então, seriam vendidos ou retidos de acordo com a demanda dos países importadores, e bastavam recursos financeiros para reter essas partes da produção fora do mercado. A partir da crise de 1893, o instrumento da depreciação externa da moeda absorveu seus efeitos, mas no final daquele século a pressão dos consumidores urbanos tornou inviável o uso recorrente de desvalorizações. A superprodução agravava a situação da época.

Política de Valorização do Café: Convênio de Taubaté (1906)

  1. Compra dos excedentes pelo Estado para reequilibrar oferta e demanda;
  2. Financiamentos feitos com empréstimos estrangeiros;
  3. Serviço do empréstimo seria coberto com imposto em ouro sobre as sacas exportadas;
  4. Governadores dos estados deveriam desencorajar a expansão do café.

A descentralização republicana havia aumentado os poderes regionais dos estados produtores de café e as medidas adotadas pelo Convênio de Taubaté, em 1906, geraram polêmicas que refletiam as transformações na estrutura político-social. O primeiro esquema de valorização foi feito diretamente pelos estados produtores, sem apoio da União, e com ligações diretas com o capital externo. O governo se viu forçado a assumir a tarefa de executor da política de valorização, e isso garantiu o poder da burguesia cafeeira até 1930, submetendo o governo aos seus interesses econômicos.

Como consequência desse plano, os lucros se mantiveram elevados e, consequentemente, os empresários do setor continuavam a elevar as inversões até o limite de fazer pressão sobre a oferta. Era preciso evitar que a capacidade produtiva continuasse a crescer, mas para isso era necessário apresentar outra alternativa rentável aos donos dos recursos. Esses estímulos artificiais que a economia cafeeira recebia a incentivavam a crescer cada vez mais. A demanda, entretanto, continuava a evoluir dentro de seus parâmetros tradicionais, ou seja, o consumo de café não aumentava na mesma proporção que a renda na década de 1920. Essa situação gerava um desequilíbrio estrutural entre oferta e procura.

Furtado aponta os erros daquela política de valorização do início do século XX: Segundo ele, o equilíbrio entre oferta e demanda dos produtos coloniais se dava quando a procura atingia a saturação do mercado e a oferta ocupava todos os fatores produtivos possíveis. Era necessário um desestímulo aos produtores de café, mas não se apresentava, naquela época, uma alternativa de produto colonial tão rentável quanto o café e que se encaixava nos moldes de uma política de valorização como a que foi feita para o setor cafeeiro. Como não foi essa a alternativa seguida naquela época, o capital estrangeiro foi utilizado para financiar os estoques a fim de tentar reequilibrar o mercado do produto. Entretanto, com a crise de 1929 e a fuga maciça de capitais, sumiram com as reservas metálicas feitas até então.

Capítulo 31: Mecanismos de Defesa e a Crise de 1929

Quando a crise de 1929 estourou, a produção de café continuava a aumentar os estoques devido às plantações feitas anteriormente, e o crédito no exterior se tornara impossível dada a depressão do mercado financeiro internacional. A despeito da discussão sobre o que fazer com o café que estava no campo, o que se tornava mais importante era descobrir quem pagaria o ônus das perdas.

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