Cánovas e a Restauração: Princípios Doutrinários e Sistema Político
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O Sistema Político da Restauração (1874-1923)
O sistema político da Restauração foi concebido e executado por Antonio Cánovas del Castillo, sempre com a ajuda de Mateo Práxedes Sagasta.
Cánovas, historiador e político liberal, havia se formado nas fileiras da União Liberal de O'Donnell e possuía um conhecimento muito profundo da história da Espanha e um roteiro claro do que o país deveria ser como nação.
Princípios Doutrinários do Regime de Restauração
Os princípios doutrinários subjacentes ao regime de Restauração podem ser resumidos da seguinte forma:
1. Superação da Instabilidade e Conquista da Paz Social
A Restauração não foi apenas o retorno da dinastia legítima, mas significou superar a instabilidade política do período anterior e conquistar a paz social e a estabilidade da vida política.
2. A Síntese Histórica e a "Constituição Interna"
Para isso, foi necessário realizar uma síntese entre o legado da história (o velho) e os ideais progressistas da administração (o novo). Cánovas chamou o legado histórico de "Constituição Interna" de um país.
Esta Constituição Interna era composta por uma série de princípios políticos fundamentais — que Cánovas chamou de "verdadeira mãe" — como:
- A Monarquia e a Dinastia;
- A Liberdade de Propriedade;
- A Regência do Rei com o Parlamento.
Tais princípios faziam parte da alma espanhola, da nossa tradição e caráter e, portanto, não poderiam ser discutidos por nenhum espanhol. A Constituição Interna não havia sido decretada; era algo que existia porque os espanhóis eram como éramos.
3. O Sentido de Realidade e a "Arte do Possível"
Admitido isso, tudo o resto é secundário. Impõe-se um senso de realidade, e a política deveria ser vista como "a arte do possível", ou seja, como algo apropriado nas circunstâncias de tempo e lugar.
4. Supremacia do Poder Civil sobre o Militarismo
O poder civil é superior ao militar, pois possui a legitimidade dada pela vontade nacional expressa através do voto.
5. Busca por Acordos e Consenso (Possibilismo Canovista)
Cánovas era inimigo das posições inflexíveis ou inconciliáveis. É necessário buscar acordos ou transações; o consenso, diríamos hoje. Para que todos se entendam, é necessário que ambos os lados cedam.
É possível reconhecer os direitos de cada um dos lados opostos — o Possibilismo Canovista — e integrá-los ao sistema.
Conclusão: O Pacto da Monarquia Parlamentar
Impôs-se, em última análise, um acordo entre todas as forças políticas, o que permitiu a convivência pacífica no meio de uma monarquia parlamentar. Tal pacto baseou-se numa nova Constituição que deveria ser amplamente aceita.