Características e Fundamentos da Filosofia
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Características da Filosofia
1. A filosofia é um empreendimento intelectual. O ser humano busca compreender o mundo ao seu redor por meio de um esforço racional.
2. Muitas pessoas pensam que a filosofia é algo concluído, como a matemática, mas ela é, na verdade, um processo inacabado, não universalmente válido. É algo que cada pensador constrói a partir de suas perspectivas pessoais, históricas ou sociais. O próprio filósofo reconheceria que a filosofia nunca é perfeita, mas é difícil acreditar que seja um produto finalizado; é algo aberto e incompleto. Não é algo a ser apenas considerado, mas sim uma área em que cada um deve atuar para conquistar seu entendimento.
Fundamentos Filosóficos do Conhecimento
A etimologia da filosofia aponta para o "amor e a tendência de saber". Se os biólogos chamam o homem de *Homo sapiens*, estão corretos, pois o ser humano deseja conhecer e afirmar-se. Por isso, todos nós somos, de certa forma, filósofos, construindo nossa visão de mundo (fundamentada ou não) a partir do desejo de saber.
A filosofia surgiu na Grécia no século VI a.C. O primeiro foi Tales de Mileto, um matemático que ousou substituir as explicações tradicionais sobre a vida e o mundo. Houve uma transição "do mito para o Logos", substituindo a explicação mítica pela razão.
Do Mito ao Logos: Explicações Racionais
Na Grécia, começaram a surgir explicações racionais para certos fenômenos. O Logos recorre à observação constante e à consciência contínua da natureza para explicar e analisar as coisas, em vez de recorrer à fantasia mítica. A razão viaja pelo Logos impulsionada pelo comércio, pela necessidade do marinheiro que viaja e deseja saber, pela comunicação com outros povos e suas mitologias, e pela liberdade de pensamento em contraste com o dogmatismo da religião.
Os gregos e os filósofos dos séculos VI ao IV a.C. investigaram os fenômenos naturais e a origem do cosmos, período conhecido como a fase cosmológica pré-socrática. Sócrates e os sofistas promoveram a "revolução copernicana", focando a investigação do cosmos em termos do ser humano, marcando o período antropológico de preocupação com o homem.
Período Antropocêntrico
O ser humano passou a ser considerado o centro e o elemento mais importante do universo. Como exemplo, Protágoras afirmou que "o homem é a medida de todas as coisas".
As Quatro Questões de Kant
Kant resumiu os interesses filosóficos em quatro perguntas fundamentais:
- Pergunta Epistemológica: "O que posso saber?"
- Pergunta Ética: "O que devo fazer?"
- Pergunta Religiosa: "O que posso esperar?"
- A análise do ser humano depende da resposta a estas questões.
O Conhecimento da Razão Humana
A filosofia do mundo não é um conhecimento comum ou senso comum sobre as causas dos fenômenos. É uma atitude espontânea baseada no conhecimento dos sentidos, que percebe as coisas como diversas e em constante mutação. Diferencia-se do conhecimento mítico, artístico-literário ou teológico/revelado. A filosofia é, principalmente, um conhecimento fundamentado, rigoroso, inclusivo, sujeito a críticas constantes e coerente.
A atitude da razão filosófica capta o permanente por trás das mudanças e enfatiza o conhecimento humano e a condição do homem.
Atitude Filosófica e Conhecimento
A admiração, a busca por respostas e a atitude filosófica dão origem ao conhecimento filosófico. Em resposta às questões atuais, destacam-se três correntes:
1. Marxismo
A origem da filosofia estaria na necessidade humana de se livrar de qualquer laço de alinhamento ou subjugação que ameace a dignidade humana. Sua missão é libertadora, revolucionária e transformadora. A práxis é ação, mas ainda não é teoria. Marx afirmou que os filósofos têm apenas interpretado o mundo, quando o que realmente precisamos é transformá-lo (atividade específica).
2. Existencialismo
O homem se sente angustiado e percebe sua existência como absurda em um mundo sem significado ou propósito, fechado e não aberto ao transcendente ou divino. O homem deve construir-se sem assistência. Essa situação gera ansiedade que o leva a descobrir o sentido da existência humana, que, se tivesse um sentido pré-estabelecido, não faria sentido. Seus temas favoritos incluem: subjetividade, autenticidade, finitude, liberdade, náusea e decisão.
3. Historicismo e Vitalismo
O homem precisa fazer filosofia para viver. Ortega y Gasset disse que o homem vive pensando, pois a vida é lidar com a circunstância inexorável e a escolha de descobrir o que é. Dessa necessidade surge a cultura: filosofia e ciência. Entra em crise o sistema de crenças que servia de base, fazendo-nos sentir perdidos, sem saber o que esperar. É um naufrágio da situação passada, onde as ideias que acreditávamos tornam-se crenças seguras.
A Filosofia é Ciência?
No século XVI, durante o Renascimento, uma era de grande efervescência cultural, surgiu um novo tipo de conhecimento: o conhecimento científico, raramente visto na antiguidade. Aristóteles estabeleceu a ideia de que a filosofia é ciência, mas a ciência entendida como o conhecimento rigoroso que oferece a realidade estruturada.
A ideia de ciência na época não é a que temos hoje, onde as afirmações científicas devem ser verificadas ou falseadas empiricamente (o que não é o foco da filosofia). Contudo, a filosofia busca um conhecimento sólido e completo, embora não seja a ciência no sentido moderno.
Diferença entre Ciência e Filosofia
- Atitude: A atitude científica visa dominar as causas dos fenômenos, com projeção pragmática ou aplicação prática (o mundo da arte). A filosofia, por outro lado, não tem esse caráter; para o grego, era um valor supremo, algo valioso em si mesmo, nos valores espirituais. É um ato livre e libertador, não imediatamente útil.
- Interesse: A ciência não se preocupa com a totalidade da realidade, mas sim com algo ou uma parte dela.