Carcinogênese, Imunologia e Diagnóstico do Câncer

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

Escrito em em português com um tamanho de 3,49 KB

Carcinogênese Química

Exposição a agentes carcinogênicos (iniciadores), tornando a célula capaz de originar um tumor (célula iniciada) através de lesão permanente no DNA.

  • Iniciadores: Alquilantes de ação direta (ex: ciclofosfamida), hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (combustão do tabaco), aminas aromáticas e corantes nitrogenados (amarelo manteiga), nitrosaminas (conservantes).
  • Promotores: Induzem tumores em células iniciadas, mas não causam mutações diretamente. É um processo reversível que promove a proliferação celular. Exemplos: estrogênio, gordura alimentar, fumo e álcool.

Carcinogênese por Radiação

  • Raios UV: Associados a carcinomas de células escamosas, basocelular e melanoma. O UVB causa dímeros de DNA, corrigidos pelo sistema NER.
  • Radiação Ionizante: Raios-X e Gama, associados a leucemias, tumores de tireoide, mama, pulmão e glândulas salivares.

Carcinogênese Microbiana

  • Vírus: O genoma viral integra-se ao hospedeiro. HPV: inativa Rb e p53 (colo do útero, vulva, pênis). EBV: Linfoma de Burkitt, linfoma B em pacientes com HIV e doença de Hodgkin. HBV: lesão hepática crônica e hiperplasia, codificando a proteína Hbx que interrompe o controle do crescimento celular.
  • Vírus RNA: HTLV-1 (leucemia de células T humanas tipo 1) causa expansão policlonal de células T não malignas, aumentando o risco de mutações.
  • Helicobacter Pylori: Associada a carcinomas e linfomas gástricos (MALT). A toxina VacA promove vacuolização e apoptose.

Defesa Imune e Vigilância Tumoral

O sistema imunológico competente realiza a vigilância contra tumores, especialmente os induzidos por vírus.

  • Antígenos Tumorais: Produtos de genes mutados (proto-oncogenes ou supressores de tumor), proteínas celulares superexpressas ou proteínas virais.
  • Mecanismos Efetores:
    • Linfócitos T citotóxicos: Papel protetor em neoplasias associadas a vírus.
    • Células NK: Primeira linha de defesa, destroem células tumorais sem sensibilização prévia.
    • Macrófagos: Quando ativados, destroem células tumorais via moléculas reativas de oxigênio e produção de TNF.

Diagnóstico Laboratorial do Câncer

  1. Métodos cito/histológicos: Incluem biópsias, aspiração por agulha e esfregaço citológico.
  2. Imuno-histoquímica: Define a linhagem de neoplasias indiferenciadas, identifica produtos de síntese celular, diferencia processos neoplásicos de lesões reativas (ex: bcl-2) e detecta agentes infecciosos (HPV, EBV, H. Pylori).
  3. Citometria de fluxo: Mensuração rápida e quantitativa de características celulares, como antígenos de membrana.
  4. Diagnóstico Molecular: Utilizado para diagnóstico, prognóstico (genes associados) e detecção de predisposição hereditária (mutações germinativas).
  5. Marcadores tumorais: Ensaios bioquímicos (enzimas, hormônios). Não servem para diagnóstico definitivo, mas auxiliam na detecção, monitoramento da efetividade do tratamento e recorrência (ex: PSA para próstata).

Entradas relacionadas: