Ciclo Hidrológico e Dinâmica Climática em Portugal

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Ciclo Hidrológico

A energia solar provoca a evaporação da água presente nos oceanos e nos continentes, que passa, assim, para a atmosfera sob o estado gasoso. A este processo dá-se o nome de evapotranspiração — evaporação das águas superficiais, da água do solo e da água libertada pela respiração e pela transpiração dos seres vivos.

Na atmosfera, por arrefecimento do ar, dá-se a condensação do vapor de água, formando-se nuvens que, por vezes, originam precipitação.

Da água que se precipita nos continentes, uma parte regressa à atmosfera pela evapotranspiração, outra escoa à superfície, através dos cursos de água, e a restante infiltra-se no solo. Tanto por escoamento superficial como por escoamento subterrâneo, as águas continentais acabam por chegar aos oceanos.

O ciclo hidrológico continua indefinidamente, pois o volume de água existente no planeta mantém-se constante, bem como a sua distribuição pelos oceanos, pelas calotes polares, pelos continentes e pela atmosfera.

Fatores que mais influenciam o clima português

A localização geográfica de Portugal, nas latitudes intermédias da Zona Temperada do Norte, é o principal fator do clima português, pois faz com que se conjuguem influências de vária ordem:

  • No Inverno: as baixas pressões subpolares, as massas de ar frio polar e os anticiclones de origem térmica formados sobre o continente;
  • No Verão: as altas pressões subtropicais (principalmente o anticiclone dos Açores), as massas de ar quente tropical e as depressões barométricas que se formam sobre o continente;
  • Durante todo o ano: faz-se sentir a influência dos ventos de oeste.

As principais diferenças sazonais devem-se à deslocação latitudinal dos centros de pressão que, no Inverno, se localizam mais a sul e, no Verão, se situam mais a norte.

A frente polar do hemisfério norte

Quando se encontram duas massas de ar de características diferentes que se deslocam em sentidos opostos e convergentes, forma-se uma superfície frontal. As frentes podem ser frias ou quentes:

  • Frente fria: o ar frio avança, introduzindo-se como uma cunha por baixo do ar quente, obrigando-o a subir;
  • Frente quente: o ar quente avança, sobrepondo-se, gradualmente, ao ar frio.

A ascensão do ar quente provoca o seu arrefecimento, dando origem à condensação do vapor de água e à formação de nuvens, pelo que, geralmente, à passagem de uma frente se associa a ocorrência de precipitação. A convergência das massas de ar quente tropical com as de ar frio polar dá origem à formação das frentes polares.

Perturbações frontais

O conjunto formado pela associação de uma frente fria, uma frente quente e uma depressão barométrica constitui uma perturbação frontal. Uma perturbação frontal é constituída por um setor de ar tropical quente, entre dois setores de ar polar frio (anterior e posterior), verificando-se uma dupla ascensão dinâmica do ar:

  • Na frente fria, por efeito da interposição do ar frio por baixo do ar quente;
  • Na frente quente, por sobreposição do ar quente ao ar frio.

A frente fria progride mais rapidamente do que a frente quente. Assim, a frente fria acaba por alcançar a quente e o ar frio posterior junta-se ao anterior, obrigando todo o ar quente a subir. Forma-se, então, uma frente oclusa — frente resultante da junção da frente fria com a frente quente.

Tipos de precipitação mais frequentes

Precipitações frontais

As precipitações frontais formam-se pela ascensão do ar quente numa superfície frontal. A superfície frontal fria apresenta maior declive, provocando ascensão rápida e violenta (nuvens de grande desenvolvimento vertical), enquanto a superfície frontal quente é mais extensa e apresenta menor declive, originando nuvens de desenvolvimento horizontal.

Como nas frentes frias a ascensão do ar é mais rápida, as precipitações são mais intensas (aguaceiros), enquanto as associadas a uma frente quente são menos intensas, mas contínuas. O Norte de Portugal Continental é mais afetado pela perturbação da frente polar.

Precipitações convectivas

Formam-se quando, devido a um intenso aquecimento da superfície da Terra, o ar aquece, torna-se menos denso e sobe. Ao subir, o ar arrefece, provocando a condensação e a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, que originam precipitações abundantes e de curta duração (aguaceiros).

Precipitações orográficas

Formam-se por ação do relevo. As vertentes das montanhas constituem uma barreira que obriga o ar a subir, desencadeando o arrefecimento e a condensação. É frequente nas áreas de montanha, nas vertentes expostas a ventos húmidos.

Ritmos e distribuição da precipitação em Portugal

A distribuição da precipitação em Portugal caracteriza-se por uma grande irregularidade temporal e espacial. Os valores mais elevados ocorrem no final do Outono, durante o Inverno e no início da Primavera.

De um modo geral, a precipitação diminui de Norte para Sul e do Litoral para o Interior. O contraste Norte-Sul deve-se, principalmente, à influência da latitude e à perturbação da frente polar. O relevo também exerce uma ação importante:

  • Nas áreas elevadas do Noroeste e Centro, as precipitações orográficas reforçam as frontais;
  • No Interior Norte, a barreira montanhosa impede a penetração dos ventos húmidos;
  • A Cordilheira Central permite a penetração dos ventos de oeste;
  • Na Serra Algarvia, registam-se os valores mais elevados do Sul do País.

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