Ciclo Vegetativo da Videira: Guia Completo de Viticultura
Dinâmica dos Hidratos de Carbono na Videira
Os hidratos de carbono deslocam-se no floema ao longo do ciclo vegetativo da videira.
a) Fases do Ciclo Vegetativo
- a) Início do ciclo (abrolhamento): Os hidratos de carbono armazenados nas raízes e madeira permanente deslocam-se para os gomos e jovens rebentos, assegurando o seu crescimento inicial.
- b) Crescimento ativo: As reservas continuam a ser mobilizadas para os órgãos em crescimento, embora as folhas comecem gradualmente a produzir fotoassimilados.
- c) Máximo crescimento vegetativo: As folhas tornam-se a principal fonte de assimilados, exportando hidratos de carbono para o ápice dos rebentos e órgãos reprodutivos.
- d) Desenvolvimento dos cachos e maturação: Os hidratos de carbono produzidos pelas folhas são direcionados preferencialmente para os frutos (drenos).
- e) Pós-vindima: Os hidratos de carbono são transportados para os órgãos permanentes (tronco, braços e raízes) para armazenamento.
b) Momento da Floração
O momento correspondente à floração é o c. Nesta fase, as folhas apresentam atividade fotossintética significativa, fornecendo assimilados aos ápices vegetativos e inflorescências devido à elevada procura metabólica.
1. Evolução da Maturação
A – Floração
B – Pintor (início da maturação)
O gráfico representa a evolução da concentração de açúcares (sólidos solúveis) nos bagos ao longo do ciclo de desenvolvimento da uva.
2. Pâmpanos e Sarmentos
As varas da videira podem chamar-se pâmpanos ou sarmentos:
- Pâmpano: Ramo herbáceo, verde, em crescimento, formado durante o ciclo vegetativo.
- Sarmento: Ramo do ano após a lenhificação e maturação dos tecidos.
O processo de passagem de pâmpano para sarmento chama-se atempamento.
3. Ciclo Bienal da Videira
O esquema refere-se ao ciclo bienal de formação e desenvolvimento das inflorescências/gomos frutíferos.
- Ano 1: Diferenciação dos primórdios florais nos gomos.
- Inverno: Repouso vegetativo.
- Ano 2: Rebentação, floração, vingamento e maturação.
4. Reprodução Assexuada e Porta-Enxertos
A hidratação é comprometida pela desidratação dos tecidos vegetais. Considera-se irreversível a partir de uma perda de aproximadamente 20% de água.
Exemplos de porta-enxertos:
- V. berlandieri × V. rupestres: 110 Richter (110 R)
- V. berlandieri × V. riparia: SO4 (Selection Oppenheim 4)
- V. riparia × V. rupestres: 3309 Couderc
Cuidados na escolha do porta-enxerto: Tipo de solo, teor de calcário ativo, disponibilidade hídrica, resistência a pragas (filoxera/nemátodes), vigor e compatibilidade com a casta.
Enxertos prontos: Plantas produzidas em viveiro, já soldadas e enraizadas. Vantagens: maior taxa de pegamento, entrada rápida em produção e uniformidade.
5. Fisiologia e Hormonas
O choro da videira (exsudação de seiva) indica a reativação da atividade radicular. O abrolhamento marca o início do ciclo vegetativo.
Hormonas vegetais:
- Auxinas: Alongamento celular e formação de raízes.
- Giberelinas: Crescimento dos entrenós e floração.
- Citocininas: Divisão celular.
- Ácido Abscísico (ABA): Dormência e resistência ao stress hídrico.
- Etileno: Maturação dos frutos e senescência.
6. Regiões Demarcadas de Portugal
Classificação:
- Tom escuro: Denominação de Origem (DO/DOP).
- Tom intermédio: Indicação Geográfica (IG/IGP).
- Tom claro: Sem classificação específica.
| Região | Casta Branca | Casta Tinta |
|---|---|---|
| Douro | Rabigato | Touriga Nacional |
| Verdes | Alvarinho | Vinhão |
| Tejo | Fernão Pires | Castelão |
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