Cidadania Vulnerabilizada e os Desafios Contemporâneos
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Inicialmente, o texto estudado — a cidadania vulnerabilizada — nos introduz ao fato de que a cidadania tem sido o vínculo privilegiado entre o social e o político.
No tópico de “cidadania e trabalho”, foi retratado que um elemento histórico-chave no exercício cidadão e nas lutas dos grupos organizados por conquistas sociais foi o âmbito trabalhista-sindical. Este âmbito foi consagrado como vínculo social central, e o seu caráter coletivo, jurídico e abstrato conectou a função do trabalho tanto com a integração social quanto com a utilidade econômica. O trabalhador tornou-se pessoa pública e o trabalho constituiu-se em forma de cidadania social, inscrito no regime de direitos e deveres regido pela sua utilidade coletiva e não só pela sua utilidade econômica. Também foi retratado que uma nova tecnologia é capaz de economizar mais trabalho e que as máquinas funcionam com um mínimo de operários.
No âmbito de “cidadania e identidade”, foi retratada a crescente diferenciação dos sujeitos pela sua inserção nos novos processos produtivos, o desenvolvimento das sociedades complexas e a maior visibilidade da “questão das identidades”, que implicam que a cidadania se enfrenta cada vez mais com a questão da afirmação da diferença e promoção da diversidade. Novas esferas que emanam da subjetividade ou da identidade são hoje politizadas e levadas à luta pelos direitos e compromissos, como:
- Diferenças de gênero e etnia;
- Prática sexual;
- Disciplinas escolares e carcerárias;
- Práticas institucionais diversas.
Além disso, questões que são mais propriamente culturais e, portanto, difíceis de traduzir em políticas de compensação social, como novos papéis da mulher na sociedade e na família, preservação da memória histórica e publicidade da sensibilidade gay.
Dentro do tópico de “estado e cidadania”, foi apresentado que, no plano econômico-financeiro, o Estado perde cada vez mais autonomia e se faz mais vulnerável aos choques externos, mais dependente dos fluxos monetários internacionais e mais fraco para negociar com os grandes prestamistas-fiscalizadores internacionais. No plano político, a margem de manobra de cada Estado restringe-se numa ordem global interdependente e com a clara hegemonia do mundo industrializado. A ideia de um Estado dotado de clareza e capacidade para conduzir a sociedade no caminho do desenvolvimento — ou a ideia fantasiosa de que a política é a arena na qual são tomadas as decisões nos modelos societários centrados na igualdade social e na plena realização do bem comum — perderam a força.
Junto ao tópico da “rede virtual e cidadania”, notamos que ocorre o uso das redes e da lógica de redes na configuração de novos espaços públicos, na comunicação, no acesso à informação e ao conhecimento, no trabalho produtivo e nos novos vínculos com os outros. Quem fica fora da rede fica fora do acesso ao conhecimento, à competitividade e à mobilidade do trabalho, ao bem-estar futuro, à comunicação, à cultura e à cidadania. O potencial integrador da rede é tão exaustivo quanto é o potencial de exclusão para quem não tem acesso a ela.
Em “a cidadania no cruzamento de vulnerabilidades: a discriminação étnico-racial”, foi exposto que os chamados direitos culturais têm adquirido na última década maior força na política, na academia e no imaginário social em geral, associados à defesa da diversidade cultural, às políticas da identidade e da diferença. A discriminação pela etnia e a cultura tem sido acompanhada da exclusão socioeconômica e política de grupos étnicos, especialmente os grupos indígenas, afro-latino-americanos e afro-caribenhos.