Cidade-Jardim de Ebenezer Howard — Aula 4

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Cidade-Jardim de Ebenezer Howard — Aula 4

1. A concepção das garden-cities

  • Tomorrow, de Ebenezer Howard, publicado em 1898.
  • Em 1903, a primeira experiência foi construída em Letchworth, e a segunda em Welwyn, em 1919, ambas na Inglaterra.
  • Tornaram-se protótipos copiados em todo o mundo, especialmente na reconstrução europeia do pós-guerra.
  • Tentativa de uma terceira via, cidade-campo, combinando os benefícios e oportunidades da cidade com a vida considerada mais saudável e natural do campo.
  • População máxima prevista de 32.000 habitantes.
  • Área do município de 2.400 ha, dos quais 400 ha ocupados pela cidade.
  • Rede urbana articulada por ferrovias.
  • Propriedade seria adquirida por homens de posse sob hipoteca. Depois de amortizada a dívida do financiamento inicial, os aluguéis da terra pagos pela população residente se converteriam em recursos para a administração local.
  • Autonomia política e administrativa; ausência da figura do Estado.
  • Segundo Segre, porém, a experiência não passou de uma tentativa desesperada da pequena burguesia para evitar sua progressiva proletarização, já que, sem conseguir atrair atividades econômicas, os moradores vegetaram com uma existência precária e acabaram convertendo-se em cidades-satélites de Londres (Segre, 1988, p.85).

2. O projeto (ver figura ao final)

  • Planta hexagonal radioconcêntrica.
  • Do centro do hexágono, constituído por um parque, partiriam boulevards em direção às zonas industriais e aos subúrbios agrícolas.
  • No entorno do parque: edifícios públicos (câmara municipal, teatro, museu, galeria de arte, sala de concertos etc.) e o comércio, que se desenvolveria no Palácio de Cristal, fechando o espaço do parque.
  • Zonas residenciais formam anéis concêntricos, totalizando 5.500 lotes individuais de 280 m², em média.
  • Algumas quadras residenciais teriam cozinhas e jardins comunitários.
  • Escolas, centros esportivos e igrejas ficariam ao longo da Avenida Central, formando um parque com a função de cinturão verde que separaria as zonas residencial e industrial.
  • Ruas, avenidas e boulevards arborizados.
  • Na zona agrícola, no subúrbio da cidade, residiriam 2.000 pessoas.

3. As experiências inglesas de cidade-jardim

  • Letchworth, a 34 milhas de Londres, afetada pela depressão agrícola, possuía 3.818 acres e foi adquirida e registrada em 1903.
  • Dificuldade para conseguir empréstimos e atrair indústrias. Os primeiros moradores eram idealistas típicos de classe média, artistas e excêntricos; só depois vieram os colarinhos azuis (operários) — a razão de ser das cidades-jardim idealizadas por Howard.
  • Em 1938 tinha apenas 15.000 habitantes. Só foi ampliada após a 2ª Guerra Mundial, graças aos esquemas de descentralização subsidiados pelo governo, o que deu lugar à especulação imobiliária.
  • Antes de Letchworth, Unwin e Parker (arquitetos) já haviam, em 1900, trabalhado no projeto de uma aldeia-jardim — New Earswick — junto a uma fábrica, ao norte de York.
  • Earswick separa-se da fábrica e da cidade por um cinturão verde. Os chalés enfilaram-se em blocos compactos em torno de gramados ou ao longo de caminhos de pedestres e em becos. Um prado e uma sede comunal destacam-se como figuras centrais. Por toda parte, elementos naturais: rios, árvores, sinuosidades.
  • Hampstead significou uma guinada decisiva de Unwin rumo ao subúrbio-jardim. Projetada em 1907, não tinha indústria e dependia para os serviços da estação de metrô.
  • Ideais românticos de beleza, espiritualidade e paz. Por trás de todos os autores e adeptos das ideias da cidade-jardim estavam os escritos de Ruskin e William Morris, que se empenhavam em criticar as pompas mais grosseiras da industrialização e em voltar a uma vida mais simples, centrada no artesanato e na comunidade (Hall, 1995, p.108).
  • Forte influência das ideias de Camillo Sitte.

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