Ciências Ambientais: Recursos e Riscos Naturais

Classificado em Geografia

Escrito em em com um tamanho de 10,72 KB

1. Ciências Ambientais e Ecossistemas

Ecossistema: Trata-se de um espaço físico, caracterizado por uma série de fatores ambientais (temperatura, salinidade, umidade) e recursos bióticos (organismos vivos que nele habitam e se relacionam). O homem extrai dos ecossistemas os recursos e os impactos resultantes do meio. As ciências ambientais dedicam-se ao estudo dos ecossistemas do ponto de vista de várias disciplinas (geologia, química, biologia, direito, ética, etc.).

2. Sobreexploração de Recursos Naturais

Recursos: Tudo o que a humanidade retira da natureza para satisfazer suas necessidades. Os recursos podem ser:

  • Não-renováveis: em quantidades limitadas (ex: petróleo).
  • Renováveis: não se esgotam (ex: eólica).
  • Potencialmente renováveis: podem ser esgotados se forem explorados com maior velocidade do que se regeneram (ex: pesca).

Existe um problema sério relativo à disponibilidade de recursos naturais causado pela explosão demográfica, ou seja, a população tem um crescimento praticamente ilimitado, enquanto grande parte dos recursos é limitada.

3. Desenvolvimento Sustentável

O desenvolvimento sustentável é um tipo de desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades. Promove o equilíbrio entre o econômico, o ecológico e o social.

3.1. Capacidade de Carga e Pegada Ecológica

Capacidade de Carga: Capacidade de um ecossistema de manter a vida dentro dele. Depende de muitos fatores e é difícil de calcular para um sistema complexo como a Terra.
Pegada Ecológica: Terra necessária para produzir os recursos que o homem necessita e assimilar os resíduos que gera. É expressa em hectares por pessoa (EUA: 10 vs. Índia: 0,8). Atualmente, estima-se que seriam necessários 1,5 planetas Terra para garantir o futuro da humanidade.

3.2. Princípios do Desenvolvimento Sustentável

  • Princípio da recolha e extracção sustentável: A taxa de extração de recursos deve ser igual ou menor que a taxa de regeneração.
  • Princípio do esvaziamento sustentável: A taxa de extração deve ser igual à taxa de criação de recursos substitutos renováveis.
  • Princípio da emissão sustentável: As taxas de emissão de resíduos devem ser iguais ou inferiores à capacidade de assimilação dos ecossistemas.
  • Princípio da emissão zero: Reduzir a zero a emissão de poluentes de integração.
  • Princípio da sustentabilidade urbana: Assentamentos urbanos não devem exceder a capacidade de carga do território.
  • Princípio da seleção de tecnologias sustentáveis: Incentivar a utilização de tecnologias mais eficientes.
  • Princípio da precaução: Usar modelos para evitar riscos e desastres ecológicos.

4. A Água como um Recurso

  • A água é um recurso renovável, embora limitado devido, nomeadamente, à distribuição desigual na superfície da Terra e à escassez de água potável imprópria para consumo humano.
  • A escassez de água doce deve-se ao alto crescimento populacional, desenvolvimento urbano, aumento da atividade agrícola e industrial, poluição e desmatamento.
  • Usos da água: agricultura e pecuária (70%), industrial (22%) e doméstico (8%).

O problema da água reside na sobreexploração dos recursos: a taxa de consumo de água é maior do que a renovação, levando ao declínio das reservas de forma dramática. No caso das águas subterrâneas, torna-se muito mais grave.

4.1. Planejamento da Água

Envolve uma série de medidas econômicas, políticas e técnicas:

  • Medidas de poupança: Uso agrícola (sistemas de irrigação, melhoria de culturas), indústria (reciclagem e prevenção de poluição) e urbana (purificação, reuso e educação ambiental).
  • Medidas técnicas: Construção de barragens, reservatórios, usinas de dessalinização e transferências (transposições).
  • Medidas políticas: Desenvolvimento de leis e acordos (ex: Conferência de Dublin, 1992).

5. Recursos da Biosfera

Biosfera: Grupo de ecossistemas encontrados na Terra. Podemos usar os recursos do solo, culturas, gado, silvicultura e pesca.

  • 1. Biodiversidade: Variedade de organismos em uma determinada área. Serve como fonte de alimentos e matérias-primas.
  • 2. Solo: Importante para a agricultura; depende do tipo de cultivo e métodos utilizados.
  • 3. Recursos agrícolas e pecuários: A transição para a agricultura intensiva trouxe problemas ambientais. A agricultura biológica é uma alternativa baseada em recursos naturais, sem produtos químicos sintéticos ou OGM. A pecuária extensiva permite que animais fiquem ao ar livre e se alimentem naturalmente, embora os produtos sejam mais caros.
  • 4. Pescas: Recurso explorado pela alta demanda. Uma alternativa é a aquicultura.
  • 5. Recursos florestais: As florestas fornecem madeira, óleos, resinas e medicamentos, sendo essenciais para a manutenção da biosfera.

6. Recursos Minerais

Os recursos minerais são considerados não-renováveis à escala humana, pois sua formação é muito lenta; o consumo excessivo leva ao esgotamento.

7. Recursos Energéticos

As fontes mais utilizadas são: petróleo, carvão, gás natural, energia nuclear e hidrelétrica. Apenas a última é renovável.

7.1. Energias Convencionais

  • Energia fóssil (carvão, petróleo, gás): Formada por matéria orgânica enterrada. Altamente poluente (gases de efeito estufa).
  • Energia nuclear de fissão: Usa urânio. Problemas: resíduos radioativos e riscos de acidentes.
  • Hidrelétrica: Usa a força da água. Não polui, mas altera ecossistemas. PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) causam menos impacto.

7.2. Energias Alternativas

Incluem a energia solar, eólica, biomassa, geotérmica, hidrogênio e maré-motriz.

8. Pensar Globalmente, Agir Localmente

  • Político: Cimeiras e tratados internacionais (ex: Cimeira da Terra, Rio 1992).
  • Social: Medidas individuais e municipais para economizar energia, reduzir produção de resíduos e promover a reciclagem.

9. Riscos, Catástrofes e Desastres

Risco Natural: Qualquer processo natural que represente ameaça à vida ou propriedade. Pode ser de dinâmica interna (vulcões, terremotos) ou externa (inundações, movimentos de dunas).
Desastre Natural: Efeito perturbador de um fenômeno natural sobre um território.
Catástrofe Natural: Desastre de grande magnitude que requer ajuda externa. A atividade humana pode intensificar seus efeitos.

9.1. Fatores Humanos

Influenciam a intensidade dos desastres: crescimento demográfico descontrolado, aquecimento global, desmatamento e pobreza.

10. Análise e Planejamento de Riscos

10.1. Fatores de Risco

  • A) Periculosidade (P): Probabilidade de um fenômeno causar danos em um local e tempo específicos.
  • B) Vulnerabilidade (V): Representa o prejuízo ou perdas (0 a 1).
  • C) Exposição (E): Total de pessoas ou bens expostos.

Avaliação de Risco (R) = P x V x E.

10.2. Planejamento

  • Previsão: Desenvolvimento de mapas de risco.
  • Prevenção: Medidas estruturais (edifícios resistentes) e não-estruturais (planos de evacuação).

11. Riscos Geológicos Específicos

11.1. Risco Vulcânico

Fatores: tipo de erupção (Havaiana, Estromboliana, Vulcaniana, Pliniana) e tempo de retorno. Previsão: Vigilância de precursores (tremores, temperatura). Prevenção: Ordenamento do território e planos de evacuação.

11.2. Risco Sísmico

Depende da magnitude, profundidade do hipocentro e tipo de solo. Ciclo Sísmico: Fase I (inatividade), Fase II (tensão acumulada), Fase III (pressentimentos) e Fase IV (sismo principal e réplicas). Planejamento: Normas anti-sísmicas e educação para o risco.

11.3. Tsunamis

Ondas gigantes geradas por maremotos ou erupções submarinas. Podem ser detectados por tsunamómetros, permitindo a evacuação.

11.4. Diapiros Salinos

Massas de sais que ascendem devido à baixa densidade, gerando instabilidade no terreno. Prevenção: evitar infiltrações de água.

11.5. Subsidência e Colapsos

Podem ser bruscos (colapsos em terrenos cársticos ou mineração) ou lentos (subsidência em solos argilosos por extração de água).

11.6. Solos Expansivos

Solos (como argilas) que mudam de volume com a umidade, afetando a estabilidade de edifícios.

11.7. Movimentos de Dunas

Invasão de áreas humanas por areia. Prevenção: barreiras e revegetação.

11.8. Deslizamentos de Terra

Movimentos de massa por gravidade. Causas naturais (chuvas, sismos) ou antrópicas (desmatamento). Medidas: muros de contenção, drenagem e reflorestamento.

12. Riscos Climáticos

  • Ciclones, Furacões e Tufões: Tempestades tropicais rotativas com ventos violentos.
  • Gota Fria (DANA): Comum na Espanha; massa de ar frio cercada por ar quente, causando chuvas torrenciais.
  • Inundações: O desastre natural mais destrutivo. Causadas por chuvas intensas ou atividades humanas (impermeabilização do solo).

13. Risco Cósmico

Possibilidade de impacto de meteoritos, asteroides ou cometas. Embora a probabilidade de grandes impactos seja baixa, as consequências seriam catastróficas.

Entradas relacionadas: