Ciências Sociais e a Sociedade Managerial

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Ciências Sociais

Prof. Pedro Mahfuz Junior

Para Chanlat (2000, p. 15-16), durante as últimas décadas, as sociedades contemporâneas conheceram numerosas transformações sociais. Entre elas, três retiveram a atenção do sociólogo:

  • A hegemonia do econômico;
  • O culto da empresa;
  • A influência crescente do pensamento empresarial sobre as pessoas.

A hegemonia do econômico que assistimos em nossa sociedade é, de fato, a da lógica do capitalismo, fundada na propriedade privada, no jogo de interesses pessoais, na busca do lucro e da acumulação que se impôs gradualmente por toda parte. Nos últimos anos, a queda do Muro de Berlim, o fracasso das soluções coletivas e a crise do Estado Providência contribuíram para reforçar essa lógica. Alguns de nossos contemporâneos não hesitam em nos convencer a confiar na "mão invisível" do mercado e, principalmente, na dos mercados financeiros, reportando-nos ao grande Adam Smith.

O culto à empresa, que atingiu seu apogeu nos anos 80, teve duas consequências importantes: a difusão massiva dos discursos e das práticas de gestão em setores mantidos até então fora da influência do espírito gestionário e o aumento considerável do número de estudantes em gestão em toda parte no mundo. Esses dois fenômenos, conjugando-se, provocaram a emergência de uma sociedade que se poderia qualificar de managerial, no interior da qual o gestor, ou o homo administrativus, transformou-se em uma das figuras dominantes.

As manifestações dessa sociedade managerial são múltiplas. Inicialmente, do ponto de vista linguístico, pode-se observar o quanto as palavras "gestão", "gerir" e "gestor" fazem parte do linguajar utilizado em nossas comunicações cotidianas. Em seguida, do ponto de vista da organização, pode-se notar o quanto as noções e os princípios administrativos originários da empresa privada — eficácia, produtividade, performance, competência, empreendedorismo, qualidade total, cliente, produto, marketing, desempenho, excelência, reengenharia... — invadiram de forma absoluta as escolas, universidades, hospitais, administrações públicas, serviços sociais, museus, teatros, associações musicais e organizações sem fins lucrativos.

Na esfera da vida privada, pode-se observar a invasão managerial. Hoje, não se exprimem mais as emoções, mas elas são gerenciadas, assim como o emprego do tempo, as relações, a imagem e mesmo a identidade. O managerialismo, isto é, o sistema de descrição, de explicação e de interpretação do mundo a partir das categorias da gestão, está profundamente instalado na experiência social contemporânea. Ele é o produto de uma sociedade de gestores que busca racionalizar todas as esferas da vida social.

É nesse contexto que a relação entre as ciências sociais e a gestão situa-se atualmente. Pode-se avaliar o quanto essa dinâmica insere-se no processo de racionalização do mundo analisado, no início do século XX, por Max Weber.

Passet, apud Chanlat:

"O político e o social reduzidos ao econômico e este ao financeiro é o duplo reducionismo que rege hoje os negócios do planeta. Entre a lógica da vida e a das finanças se joga o destino do mundo." (René Passet, 1996, p. 231).

Chanlat (2000, p. 21) entende que a maior parte das Ciências Humanas ou Sociais surgiu no século XIX. Elas são o produto de uma sociedade ocidental que, a partir do século XVIII, introduziu a mudança permanente e, apoiada em uma perspectiva racional, rompeu, de um lado, com a religião e, do outro, com a literatura. A gênese das Ciências Sociais é o fruto das sociedades em profundas mutações que não só procuram compreender a si mesmas e explicar melhor o que se passa, mas também controlar e prever mais, como o explicava o criador do vocábulo sociologia, Auguste Comte.

Questão

1. O que é sociedade managerial conforme Chanlat e como você vê essa sociedade?

Resposta:

Bibliografia

CHANLAT, Jean-François. Ciências sociais e management: reconciliando o econômico e o social. Tradução de Ofélia de Lanna Sette Tôrres. São Paulo: Atlas, 2000.

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