O Círculo de Giz Caucasiano: Resumo e Análise

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Há muito tempo, em uma cidade apelidada de “A Maldita”, vivia um governador, Georgi Abaschvíli. Era muito rico e tinha um único herdeiro, Miguel, e uma linda mulher, Natella Abaschvíli. Por ocasião de uma revolta popular, o governador é deposto e sua cabeça é cortada e presa no alto do pórtico do palácio.

“Quando desaba a casa de um graúdo, são esmagados muitos dos pequenos: os que compartilhar jamais puderam da sorte dos poderosos, em geral compartilham do azar deles. A carruagem que se despenca no abismo leva com ela os cavalos suados.” — Pág. 198.

Grusche, uma empregada da corte, encontra Miguel, um bebê fidalgo, abandonado no pátio do palácio. Este foi esquecido por sua mãe fútil, que preferiu fugir levando consigo coisas materiais em detrimento do próprio filho. Grusche salvou sua vida.

Sendo perseguida por todos os lados por soldados que buscavam recompensas, Grusche se vê diante da possibilidade de abandonar a criança em vários momentos. Passando fome e frio, vive a dualidade do desejo de estar só e manter-se segura para esperar o noivo voltar da guerra e da incapacidade de deixar o bebê no meio do caminho.

Escondida na casa do irmão, Laurenti, se depara com a bondade deste e o conservadorismo da cunhada. Para não levantar suspeita e esconder o menino, Grusche se casa com um moribundo para que a criança tenha um nome e possa ser disfarçada dos olhos dos revoltosos; assim, se torna a sua mãe de criação.

Mas é apenas um breve fôlego, pois para começar um debate sobre a questão da propriedade, aparece a rainha Natella Abaschvíli e reivindica a maternidade sobre o filho. Manda seus guardas à procura da criança, pois este, único herdeiro do governador, era a sua esperança em voltar a ter a sua vida fútil e rica. Encontrado escondido com Grusche, Miguel é levado ao Juiz para que possa ser feito um julgamento sobre a “propriedade da criança”.

O juiz era Azdak, um beberrão que é empossado pelo próprio povo em um momento de transição e caos político. Era um fanfarrão que quer se dar bem a todo o momento, mas nutre sentimentos revolucionários por influência de um avô, decepcionado com o fato de que a queda dos velhos senhores não trouxe um novo tempo, mas um tempo de novos senhores. Virando a lógica burguesa pelo avesso, de modo a absolver os pobres e condenar os mais poderosos, Azdak lança mão de qualquer artifício para reverter o conceito de justiça estabelecido pela ordem dominante. Esse juiz é como um “para-raios” de todas as contradições históricas, um cara que, por um instante, achou que estava acontecendo uma revolução e aproveitou essa brecha histórica para trabalhar. Azdak faz o que for preciso para manipular as leis e, assim, dar ganho de causa aos pobres porque se comporta como um ambíguo “Justo” das fábulas antigas. Ele é o “Robin Hood” da época; não é um herói, mas que por vias tortas acaba ajudando os excluídos.

O juiz resolve o problema posto da seguinte forma: utiliza-se de um recurso arbitrário e inventa uma prova. Desenha um círculo de giz em torno de Miguel e pede para as duas mães o puxarem. Nas duas tentativas, Grusche solta o menino por duas vezes, pois não pretende machucá-lo.

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