Os Clássicos da Sociologia: Durkheim, Marx e Weber

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Sociologia

Os Clássicos da Sociologia: Durkheim, Marx e Weber

As principais ideias de cada um dos autores estudados, as diferenças entre as ideias dos autores e mais...


Apresentação

Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a). Vamos conhecer as perspectivas clássicas da Sociologia, desenvolvidas por Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber. Discutiremos algumas de suas principais concepções sobre a sociedade capitalista do final do século XIX, tentando compreender o seu funcionamento.

A Sociologia surge no contexto de desintegração da sociedade feudal e da consolidação da sociedade capitalista. A intensa industrialização e urbanização trouxeram consequências sociais que alteraram os modos de vida tradicionais: aumento da prostituição, do alcoolismo, da criminalidade, das doenças e da pobreza, alteração dos processos de trabalho. A vida em sociedade transformou-se num problema e esses pensadores se dispuseram a tentar decifrá-lo, nas suas dimensões sociais, econômicas, políticas e culturais. A sociedade transformou-se, assim, num objeto que precisava ser investigado. Bons Estudos!


Objetivos de Aprendizagem

Ao final deste módulo você deverá ser capaz de:

  • Identificar as principais ideias de cada um dos autores estudados;
  • Identificar as diferenças entre as ideias dos autores;
  • Compreender como esses autores, apesar das diferentes explicações, analisam sociologicamente a realidade.


Ficha Técnica

FUMEC VIRTUAL - SETOR DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

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BELO HORIZONTE - 2014

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Os Clássicos da Sociologia: Durkheim, Marx e Weber

Émile Durkheim (1858-1917)

Émile Durkheim é considerado o pai da Sociologia. Ele se propôs a construir a Sociologia como uma ciência autônoma, que deveria analisar a sociedade e propor intervenções necessárias para o ordenamento e integração sociais. Apesar da crise social de sua época, via com otimismo a sociedade industrial.

Mais do que os fatores econômicos, Durkheim vê a moralidade como a grande força coesiva da sociedade. A função básica da sociedade é justamente transmitir valores morais, orientando as condutas individuais em prol da ordem social. Acreditava que os conflitos seriam resolvidos pela recuperação dos valores morais, por meio da formação de instituições públicas, tais como a educação e o direito, capazes de se impor aos membros da sociedade e estabelecer a ordem. A função da Sociologia seria detectar problemas, buscar soluções e restaurar a normalidade social.

Metodologia

Durkheim, ocupado em definir a Sociologia como uma ciência autônoma, define o seu objeto de estudo — os fatos sociais — e estabelece as regras do método para a investigação rigorosa deste objeto. Os fatos sociais deveriam ser tratados como coisas, nos moldes dos fenômenos da natureza. Para esse pensador, a sociedade é regulada por leis e os métodos são similares aos das ciências da natureza. O observador deve limitar-se à análise e observação dos fenômenos sociais, livre de julgamentos de valor e pré-noções.

Vejamos, então, os temas e conceitos fundamentais da Sociologia de Durkheim:
O Fato Social

Os fatos sociais são maneiras de agir, pensar e sentir exteriores ao indivíduo, dotadas de poder coercitivo, e que possuem três características:

  • A exterioridade: existem antes do nascimento do indivíduo e atuam sobre ele independentemente de sua vontade.
  • A coercitividade: atuam de maneira a obrigar os indivíduos a agirem em conformidade com as regras estabelecidas pela sociedade.
  • A generalidade: os fatos sociais são gerais numa dada sociedade e não episódios esporádicos.

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Exemplos: A educação, as leis, a moda.

Os fatos sociais existem fora dos indivíduos, mas pelos processos de socialização são interiorizados e passam a existir em suas consciências. Para Durkheim, a sociedade exerce coerção sobre os indivíduos, fazendo-os assumirem papéis específicos e agir em conformidade com as regras.

A divisão do trabalho social: solidariedade mecânica e solidariedade orgânica

Segundo Durkheim, os tipos de sociedade variam de acordo com o tipo de solidariedade predominante (os laços que unem os indivíduos). Dois tipos de solidariedade são identificados pelo autor e se vinculam a tipos específicos de divisão do trabalho social: a solidariedade mecânica e a solidariedade orgânica. Vejamos como isso se dá.

A solidariedade mecânica é própria das sociedades com pequeno grau de divisão do trabalho, simples e tradicionais, onde os indivíduos se identificam por meio da família, da religião, da tradição, dos costumes. São sociedades com baixa diferenciação, em que o padrão moral se impõe sobre os indivíduos, tornando a interação social marcada pela homogeneidade de valores, sentimentos, ações, garantindo a coesão social.

A solidariedade orgânica é marcante nas sociedades mais complexas e modernas, onde existe uma maior divisão do trabalho e uma maior individualidade, pois as pessoas criam autonomia em relação à consciência coletiva. Mesmo assim, a coesão social é garantida não pelos costumes e tradições comuns, mas pela interdependência de indivíduos que exercem funções especializadas e distintas e que precisam uns dos outros. Assim, ao contrário do que pode parecer ao senso comum, para Durkheim o efeito mais importante da divisão do trabalho não é o aumento da produtividade, mas a solidariedade que gera entre os homens. Desse modo, a divisão do trabalho no capitalismo se intensificaria devido ao aumento do volume da população, o que aumentaria a aproximação dos indivíduos, gerando maior comunicação e interdependência social.

O normal e o patológico – o conceito de anomia

Desejoso de consolidar a Sociologia como uma ciência, Durkheim trabalhou com concepções próprias das Ciências da Natureza empregando as ideias de normal e patológico para caracterizar os fenômenos sociais, comparando a sociedade a um organismo vivo. Um fenômeno social pode ser considerado normal se for encontrado na sociedade de forma generalizada e ocorrer em níveis que não coloquem em risco a integração social. O crime, por exemplo, é um fenômeno normal, pois é encontrado em sociedades de todos os tipos, é geral, e, ao criar a punição, serve para lembrar e fortalecer os valores de toda sociedade.

Um fato social patológico, por sua vez, ao atingir grandes dimensões, põe em risco a integração social e dificulta a adaptação do indivíduo ao meio. Durkheim se deparou com um problema ao constatar que nas grandes cidades industriais do final do século XIX e início do XX, as relações sociais não estavam suficientemente reguladas por uma moralidade comum. O problema, afirmava Durkheim, era que as transformações socioeconômicas ocorriam de forma tão veloz que não eram acompanhadas por um novo conjunto de ideias morais que guiassem os indivíduos. Esse descompasso entre avanço industrial e ideias morais fazia com que a sociedade mergulhasse em um estado de ausência de regras. Durkheim chamou a essa “doença social” de anomia. A sociedade deixa de exercer o controle sobre o comportamento dos indivíduos e para que fosse “sanada” seria preciso reforçar as regras e leis existentes, de modo a aumentar a integração social.

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A visão de sociedade de Émile Durkheim

Como foi visto, a perspectiva sociológica durkheimiana enfatiza o poder da sociedade sobre os indivíduos, coagidos a seguirem regras. Em outras palavras, a sociedade é que controla as ações individuais, o indivíduo aprende a seguir normas exteriores que não foram criadas por ele. Caso ultrapasse as fronteiras sociais impostas, o controle social fará sentir sua presença. O fato social, objeto da Sociologia de Durkheim, reúne características que demarcam o poder da sociedade diante do indivíduo.


Karl Marx (1818-1883)

Intelectual alemão, filósofo, historiador, economista e jornalista, foi criador de uma das grandes teorias que influenciou consideravelmente os séculos dezenove e vinte. É considerado um dos fundadores da Sociologia.

A análise de Marx é uma resposta aos problemas colocados pela sociedade burguesa e também uma proposta de transformação dessa sociedade, considerada estruturalmente injusta, já que baseada na exploração do trabalho do proletariado pela burguesia.

As premissas básicas do pensamento marxista

Marx buscou investigar os fenômenos sociais ancorado nas relações materiais de produção. Para ele, a atividade básica, “primeira”, da vida humana é o trabalho. Pelo trabalho o homem se transforma em ser social. Por isso, o modo de produção da vida material, ou a maneira pela qual os homens se relacionam no trabalho para produzir sua vida, é a chave explicativa para o funcionamento de uma sociedade.

A premissa da análise marxista da sociedade é que os homens, por meio da interação com a natureza (forças produtivas) e com outros homens (relações de produção), produzem e organizam-se socialmente, estabelecendo relações sociais. Por isto, para compreender os fenômenos humanos na sua totalidade, Marx elegeu como objeto de estudo da sociedade as relações materiais de produção. Essa capacidade de organização para o trabalho distingue os homens dos animais.

Sociedade Burguesa: Por burguesia podemos entender a classe dos capitalistas modernos, donos dos meios de produção (máquinas, fábricas) e empregadores do trabalho assalariado.

Trabalho do Proletariado: Operários assalariados modernos que, por não possuírem os meios de produção, são obrigados a vender sua força de trabalho aos burgueses.

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O materialismo histórico dialético é o método de análise da história utilizado por Marx, segundo o qual o modo de produção da vida material condiciona o conjunto da vida social, política e espiritual. A essa premissa foi agregada a visão dialética da realidade, baseada na “unidade dos contrários”: toda realidade compreende tese, antítese e síntese.

A tese é uma afirmação de uma situação inicialmente dada; a antítese é uma oposição à tese; do conflito entre tese e antítese surge a síntese, que é uma situação nova que carrega dentro de si elementos resultantes desse embate. A síntese, então, torna-se uma nova tese, que gera novas antítese e síntese, em um processo contínuo.

Com base nesse método, Marx argumentava que os sistemas sociais mudam devido a um processo de luta entre classes que têm interesses contrários, gerando tensões que chegam a um nível tão alto que levam à mudança do modo de produção e à criação de uma nova sociedade.

Na sociedade capitalista, por exemplo, os interesses dos donos dos meios de produção (o aumento do lucro) são contrários aos interesses dos operários (o aumento do salário e a melhoria das condições de trabalho). A análise de Marx mostrou que a história é movida pela luta de classes e pode ser entendida como uma sucessão de modos de produção. Assim, o modo de produção feudal, pelas contradições de classe, levou à constituição do modo de produção capitalista. De acordo com essa lógica, o capitalismo não é eterno; tal como os modos de produção que o precederam, é uma etapa transitória da história humana.

Para Marx, a infraestrutura econômica (modo de produção, meios de produção e relações de produção) é a base da vida social. Dela se originam a superestrutura jurídico-política e outros aspectos não materiais da vida social, incluindo a linguagem, as crenças, as instituições tais como a família, a religião e o Estado, às quais correspondem maneiras específicas de pensar e enxergar o mundo e o funcionamento da sociedade (formas de consciência).

“Não é a consciência dos homens que determina a realidade; ao contrário, é a realidade social que determina sua consciência.” (Marx, no Prefácio à Introdução à Contribuição à Crítica da Economia Política, 1859).

Para citar um exemplo da relação entre infra e superestrutura, Marx lembra que as instituições políticas capitalistas (parte da superestrutura) em geral são instrumentos a serviço da reprodução da estrutura de classes, servindo aos interesses da classe dominante, a burguesia.

ATENÇÃO: Como afirmava Marx, o que os indivíduos são coincide com a sua produção, tanto com aquilo que produzem como com a forma como produzem.

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Marx chama a atenção para o fato de que, se por um lado o trabalho humanizou o homem e o distinguiu dos animais, no sistema capitalista isso é alterado. A riqueza social, resultante do trabalho humano, é apropriada por uma única classe social, por meio de um instrumento legítimo que é a propriedade privada. Sendo assim, a única liberdade do trabalhador passa a ser a de vender sua força de trabalho, tornando-se uma mercadoria. Para Marx, esse processo implica na alienação e na desumanização do homem moderno.

A alienação, para Marx, tem um sentido negativo em que o trabalho, ao invés de realizar o homem, o escraviza; ao invés de humanizá-lo, o desumaniza. No capitalismo, o trabalho passa a ser uma atividade fragmentada (o operário não desenvolve todo o processo de trabalho), e o produto do seu trabalho é apropriado pelos donos dos meios de produção. Além disso, as mercadorias produzidas valem mais do que a própria força de trabalho do trabalhador!

O capitalismo na visão de Marx

Aplicando a premissa materialista dialética à análise do capitalismo, Marx mostrou que nesse sistema as relações de produção são fundamentadas na propriedade privada dos meios de produção e na venda da força de trabalho assalariada. O capitalismo é marcado por relações sociais de produção nas quais uns são proprietários dos meios de produção (burgueses) e outros vendem sua força de trabalho como mercadoria (operários) para garantir a reprodução material de suas vidas.

O capitalista paga o salário ao trabalhador, mas esse salário nunca corresponde ao valor produzido pelo trabalhador. A diferença entre o valor das mercadorias produzidas e o valor pago ao trabalhador é a mais-valia, apropriada pelos empresários e fonte de riqueza, enquanto o trabalhador continua pobre.

Veja o exemplo: um empregado de uma fábrica de computadores, em oito horas diárias de trabalho produz, ao final do mês, muitos equipamentos. Porém, recebe uma pequena parte disso em forma de salário. Muitas vezes o que recebe não dá para comprar o que ele produz.

Você deve se perguntar: Mas isso é justo? Por que as pessoas não se revoltam contra essa situação? Para Marx, a superestrutura ideológica e os valores e crenças disseminados por ela são um poderoso fator de sustentação e justificação da dominação de uma classe por outra. A escola, o Estado e suas instituições, as leis, a Igreja servem como mecanismos de socialização e controle social que auxiliam na manutenção do sistema. De acordo com esse autor, somente o fim do capitalismo e a criação de uma sociedade mais justa poderão abolir essas relações de exploração.

SAIBA MAIS: Acesse o blog Oficina Sociológica 1.

1 http://oficinasociologica.blogspot.com.br/2012/04/classicos-da-sociologia-karl-marx.html

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Max Weber (1864-1920)

Diferentemente de Karl Marx, o alemão Max Weber busca compreender o sentido da ação social em contextos variados. Ele não elege uma explicação única, como o fez Karl Marx com a infraestrutura material, mas enfatiza a causalidade múltipla que incide nos fenômenos sociais.

Weber questionava a possibilidade de produzir leis sobre os fenômenos sociais, nos moldes das Ciências da Natureza, pois via a realidade social como caótica, marcada pela imprevisibilidade e descontinuidade. Isso dificultava a elaboração de leis e generalizações dos fenômenos sociais.

Considerava que o cientista deveria assumir uma posição profissional neutra quanto às preferências políticas e ideológicas. Para esse autor, a Sociologia é a ciência da ação social, ele volta-se para a compreensão da conduta, das motivações e consequências dos atos dos homens vivendo em sociedade.

Ação social é a ação cujo sentido subjetivo está voltado para outras pessoas. Por exemplo, quando fechamos a janela do quarto para evitar que alguém nos observe, estamos realizando uma ação social, já que seu sentido está voltado para outras pessoas, os possíveis observadores.

Para entender o funcionamento da sociedade, seria necessário verificar e compreender as motivações dos indivíduos ao realizarem ações sociais. Para isso, Weber adotou o método compreensivo. Esse método parte da observação dos indivíduos no curso de suas interações sociais, visando captar o sentido de suas ações, as motivações pelas quais criam organizações, religiões, sociedades, grupos etc. No entanto, Weber observa que o resultado dessas ações pode ser bem diferente das motivações que as impulsionaram.

O tipo ideal como método de análise

O método de análise de Weber se baseia na formulação de “tipos ideais”, instrumentos de referência que orientam a investigação do sociólogo. São chamados ideais por serem produto das ideias, da razão do sociólogo que observa a realidade e dela extrai elementos repetitivos, relacionados ao que se quer estudar. A reunião e organização desses elementos forma um tipo ideal, que é normalmente uma simplificação da realidade; esta é muito mais complexa do que pode abarcar um tipo ideal, também chamado de puro.

O tipo ideal é um ponto de partida para a análise sociológica e permite analisar fatos reais tanto naquilo em que se adequam ao ideal quanto naquilo em que se desviam do ideal. Por exemplo, quando pensamos em educação temos em mente um conjunto de características observáveis, que formam um tipo ideal de educação. Ao observar empiricamente um sistema educacional, utilizamos o tipo elaborado e verificamos, a partir das motivações dos indivíduos que o compõem, o grau de aproximação e distanciamento desse tipo puro das instituições educacionais de um contexto específico.

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Tipos de ação social

A partir do conceito de ação social, Weber desenvolveu uma tipologia de ações sociais, buscando entender as principais motivações dos indivíduos em sociedade. Os tipos de ação social nunca são encontrados na realidade em toda a sua pureza (lembre-se que são “ideais”). Na maioria das vezes, os quatro tipos de ação encontram-se misturados.

  • Ação tradicional: ditada por tradições, costumes. Ex: casar na Igreja.
  • Ação afetiva: não racional, é baseada em sentimentos e afetos. Ex: torcer por um time.
  • Ação racional orientada para valores: racional, a ação é importante em si mesma e não os seus fins. Ex: trabalho voluntário.
  • Ação racional orientada para fins: racional, o importante é o resultado. Ex: a empresa capitalista; um engenheiro que constrói um edifício.

Na sociedade moderna predomina a ação racional orientada para fins, aquela que decorre de um planejamento eficiente e busca alcançar metas. Nessa sociedade, esse tipo de ação tornou-se predominante. Pautada pelo planejamento e pela racionalidade, alcançou as mais diferentes áreas da sociedade: a educação, a religião, a fabricação de alimentos etc. Vejamos um exemplo: num supermercado, cujo objetivo é vender mercadorias, a disposição dos produtos nas prateleiras não é aleatória, mas totalmente planejada. Os produtos de maior consumo são posicionados em locais estratégicos, de modo a fazer com que os consumidores, para os adquirirem, tenham que percorrer o supermercado, passando por outros produtos, de modo a serem estimulados a comprá-los. As padarias dos supermercados geralmente estão no fundo das lojas, não é?

Tipos de dominação

Assim como os outros dois pensadores clássicos da Sociologia, Weber se interessou pelo problema da ordem social. Para explicar a manutenção da ordem, criou uma tipologia de tipos de dominação. Dominação significa a possibilidade de alguém impor a vontade própria a terceiros, de forma legitimada. Para o autor, a dominação representa um dos elementos mais importantes da ação social, já que todas as áreas da ação social mostram-se profundamente influenciadas por complexos de dominação.

São três tipos puros de dominação:

  1. Tradicional: baseada nos costumes e na tradição. Ex: a família patriarcal, em que os filhos obedecem ao pai por uma relação de fidelidade consolidada pela tradição.
  2. Carismática: baseada na capacidade de liderança de um líder dotado de qualidades extraordinárias e que tem uma proposta de rompimento do que está estabelecido, para criar uma nova ordem. Ex: profetas religiosos.
  3. Racional-legal: baseada nas leis do direito. Indivíduos submetem-se às regras formalmente definidas e aceitas por todos os integrantes. Essas regras determinam ao mesmo tempo a quem e como as pessoas devem obedecer. Ex: a empresa moderna, na qual o empregado acata as ordens de um superior, de acordo com as cláusulas (regras, leis) do contrato assinado.

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Os estudos sociológicos de Weber

Dentre os interesses de estudos sociológicos de Weber, podemos destacar a religião e a burocracia.

Com relação à religião, em seu livro “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, buscou examinar as relações entre religião e conduta econômica dos indivíduos, e mostrou que, no caso do capitalismo ocidental, houve uma afinidade entre os valores do protestantismo, particularmente o calvinismo, e do capitalismo. Essa religião criou uma nova mentalidade religiosa que se adequava ao espírito do capitalismo, valorizando o trabalho, o empreendimento individual, o lucro. Contribuiu assim para a acumulação de riqueza e novos investimentos, a base do capitalismo.

Quanto à burocracia, Weber considerava que a sociedade moderna estava profundamente imersa num processo de racionalização, que atingia as mais diferentes áreas. O fenômeno social que representa essa racionalização é a burocracia moderna, exemplo de institucionalização da ação racional-legal, adotada pelas empresas como método de administração. Esse sistema possui três características essenciais:

  • É regulado por normas formais, o que torna o comportamento dos funcionários previsível e controlado.
  • É impessoal, sendo os cargos e suas funções mais importantes do que as pessoas que os ocupam.
  • O burocrata tem uma especialidade técnica.

Ponto importante em relação à burocracia moderna diz respeito às vantagens técnicas desse tipo de organização: precisão, velocidade, clareza, conhecimento dos arquivos, continuidade, discrição, unidade, subordinação rigorosa, redução do atrito e dos custos.

Para Weber, a burocracia é um sistema social que se aproxima dos ideais democráticos, pois promove a igualdade de oportunidades e premia o mérito pessoal. Porém, a intensidade da penetração dos princípios burocráticos nas mais diferentes áreas da sociedade construiu um mundo cada vez mais administrado, em que a espontaneidade, a autonomia e a criatividade dos indivíduos perderam espaço. Na sociedade contemporânea, todas as instituições se tornam administradas nos moldes da burocracia, sejam igrejas, escolas ou clubes de futebol.

A vida numa sociedade excessivamente burocrática coloca seus membros numa “gaiola de ferro”, segundo Weber, fazendo com que o sentido da ação humana passasse a ser orientado basicamente por questões impessoais e instrumentais.

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Síntese

Pudemos observar que cada um dos pensadores considerados adota uma perspectiva de análise para a compreensão da relação indivíduo-sociedade. Enquanto Karl Marx analisa a sociedade a partir das relações materiais de produção, Max Weber busca compreender o sentido da ação social, não como determinada pelas relações produtivas, mas sim por elementos variáveis e múltiplos que orientam as ações humanas: religião, economia, dentre outros. Para Émile Durkheim, o importante era o fenômeno coletivo e não o comportamento individual, pois a sociedade está acima do indivíduo.

Os três autores contribuíram e ainda contribuem para a análise das complexas sociedades capitalistas modernas. Tal entendimento auxilia o desempenho profissional nas mais diferentes áreas.


Referências

  • DURKHEIM, E. As Regras do Método sociológico. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
  • GERTH, H.; WRIGHT MILLS, C. (orgs). Ensaios de Sociologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 1974, p. 229-282.
  • LALLEMENT, Michel. História das ideias sociológicas: Das origens a Max Weber. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2004.
  • MARX, K.; ENGELS, F. A ideologia alemã. 6. ed. São Paulo: Boitempo, 1987.
  • QUINTANEIRO, Tânia; BARBOSA, Maria Lígia de; OLIVEIRA, Márcia Gardênia Monteiro de. Um toque de clássicos. 1. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2003.
  • WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 5. ed. São Paulo: Pioneira, 1967.

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