Classificação Biológica: Origem, Sistemas e Importância
Classificar é uma tendência que nossa espécie tem ao dar ordem às coisas, criando variedades e facilitando nossa compreensão e a maneira de lidar com as diferenças e semelhanças. Classificamos, por exemplo, o que colocamos em cada uma de nossas gavetas: meias, camisas, documentos; os filmes: romance, comédia, terror; e até as pessoas: engraçada, legal, inteligente, chata, etc. Para determinar “o que é” e “o que não é” de cada grupo, utilizamos critérios para tal.
Assim, a classificação biológica é uma forma de melhorar nossa compreensão acerca do mundo vivo. Ela, provavelmente, acompanha a história de nossa espécie em nosso planeta, desde os tempos mais remotos. Entretanto, o sistema binomial, tal como conhecemos, tem origem em Lineu, que classificou as espécies de acordo com a morfologia.
Trabalhar a classificação biológica com suas alunas e seus alunos das séries iniciais é, também, uma forma de fazê-los compreender um pouco mais sobre os sistemas biológicos e o porquê desta existir.
Para desenvolver esses conceitos, uma proposta é pedir, sem mais explicações, que cada aluno leve para a próxima aula, por exemplo, um objeto de cozinha e um pano. Assim, nesse dia, deverá separar seus alunos em grupos menores a fim de que cada um organize os materiais que foram trazidos.
Ao final do prazo estabelecido, solicite que cada grupo apresente os critérios de organização: provavelmente, os grupos não se utilizarão da mesma linha de raciocínio.
Baseado nessa dinâmica, poderá ser trabalhado o porquê de se classificar, o histórico da classificação biológica (Aristóteles, Conrad von Gessner, Lineu, dentre outros), os cinco reinos, os vírus, dentre outros assuntos relacionados. Essa aula/dinâmica pode ser executada antes de dar início ao estudo dos reinos vivos e, durante o estudo destes, poderá, por exemplo, levar chaves de classificação e alguns exemplares de espécies (invertebrados, por exemplo) para que identifiquem o táxon desses seres.
Os sistemas de classificação utilizados até o começo do século XVIII tinham algo em comum: eram apoiados em um número extremamente limitado de características dos organismos que estavam sendo analisados. Assim, por exemplo, surgiu uma classificação que dividia os animais de acordo com sua forma de locomoção: caminhantes, saltadores, voadores, nadadores.
Os inconvenientes de uma divisão como essa são óbvios, pois um mesmo grupo pode conter seres muito diferentes, contrariando o objetivo principal da classificação. Por exemplo: insetos, pássaros e morcegos são animais voadores. Apesar de muito diferentes quanto à sua estrutura, ficam no mesmo grupo por terem uma única característica comum: o fato de poderem voar.
Sistemas de classificação como esses, que utilizam um único critério para separar os organismos em grupos, ficaram conhecidos como artificiais, pois faziam uso apenas de caracteres macroscópicos.
Entretanto, a partir do século XVIII, os sistemas de classificação tornaram-se naturais, usando critérios objetivos dados de forma conjunta pela morfologia, fisiologia, ecologia e embriologia. Tais sistemas trouxeram duas importantes vantagens: primeiro, o fato de os organismos serem separados em grupos com base em múltiplas características assegura que fiquem reunidos seres realmente semelhantes, satisfazendo os objetivos da classificação; segundo, realiza-se a divisão dos organismos com base em seu parentesco evolutivo, refletindo a filogenia, que é a história evolutiva de um grupo.
Carl Lineu, ou simplesmente Lineu (1707 – 1778), foi um dos primeiros pesquisadores a propor um sistema de classificação natural. Em 1758, no seu Systema Naturae, dividiu os animais em mamíferos, aves, anfíbios (incluindo os répteis), peixes, insetos e vermes (que incluíam todos os outros invertebrados), subdividindo cada grupo até as espécies. Propôs também regras para a nomenclatura dos seres vivos com o uso de palavras latinas. Lineu viveu antes de Darwin e, portanto, antes do estabelecimento da teoria da evolução.