Comércio Internacional: Teorias, Benefícios e Barreiras
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1. O comércio internacional e as nações comerciais
O comércio internacional ocorre quando as negociações comerciais ultrapassam as fronteiras nacionais. Bens e serviços que um país vende no exterior são as exportações, e o que outros países compram são as importações.
1.1 Por que ocorre o comércio?
O desenvolvimento do comércio internacional é explicado por quatro razões principais:
- Distribuição desigual dos recursos naturais: existem alguns recursos que ocorrem somente em alguns países, o que os torna os únicos exportadores desses recursos;
- Diferenças nos gostos dos consumidores: embora ambos os países tenham condições de produção semelhantes, é possível estabelecer comércio se os seus consumidores tiverem gostos diferentes;
- Diferenças nos custos de produção: os países precisam exportar aqueles bens que são capazes de produzir de forma relativamente mais barata;
- Desenvolvimento tecnológico desigual: os diferentes estados inseridos no mundo apresentam níveis distintos de tecnologia, fazendo com que alguns produtos novos ou tecnologicamente avançados ocorram somente em alguns países.
1.2 O impacto do comércio
O comércio internacional pode alterar os recursos que são abundantes em um país por aqueles que têm pouca ou nenhuma presença no seu território. Como resultado, os consumidores desfrutam de uma maior variedade de bens. As empresas podem ter um mercado muito mais amplo para a venda dos bens que produzem, levando a uma oportunidade maior de especialização, condição necessária para produzir um aumento da produtividade.
2. Teorias sobre os benefícios do comércio internacional
2.1 O princípio da vantagem comparativa
Pelo princípio da vantagem comparativa, os países tendem a se especializar na produção e exportação do bem que podem produzir a um custo relativamente baixo comparado a outros países. Cada país tende a exportar produtos que usam intensivamente o fator de produção mais abundante no país, enquanto importa bens que usam intensivamente o fator de produção mais escasso. Esse princípio evidencia a diferença na estrutura das economias como causa dos fluxos de comércio internacional.
2.2 O comércio intra-industrial
A realidade mostra que também são importantes os fluxos comerciais entre economias semelhantes, mesmo trocando o mesmo tipo de produto. Fala-se de comércio intra-industrial quando dois países trocam mercadorias dentro da mesma indústria ou setor. Isso permite ao consumidor desfrutar de uma maior variedade de bens, favorece o aumento da concorrência nos mercados nacionais e permite tirar pleno partido das economias de escala.
3. Barreiras do comércio
Reconhecendo os benefícios do livre comércio e a necessidade de aumentá-lo, a maioria dos governos do mundo ainda conduz políticas comerciais protecionistas. O protecionismo refere-se às medidas aplicadas pelos governos para restringir as importações, tentando "proteger" os produtores nacionais da concorrência estrangeira.
3.1 Tarifas
A tarifa sobre o produto importado é um imposto cobrado pelo governo. As tarifas têm dois objetivos: tornar o produto importado mais caro no mercado interno, favorecendo os produtos nacionais, e servir como fonte de receitas para os governos. O resultado é o aumento do preço do produto e a redução da demanda de seus consumidores.
3.2 Medidas não-tarifárias
- Cotas de importação: de forma análoga às tarifas, o governo limita o número de unidades que podem ser importadas de um bem. Essas restrições quantitativas aumentam o preço dos produtos e reduzem seu consumo.
- Acordos de restrição voluntária das exportações: acordos bilaterais onde o país exportador concorda em restringir suas exportações para que o país importador não recorra a cotas ou tarifas.
- Subsídios à exportação: a empresa nacional recebe apoio financeiro do governo para exportar. Isso tenta tornar as empresas nacionais mais competitivas, mas gera concorrência desleal, permitindo vendas abaixo do preço de custo. Os consumidores perdem pois pagam mais impostos para custear os subsídios e enfrentam preços internos maiores.
- Outras barreiras não-tarifárias: exigências técnicas ou sanitárias que visam impor custos adicionais a produtos estrangeiros, regras burocráticas e políticas de compras públicas que exijam a origem nacional do produto.
3.3 Os efeitos das barreiras comerciais
Em última instância, reduzir as barreiras ao comércio internacional e restringir as importações reserva o mercado interno para empresas nacionais que não estão preocupadas com a exportação. Estas medidas levam ao aumento dos preços e à redução na diversidade da oferta, prejudicando os consumidores. Os produtores locais ficam sob menos pressão para serem competitivos e eficientes. Além disso, a imposição de barreiras pode causar guerras comerciais autênticas: se um país impõe uma tarifa, o outro pode responder da mesma forma, produzindo uma escalada de barreiras comerciais.