Compatibilismo, Libertismo e a Natureza da Ação Humana

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G3-1.1) O Compatibilismo

O compatibilismo, também designado por determinismo moderado, é uma perspectiva que aceita o determinismo no mundo natural, mas defende que existe espaço para a liberdade e para a responsabilidade humanas. Sendo assim, um ato pode ser, ao mesmo tempo, livre e determinado, o que nos devolve, como refere a afirmação, “uma imagem de nós próprios como agentes situados no interior da ordem causal da natureza”.

1.2) Ações Livres vs. Ações Não Livres

As ações livres são aquelas que fazemos com vontade de as fazer e sem que ninguém nos obrigue. Elas são resultado dos nossos desejos, do nosso carácter e da nossa personalidade.

As ações não livres, por sua vez, são aquelas em que somos forçados a escolher algo a fim de conservarmos, por exemplo, a integridade física, a posse de bens materiais ou outros. Ser livre significa, assim, encontrar-se isento de coerção.

1.3) O Libertismo

O libertismo defende, de modo radical, o livre-arbítrio e a responsabilidade do ser humano, considerando que o agente tem o poder de interferir no curso normal das coisas pela sua capacidade racional e deliberativa, iniciando sequências de acontecimentos sem que esse desencadear seja causalmente determinado. Assim, para os libertistas, o agente não é determinado: ele tem o poder de se autodeterminar, o que é muitas vezes defendido a par da ideia de que há uma dualidade entre o corpo e a mente, considerando-se que esta última está acima ou fora da causalidade do mundo natural.

G2-1.1) O Conceito de Ação

Ação designa algo que um ser humano executa intencionalmente, tendo por finalidade a transformação do agente e do seu mundo. É uma interferência consciente de um ser humano (o agente) no normal decurso dos acontecimentos, que, sem a sua interferência, seguiriam um caminho distinto.

Um acontecimento é, em princípio, algo que ocorre num determinado tempo e lugar, suscetível de afetar o sujeito, mas que não depende da sua vontade. De acordo com a afirmação, a racionalidade e a intenção só podem ser aplicadas se tais factos ou acontecimentos puderem ser designados por ações, desde que seja possível nomeá-los pela intenção ou explicá-los pelos motivos de qualquer agente.

1.2) Condicionantes da Ação

Existem três tipos de condicionantes:

  • Físico-biológicas: Por exemplo, o facto de possuirmos um corpo que queremos manter vivo faz com que não sejamos livres de viver sem nos alimentarmos.
  • Psicológicas: Se estivermos nervosos, teremos uma dificuldade que nos impede de realizar um teste de forma tranquila.
  • Histórico-culturais: Se vivemos numa época de crise, podemos não ter dinheiro suficiente para comprar tudo aquilo a que estamos habituados.

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